{"id":26940,"date":"2026-02-22T01:00:05","date_gmt":"2026-02-22T04:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26940"},"modified":"2026-02-23T00:46:04","modified_gmt":"2026-02-23T03:46:04","slug":"desconectados-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/desconectados-do-povo\/","title":{"rendered":"Desconectados do povo"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26943\" aria-describedby=\"caption-attachment-26943\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26943\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/stf.png\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/stf.png 592w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/stf-300x264.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/stf-550x484.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/stf-230x202.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26943\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Clayton papa O Povo Online<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil entra em 2026 com a sensa\u00e7\u00e3o de estar permanentemente \u00e0 beira de um acontecimento decisivo que nunca se resolve, apenas se transforma. A met\u00e1fora do \u201cano agitado\u201d n\u00e3o \u00e9 exagero ret\u00f3rico: ela traduz um estado de esp\u00edrito coletivo marcado por fadiga pol\u00edtica, inseguran\u00e7a institucional e descren\u00e7a crescente na capacidade do sistema de se autorregular. Os feriados, distribu\u00eddos ao longo do calend\u00e1rio, funcionam quase como pausas simb\u00f3licas num enredo que parece n\u00e3o conhecer intervalos reais.<\/p>\n<p>O pa\u00eds respira, mas n\u00e3o se recupera. O ambiente pol\u00edtico \u00e9 dominado por investiga\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas e narrativas concorrentes de responsabiliza\u00e7\u00e3o. Comiss\u00f5es parlamentares e inqu\u00e9ritos multiplicam-se, ampliando a percep\u00e7\u00e3o de que o esc\u00e2ndalo deixou de ser evento excepcional para se tornar m\u00e9todo recorrente de revela\u00e7\u00e3o do funcionamento do poder. No centro dessa din\u00e2mica, est\u00e1 o pr\u00f3prio Estado, observado e julgado por uma sociedade que j\u00e1 n\u00e3o distingue com clareza onde termina a crise e onde come\u00e7a a normalidade.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o protagonismo das estruturas investigativas assume papel ambivalente. Por um lado, refor\u00e7a o princ\u00edpio republicano de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o. Por outro, evidencia o grau de deteriora\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a p\u00fablica. A atua\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, com comiss\u00f5es sucessivas de investiga\u00e7\u00e3o, e as apura\u00e7\u00f5es conduzidas pela Pol\u00edcia Federal simbolizam um Estado que investiga a si pr\u00f3prio em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>A transpar\u00eancia, necess\u00e1ria, convive com a teatraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, inevit\u00e1vel em per\u00edodos eleitorais. A economia, por sua vez, n\u00e3o oferece o contrapeso estabilizador que, em outros momentos hist\u00f3ricos, serviu para amortecer tens\u00f5es institucionais. A percep\u00e7\u00e3o de fragilidade fiscal, aliada ao baixo dinamismo produtivo e \u00e0 persist\u00eancia de desigualdades estruturais, comp\u00f5e o pano de fundo de uma crise que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas pol\u00edtica, mas sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Quando expectativas econ\u00f4micas se deterioram, a toler\u00e2ncia social ao conflito pol\u00edtico diminui. A governabilidade passa a ser avaliada n\u00e3o pela estabilidade institucional, mas pela capacidade imediata de reduzir incertezas, tarefa que nenhum governo contempor\u00e2neo tem conseguido cumprir plenamente. Nesse ambiente, esc\u00e2ndalos associados a institui\u00e7\u00f5es financeiras e estruturas administrativas ampliam a sensa\u00e7\u00e3o de que o sistema opera desconectado do interesse p\u00fablico. Casos que envolvem entidades como o Banco Master ou investiga\u00e7\u00f5es relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) transcendem seu conte\u00fado jur\u00eddico espec\u00edfico para assumir significado simb\u00f3lico mais amplo: tornam-se sinais de um modelo de gest\u00e3o p\u00fablica percebido como vulner\u00e1vel \u00e0 captura e distor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O elemento mais sens\u00edvel, contudo, n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de crises, mas sua simultaneidade. Crises sobrepostas produzem um efeito cumulativo de desorienta\u00e7\u00e3o. Quando Executivo, Legislativo e institui\u00e7\u00f5es de controle aparecem simultaneamente associados a controv\u00e9rsias, o cidad\u00e3o comum passa a perceber o sistema como um bloco indistinto. A distin\u00e7\u00e3o entre fun\u00e7\u00f5es de poder, fundamento da arquitetura republicana, perde nitidez no imagin\u00e1rio coletivo. Essa eros\u00e3o simb\u00f3lica talvez seja o fen\u00f4meno mais relevante do momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Democracias n\u00e3o se sustentam apenas por regras formais; dependem de um estoque m\u00ednimo de confian\u00e7a difusa, fazendo com que o debate p\u00fablico se torne mais emocional, mais reativo e menos racional. A pol\u00edtica passa a operar sob a l\u00f3gica da suspeita permanente.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 experimentou ciclos de exaust\u00e3o pol\u00edtica ao longo de sua hist\u00f3ria republicana. O padr\u00e3o recorrente \u00e9 conhecido: per\u00edodos de intensa mobiliza\u00e7\u00e3o moralizante seguidos por fases de acomoda\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica. A diferen\u00e7a atual reside na velocidade e na amplitude da circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Redes sociais comprimem o tempo pol\u00edtico, transformando eventos em crises instant\u00e2neas, e crises em narrativas permanentes. A ret\u00f3rica de colapso generalizado, contudo, merece ser examinada com cautela. H\u00e1 uma tend\u00eancia hist\u00f3rica de interpretar momentos de tens\u00e3o como rupturas definitivas. No entanto, sistemas pol\u00edticos frequentemente sobrevivem n\u00e3o por sua estabilidade intr\u00ednseca, mas por sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o incremental.<\/p>\n<p>O que hoje se apresenta como ponto de inflex\u00e3o pode revelar-se, retrospectivamente, mais um epis\u00f3dio de reconfigura\u00e7\u00e3o gradual. Ainda assim, o diagn\u00f3stico de fadiga democr\u00e1tica n\u00e3o deve ser descartado, talvez como exagero pessimista. H\u00e1 a express\u00e3o de um fen\u00f4meno interessante: a perda de for\u00e7a mobilizadora de grandes narrativas ideol\u00f3gicas. O debate p\u00fablico desloca-se do campo das promessas transformadoras para o da gest\u00e3o de danos. A pol\u00edtica torna-se menos vision\u00e1ria e mais defensiva. Essa mudan\u00e7a de horizonte tem implica\u00e7\u00f5es profundas. Quando a pol\u00edtica deixa de ser percebida como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o coletiva, ela tende a ser vista apenas como arena de disputa de interesses. O resultado \u00e9 o aumento do cinismo p\u00fablico e a retra\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica qualificada. Democracias fragilizam-se n\u00e3o apenas por ataques diretos, mas tamb\u00e9m por desengajamento progressivo. No caso brasileiro, esse processo ocorre em um pa\u00eds que ainda consolida sua cultura institucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Quando o povo est\u00e1 bem\u00a0<\/em><em>informado, pode-se confiar-lhe a\u00a0<\/em><em>administra\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio governo.&#8221;<\/em><br \/>\nThomas Jefferson<\/p>\n<figure id=\"attachment_17790\" aria-describedby=\"caption-attachment-17790\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17790\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg 405w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17790\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rembrandt Peale &#8211; Thomas Jefferson &#8211; Google Art Project.jpg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Ela surgiu, inocentemente, de uma conversa no bar do acampamento do jornal, \u00e0quela \u00e9poca secretariado pelo Eduardo Santa Maria. \u00cale sugeriu que o jornal deveria ter uma coluna para defender a cidade, e, assim, teve in\u00edcio o nosso trabalho. <strong>(Publicada em 15\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; O Brasil entra em 2026 com a sensa\u00e7\u00e3o de estar permanentemente \u00e0 beira de um acontecimento decisivo que nunca se resolve, apenas se transforma. 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