{"id":26893,"date":"2026-02-14T01:00:24","date_gmt":"2026-02-14T04:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26893"},"modified":"2026-02-14T00:21:46","modified_gmt":"2026-02-14T03:21:46","slug":"hora-da-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/hora-da-reforma\/","title":{"rendered":"Hora da reforma"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26904\" aria-describedby=\"caption-attachment-26904\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26904\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR.png\" alt=\"\" width=\"594\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR.png 791w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR-300x203.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR-768x520.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR-550x373.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/COR-230x156.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26904\" class=\"wp-caption-text\">Imagem gerada por IA (riosdenoticias.com)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde a simples suspeita de uma opera\u00e7\u00e3o policial j\u00e1 foi suficiente para que malas de dinheiro fossem lan\u00e7adas pela janela de apartamentos luxuosos, n\u00e3o surpreende que a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es tenha se tornado quase um sentimento nacional. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a imprensa brasileira revelou sucessivos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que atravessaram governos, partidos e poderes, consolidando a percep\u00e7\u00e3o de que o modelo pol\u00edtico-administrativo vigente apresenta falhas estruturais profundas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um epis\u00f3dio isolado ou de um desvio pontual. O Brasil assistiu, estarrecido, ao esc\u00e2ndalo do Mensal\u00e3o, revelado em 2005, que exp\u00f4s um sofisticado esquema de pagamentos a parlamentares em troca de apoio pol\u00edtico no Congresso Nacional. O julgamento no Supremo Tribunal Federal marcou um momento simb\u00f3lico no enfrentamento da corrup\u00e7\u00e3o, com condena\u00e7\u00f5es de figuras de destaque. Contudo, ele tamb\u00e9m revelou a complexidade das engrenagens pol\u00edticas que tornam poss\u00edvel a captura do Estado por interesses particulares.<\/p>\n<p>Anos depois, a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato escancarou um sistema ainda mais amplo de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo contratos da Petrobras, grandes empreiteiras, partidos pol\u00edticos e agentes p\u00fablicos de diversos n\u00edveis. A imprensa detalhou esquemas de superfaturamento, propinas milion\u00e1rias e redes de financiamento il\u00edcito de campanhas eleitorais. Executivos, empres\u00e1rios e pol\u00edticos foram investigados, denunciados e, em muitos casos, condenados. O chamado \u201cPetrol\u00e3o\u201d tornou-se s\u00edmbolo de um modelo de governan\u00e7a baseado em alian\u00e7as fisiol\u00f3gicas e no uso de estatais como moeda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Paralelamente, vieram \u00e0 tona casos como o dos \u201cAn\u00f5es do Or\u00e7amento\u201d nos anos 1990, os esc\u00e2ndalos envolvendo fundos de pens\u00e3o, a m\u00e1 gest\u00e3o e desvios em obras p\u00fablicas como as relacionadas \u00e0 Copa do Mundo e \u00e0s Olimp\u00edadas, al\u00e9m de den\u00fancias mais recentes sobre emendas parlamentares, INSS, Banco Master e o chamado \u201cOr\u00e7amento Secreto\u201d, que gerou intenso debate sobre transpar\u00eancia e controle dos gastos p\u00fablicos. Governadores e prefeitos tamb\u00e9m figuraram em investiga\u00e7\u00f5es relacionadas a fraudes em contratos de sa\u00fade, especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando compras emergenciais facilitaram pr\u00e1ticas irregulares em alguns estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Esses epis\u00f3dios, amplamente documentados por ve\u00edculos de imprensa nacionais e internacionais, evidenciam um problema sist\u00eamico: a promiscuidade entre interesses privados e decis\u00f5es p\u00fablicas. N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que, em determinados momentos, organiza\u00e7\u00f5es criminosas encontraram brechas para infiltrar-se em estruturas do poder, seja por meio do financiamento ilegal de campanhas, seja pelacoopta\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, cresce a sensa\u00e7\u00e3o de que o modelo pol\u00edtico brasileiro\u00a0caracterizado por um n\u00famero elevado de partidos, coliga\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas e fragmenta\u00e7\u00e3o parlamentar favorece negocia\u00e7\u00f5es pouco republicanas. A multiplicidade de legendas, muitas vezes sem identidade program\u00e1tica clara, transforma o processo legislativo em um terreno f\u00e9rtil para trocas de favores e loteamento de cargos. O custo desse arranjo recai sobre o contribuinte, que financia um sistema partid\u00e1rio dispendioso e, frequentemente, desconectado das demandas reais da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de demonizar a pol\u00edtica, elemento essencial da democracia, mas de reconhecer que sua pr\u00e1tica no Brasil precisa ser profundamente revisada. A fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, ainda que tenha sido parcialmente reduzida por cl\u00e1usulas de barreira e restri\u00e7\u00f5es a coliga\u00e7\u00f5es proporcionais, continua a gerar instabilidade e barganhas que enfraquecem a coer\u00eancia administrativa. Al\u00e9m da reforma pol\u00edtica, imp\u00f5e-se uma discuss\u00e3o mais ampla sobre a pr\u00f3pria estrutura do Estado.<\/p>\n<p>O Judici\u00e1rio, por exemplo, embora tenha desempenhado papel relevante no enfrentamento de grandes esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m enfrenta cr\u00edticas relacionadas \u00e0 morosidade processual, decis\u00f5es conflitantes e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de desigualdade no tratamento de r\u00e9us comuns e autoridades com foro privilegiado. O instituto do foro especial por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o, concebido para proteger o exerc\u00edcio do cargo, frequentemente \u00e9 percebido como instrumento de protela\u00e7\u00e3o e blindagem.<\/p>\n<p>No Executivo, a cultura do presidencialismo de coaliz\u00e3o exige maiorias parlamentares amplas, frequentemente obtidas por meio da distribui\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios, estatais e cargos estrat\u00e9gicos. Tal din\u00e2mica pode enfraquecer crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e fortalecer interesses pol\u00edtico-partid\u00e1rios em detrimento do interesse p\u00fablico. No Legislativo, a opacidade na destina\u00e7\u00e3o de recursos e a fragilidade de mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o contribuem para a eros\u00e3o da confian\u00e7a social.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, propostas mais rigorosas surgem no debate p\u00fablico: transformar corrup\u00e7\u00e3o em crime hediondo e imprescrit\u00edvel; extinguir ou restringir drasticamente o foro privilegiado; endurecer regras de inelegibilidade; fortalecer mecanismos de compliance e transpar\u00eancia; aprimorar sistemas de controle interno e externo; e ampliar a digitaliza\u00e7\u00e3o e rastreabilidade dos gastos p\u00fablicos. H\u00e1 tamb\u00e9m quem defenda uma redu\u00e7\u00e3o ainda mais significativa do n\u00famero de partidos, com crit\u00e9rios mais severos de desempenho eleitoral. Contudo, qualquer reforma deve observar os princ\u00edpios constitucionais e as garantias fundamentais.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 demonstrou capacidade de enfrentar desafios hist\u00f3ricos. A consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica ap\u00f3s a ditadura militar, a estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com o Plano Real e avan\u00e7os sociais significativos mostram que transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis. O combate estrutural \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o pode ser o pr\u00f3ximo grande passo civilizat\u00f3rio \u00a0desde que conduzido com equil\u00edbrio, respeito \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o se pode fazer pol\u00edtica com o f\u00edgado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira. A P\u00e1tria n\u00e3o \u00e9 capanga de idiossincrasias pessoais. \u00c9 indecoroso fazer pol\u00edtica uterina, em benef\u00edcio de filhos, irm\u00e3os e cunhados. O bom pol\u00edtico costuma ser mau parente.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ulysses Guimar\u00e3es<\/p>\n<figure id=\"attachment_12350\" aria-describedby=\"caption-attachment-12350\" style=\"width: 554px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12350\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes.jpg\" alt=\"\" width=\"554\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes-768x509.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes-350x232.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes-550x364.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/10\/ulysses_guimaraes-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12350\" class=\"wp-caption-text\">Foto: agenciabrasil.ebc.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Ajuda e Campanha do Cobertor. H\u00e1 muita crian\u00e7a com frio, sem agasalho, em Bras\u00edli<strong>a. (Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Num pa\u00eds onde a simples suspeita de uma opera\u00e7\u00e3o policial j\u00e1 foi suficiente para que malas de dinheiro fossem lan\u00e7adas pela janela de apartamentos luxuosos, n\u00e3o surpreende que a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es tenha se tornado quase um sentimento nacional. 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