{"id":26895,"date":"2026-02-15T01:00:58","date_gmt":"2026-02-15T04:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26895"},"modified":"2026-02-14T00:52:22","modified_gmt":"2026-02-14T03:52:22","slug":"o-mundo-nos-observa-com-olho-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-mundo-nos-observa-com-olho-vivo\/","title":{"rendered":"O mundo nos observa com olho vivo"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26908\" aria-describedby=\"caption-attachment-26908\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26908\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/chs.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/chs.png 595w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/chs-300x284.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/chs-550x520.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/chs-230x218.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26908\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Thyag\u00e3o para o Di\u00e1rio do Nordeste<\/figcaption><\/figure>\n<p>Loucura \u00e9 voc\u00ea recorrer e insistir nos mesmos procedimentos e v\u00edcios do passado, na espera de que haja novos e melhores resultados. Com essa f\u00f3rmula, fica quase explicado o fato de o Brasil aparecer na 107\u00aa posi\u00e7\u00e3o, entre 182 pa\u00edses, no ranking global de percep\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o (IPC) de 2025, elaborado pela Transpar\u00eancia Internacional. Ou seja: a pior posi\u00e7\u00e3o em d\u00e9cadas. Vis a vis a pretensa import\u00e2ncia que o pa\u00eds possui na \u00e1rea econ\u00f4mica e nas rela\u00e7\u00f5es comerciais com o mundo, ainda somos um pa\u00eds primitivo e subdesenvolvido quando o assunto \u00e9 suborno, desvio de dinheiro p\u00fablico, captura do Estado por elites, impunidade, transpar\u00eancia institucional e efic\u00e1cia do Judici\u00e1rio (dados colhidos pela Transpar\u00eancia Internacional para a elabora\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o por pa\u00edses).<\/p>\n<div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Fazer pouco de trabalhos desse tipo, que exp\u00f5em as nossas mazelas e acabam de espantar a atra\u00e7\u00e3o de investimentos, de nada adianta. Negativismo nunca fez bem. O fato \u00e9 que sem encarar o problema &#8211; e encarar com honestidade -, continuaremos como estamos agora, na rabeira dos \u00edndices mundiais, sejam eles de corrup\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, IDH e outros quesitos. O que temos que admitir, embora muitos tentem dizer o contr\u00e1rio, \u00e9 que vamos mal nessa travessia do s\u00e9culo XXI e que tamb\u00e9m j\u00e1 v\u00ednhamos mal desde s\u00e9culos passados. Com isso fica a confirma\u00e7\u00e3o de que estamos repetindo as mesmas f\u00f3rmulas de sempre, querendo for\u00e7ar uma realidade que, de fato, n\u00e3o existe, mas que \u00e9 divulgada oficialmente.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Rankings internacionais, s\u00e3o como voos de p\u00e1ssaros. V\u00eam a coisa de cima e como um todo, distante de ideologias e das press\u00f5es pol\u00edticas de toda a ordem. A f\u00f3rmula atribu\u00edda a Albert Einstein encaixa-se com desconcertante precis\u00e3o no momento brasileiro. Persistimos nos mesmos v\u00edcios administrativos, nas mesmas pr\u00e1ticas patrimonialistas, na mesma confus\u00e3o entre Estado e governo, e ainda assim nos surpreendemos quando os resultados s\u00e3o, reiteradamente, med\u00edocres ou desastrosos.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">O dado da Transpar\u00eancia Internaciona n\u00e3o \u00e9 fruto de ret\u00f3rica oposicionista nem de conspira\u00e7\u00e3o internacional: \u00e9 o retrato constru\u00eddo a partir de an\u00e1lises t\u00e9cnicas, avalia\u00e7\u00f5es de risco e percep\u00e7\u00f5es de agentes econ\u00f4micos e institucionais ao redor do planeta. Rankings dessa natureza funcionam como um sobrevoo: n\u00e3o captam apenas epis\u00f3dios isolados, mas padr\u00f5es persistentes. Minimizar essa import\u00e2ncia ou desqualificar os autores n\u00e3o altera o fato essencial: o mundo est\u00e1 nos olhando. E o que v\u00ea n\u00e3o \u00e9 animador.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">O problema central n\u00e3o \u00e9 apenas a corrup\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica criminosa individual. \u00c9 algo mais profundo e estrutural: a mentalidade que coloca o Estado acima da popula\u00e7\u00e3o, como se os direitos constitucionais de cidadania (como dito) fossem concess\u00f5es graciosas do poder e n\u00e3o garantias fundamentais inerentes \u00e0 pr\u00f3pria ideia de Rep\u00fablica. Quando o aparelho estatal se converte em instrumento de perpetua\u00e7\u00e3o de grupos, quando cargos s\u00e3o distribu\u00eddos como moeda pol\u00edtica, quando a m\u00e1quina p\u00fablica se torna extens\u00e3o de projetos pessoais ou partid\u00e1rios, instala-se uma cultura que naturaliza a distor\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Nessa l\u00f3gica, o contribuinte deixa de ser o financiador leg\u00edtimo do Estado para se tornar s\u00fadito de decis\u00f5es tomadas em gabinetes blindados. O resultado \u00e9 previs\u00edvel: a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es se deteriora. E confian\u00e7a, em qualquer economia moderna, \u00e9 ativo central. Sem ela, n\u00e3o h\u00e1 investimento s\u00f3lido, n\u00e3o h\u00e1 planejamento de longo prazo, n\u00e3o h\u00e1 previsibilidade jur\u00eddica. Em um mundo hiperconectado, inconsist\u00eancias de informa\u00e7\u00f5es governamentais n\u00e3o ficam restritas ao debate dom\u00e9stico. Elas atravessam fronteiras em quest\u00e3o de minutos. A tentativa de fabricar uma \u201cnormalidade positiva\u201d por meio de acrobacias estat\u00edsticas pode produzir dividendos pol\u00edticos moment\u00e2neos, mas cobra pre\u00e7o elevado no m\u00e9dio e longo prazo. A credibilidade, uma vez perdida, n\u00e3o se recomp\u00f5e por decreto.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">O Brasil gosta de se apresentar como pot\u00eancia regional, protagonista emergente, ator relevante nas grandes mesas de negocia\u00e7\u00e3o internacional. De fato, possui mercado robusto, vastos recursos naturais e posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no com\u00e9rcio global. No entanto, essa pretensa import\u00e2ncia econ\u00f4mica contrasta com a fragilidade institucional exposta por rankings de corrup\u00e7\u00e3o, falta de transpar\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento humano. N\u00e3o se trata de complexo de inferioridade, mas de coer\u00eancia.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Pa\u00edses que aspiram protagonismo global precisam demonstrar maturidade institucional, estabilidade regulat\u00f3ria e compromisso inequ\u00edvoco com a integridade p\u00fablica. H\u00e1 quem defenda que classifica\u00e7\u00f5es internacionais s\u00e3o enviesadas ou politizadas. \u00c9 uma hip\u00f3tese confort\u00e1vel. Contudo, investidores globais, ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, fundos soberanos e empresas multinacionais n\u00e3o tomam decis\u00f5es bilion\u00e1rias com base em simpatias ideol\u00f3gicas. O que ocorre em Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo ou qualquer capital estadual \u00e9 analisado em Nova York, Londres, Frankfurt e T\u00f3quio quase em tempo real.<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\">Admitir que \u201cvamos mal\u201d n\u00e3o \u00e9 exerc\u00edcio de pessimismo, mas de honestidade intelectual. O caminho alternativo \u00e9 mais \u00e1rduo, por\u00e9m indispens\u00e1vel: fortalecer mecanismos de controle, garantir autonomia real \u00e0s institui\u00e7\u00f5es fiscalizadoras, aprimorar a transpar\u00eancia or\u00e7ament\u00e1ria, proteger denunciantes, simplificar regras que hoje alimentam zonas cinzentas prop\u00edcias \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Mas a quem tudo isso interessaria?<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p><strong>A frase que foi pronunciada: <\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><em>&#8220;Integridade, transpar\u00eancia e o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o t\u00eam de fazer parte da cultura. T\u00eam de ser ensinados como valores fundamentais&#8221;.<\/em><br \/>\nAngel Gurr\u00eda, Secret\u00e1rio-Geral da OCDE.<\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\">\n<figure id=\"attachment_26910\" aria-describedby=\"caption-attachment-26910\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26910\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL.png\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"407\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL.png 818w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL-300x217.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL-768x557.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL-800x580.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL-550x399.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/ANGEL-230x167.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26910\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1ngel Gurr\u00eda. Foto: Assessoria de Imprensa_WSoET<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div>\n<div dir=\"ltr\"><\/div>\n<div dir=\"ltr\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nDos carros de Bras\u00edlia que participaram da corrida do dia 21 de abril, nem todos colocaram o cano de escapamento novamente, e est\u00e3o fazendo uma barulheira infernal pela cidade.\u00a0<strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Loucura \u00e9 voc\u00ea recorrer e insistir nos mesmos procedimentos e v\u00edcios do passado, na espera de que haja novos e melhores resultados. 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