{"id":26935,"date":"2026-02-21T01:00:37","date_gmt":"2026-02-21T04:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26935"},"modified":"2026-02-20T18:32:48","modified_gmt":"2026-02-20T21:32:48","slug":"a-letra-vencedora-o-toma-la-da-ca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-letra-vencedora-o-toma-la-da-ca\/","title":{"rendered":"A letra vencedora: O toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25294\" aria-describedby=\"caption-attachment-25294\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25294\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/economia.png\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/economia.png 653w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/economia-300x209.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/economia-550x384.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/economia-230x161.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25294\" class=\"wp-caption-text\">Cherge do NEF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No passado, n\u00e3o muito distante, era comum que os cargos e as fun\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o e controle das finan\u00e7as do Estado &#8211; no caso aqui de ministros da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central &#8211; ficassem reservados exclusivamente para indiv\u00edduos que conheciam a fundo a complicada ci\u00eancia matem\u00e1tica da macro economia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na Fazenda passaram nomes de peso como Ruy Barbosa, Oswaldo Aranha, Eug\u00eanio Gudin, Walther Moreira Salles, Tancredo Neves, Santiago Dantas, Roberto Campos, Delfin Netto, M\u00e1rio Henrique Simonsen, Pedro Malan, Paulo Guedes e outros. Todos experts no mundo da contabilidade estatal. No Planejamento tivemos tamb\u00e9m a supervis\u00e3o de figuras ilustres como Celso Furtado, Roberto Campos, Reis Veloso, Simonsen, Jos\u00e9 Serra, Ant\u00f4nio Kandir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nas \u00faltimas 3 d\u00e9cadas, por\u00e9m, a coisa ficou bastante feia, sendo o not\u00e1vel conhecimento, substitu\u00eddo por qualidades duvidosas calcadas apenas na simpatia ideol\u00f3gica aos ocupantes do poder. Talvez por isso mesmo e pelo fato de que os chefes do Executivo do passado tinham total confian\u00e7a nesses ministros e seguiam \u00e0 risca o que eles propunham \u00e9 que o Brasil possu\u00eda um claro programa econ\u00f4mico de governo. O pior \u00e9 que nem mesmo as experi\u00eancias de supera\u00e7\u00e3o de crises do passado puderam servir de exemplo para a atualidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hoje o que se tem \u00e9 a teimosia em reinventar a roda ou faz\u00ea-la com o formato quadrado. \u00c9 o que se dizia no passado: Um pastor cego n\u00e3o pode guiar ovelhas. O estado de piora cont\u00ednua da economia do pa\u00eds, espelha bem o tipo de figuras que est\u00e3o \u00e0 frente dos atuais minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento. N\u00e3o fosse o segundo escal\u00e3o, formado ainda por t\u00e9cnicos e especialistas ainda n\u00e3o abduzidos por ideologias vazias, estar\u00edamos ainda pior.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A rigor o Estado deveria cuidar de fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas como garantir a prote\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, garantir a seguran\u00e7a interna dos cidad\u00e3os, administrando sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de qualidade, tudo de acordo com o que manda a Constitui\u00e7\u00e3o. Como nenhum desses princ\u00edpios parece estar sendo seguido, estamos onde estamos, com o Estado submetido a vol\u00fapias do governo de plant\u00e3o, transformado em empres\u00e1rio mal sucedido, distribuindo os recursos p\u00fablicos com base em pol\u00edticas assistencialistas, cujo \u00fanico objetivo \u00e9 manter uma clientela cativa com vistas as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ainda que suas vis\u00f5es de desenvolvimento desses indiv\u00edduos fossem distintas, havia um elemento comum: a compreens\u00e3o de que a condu\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica exige preparo t\u00e9cnico, diagn\u00f3stico rigoroso e compromisso com metas de longo prazo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por\u00e9m, consolidou-se a percep\u00e7\u00e3o de que crit\u00e9rios t\u00e9cnicos passaram a dividir espa\u00e7o \u00a0e, por vezes, a ceder lugar a crit\u00e9rios de conveni\u00eancia pol\u00edtica e alinhamento ideol\u00f3gico. Essa transi\u00e7\u00e3o, frequentemente associada a pr\u00e1ticas clientelistas, produziu efeitos cumulativos que ajudam a explicar a persist\u00eancia de fragilidades estruturais na economia brasileira. O clientelismo, entendido como a distribui\u00e7\u00e3o de cargos, recursos e favores com base na fidelidade pol\u00edtica, altera a l\u00f3gica de funcionamento do Estado. Em vez de institui\u00e7\u00f5es orientadas por resultados e responsabilidade fiscal, cria-se um sistema de incentivos voltado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de coaliz\u00f5es de poder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quando postos estrat\u00e9gicos deixam de ser ocupados prioritariamente por especialistas com autonomia t\u00e9cnica, a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas tende a sofrer tr\u00eas distor\u00e7\u00f5es principais: No curto-prazo decis\u00f3rio as pol\u00edticas passam ser \u00a0desenhadas para produzir efeitos eleitorais imediatos, n\u00e3o para corrigir desequil\u00edbrios estruturais; a fragmenta\u00e7\u00e3o administrativa com programas e gastos s\u00e3o definidos por press\u00f5es setoriais, e n\u00e3o por planejamento integrado gerando a eros\u00e3o da credibilidade institucional dos agentes econ\u00f4micos, o que leva a popula\u00e7\u00e3o a duvidar da previsibilidade das regras. A consequ\u00eancia direta \u00e9 o aumento do custo de governar: juros mais elevados, menor investimento produtivo e crescimento econ\u00f4mico inst\u00e1vel. O impacto da desprofissionaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o se limita a epis\u00f3dios isolados de crise. Trata-se de um processo cumulativo que afeta a trajet\u00f3ria de desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Programas concebidos com finalidade pol\u00edtica, e n\u00e3o t\u00e9cnica, tendem a priorizar a visibilidade imediata em detrimento da efici\u00eancia. O resultado \u00e9 o aumento da despesa corrente sem correspondente ganho estrutural em produtividade, educa\u00e7\u00e3o ou infraestrutura. Sem disciplina fiscal sustentada por crit\u00e9rios t\u00e9cnicos, o endividamento p\u00fablico torna-se instrumento recorrente de acomoda\u00e7\u00e3o de press\u00f5es pol\u00edticas. O servi\u00e7o da d\u00edvida consome parcela crescente do or\u00e7amento, comprimindo investimentos essenciais. Com isso a perda de competitividade internacional \u00e9 o resultado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pol\u00edticas econ\u00f4micas inst\u00e1veis, mudan\u00e7as frequentes de orienta\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de planejamento industrial coerente dificultam a inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nas cadeias globais de valor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O papel constitucional do Estado, que seria garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica, prover servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais e criar condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento, pressup\u00f5e racionalidade administrativa. Quando a m\u00e1quina p\u00fablica passa a operar sob l\u00f3gica clientelista, ocorre uma invers\u00e3o de finalidade: o Estado deixa de servir \u00e0 sociedade para servir \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de grupos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;O trapezista morre quando pensa que \u00e9 anjo&#8221;.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mario Henrique Simonsen<\/p>\n<figure id=\"attachment_25005\" aria-describedby=\"caption-attachment-25005\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25005\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario.png\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario.png 477w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario-300x188.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario-230x144.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25005\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Henrique Simonsen. Foto: istoedinheiro.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Esta coluna completa, hoje, dois anos de circula\u00e7\u00e3o. Em todo \u00easte espa\u00e7o de tempo, n\u00e3o negamos. Temos passado muitas horas de dissabores, de aborrecimentos e de amea\u00e7as. <strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; No passado, n\u00e3o muito distante, era comum que os cargos e as fun\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o e controle das finan\u00e7as do Estado &#8211; no caso aqui de ministros da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central &#8211; ficassem reservados exclusivamente para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,220,4142,1490,114,2340,1432,4141,119],"class_list":["post-26935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-economianobrasil","tag-gestao","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-ministeriodaeconomia","tag-orcamento","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26935"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26938,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26935\/revisions\/26938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}