{"id":26961,"date":"2026-02-27T01:00:02","date_gmt":"2026-02-27T04:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26961"},"modified":"2026-02-27T18:35:04","modified_gmt":"2026-02-27T21:35:04","slug":"promessas-eleitorais-afetam-ciclos-economicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/promessas-eleitorais-afetam-ciclos-economicos\/","title":{"rendered":"Promessas eleitorais afetam ciclos econ\u00f4micos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26967\" aria-describedby=\"caption-attachment-26967\" style=\"width: 543px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26967\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala.jpg\" alt=\"\" width=\"543\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala.jpg 633w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-300x166.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-550x304.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-230x127.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26967\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Herm\u00ednio Bernardo\/TV Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o debate sobre a ado\u00e7\u00e3o ampla de uma jornada de trabalho do tipo \u201ccinco por dois\u201d, apresentada por setores pol\u00edticos como avan\u00e7o civilizat\u00f3rio e promessa de campanha, um ponto importante \u00e9 recolocado no centro da agenda nacional acompanhado de uma quest\u00e3o cl\u00e1ssica: at\u00e9 que ponto pol\u00edticas trabalhistas podem ser dissociadas da produtividade real de uma economia. Em um pa\u00eds com crescimento modesto, elevada informalidade e carga tribut\u00e1ria complexa e alta como o Brasil, mudan\u00e7as estruturais no regime de trabalho exigem an\u00e1lise rigorosa de seus efeitos econ\u00f4micos concretos, a m\u00e9dio e longo prazo. A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9, em si, ileg\u00edtima.<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, a redu\u00e7\u00e3o progressiva da jornada de trabalho acompanhou ganhos de produtividade, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e expans\u00e3o do capital humano. O problema surge quando a promessa de menos trabalho antecede, em vez de resultar, desses ganhos estruturais. Dados de organismos internacionais indicam que a produtividade do trabalho no Brasil permanece estagnada h\u00e1 d\u00e9cadas quando comparada a economias desenvolvidas e mesmo a pa\u00edses emergentes. Isso significa que o pa\u00eds produz menos valor por hora trabalhada do que a maioria de seus concorrentes globais. Quando a produtividade cresce, \u00e9 poss\u00edvel trabalhar menos sem reduzir renda agregada. Quando n\u00e3o cresce, reduzir horas implica um dilema econ\u00f4mico inevit\u00e1vel, como manter sal\u00e1rios com menos produ\u00e7\u00e3o, elevando custos unit\u00e1rios; reduzir sal\u00e1rios para preservar custos, afetando o poder de compra ou absorver o impacto via desemprego e informalidade.<\/p>\n<p>Em setores de alta tecnologia, ganhos de efici\u00eancia podem compensar redu\u00e7\u00f5es de jornada. Mas a estrutura produtiva brasileira \u00e9 fortemente composta por servi\u00e7os de baixa margem, com\u00e9rcio e pequenas empresas, cuja capacidade de absorver aumento de custos \u00e9 limitada. Com isso pequenas empresas, o elo mais vulner\u00e1vel ser\u00e3o as mais afetadas. Mais de 90% das empresas brasileiras s\u00e3o micro e pequenas. S\u00e3o elas que concentram grande parte do emprego formal e informal do pa\u00eds. Para esse segmento, a jornada de trabalho n\u00e3o \u00e9 apenas uma vari\u00e1vel social, \u00e9 uma vari\u00e1vel de sobreviv\u00eancia financeira. Uma redu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de horas, sem contrapartida de produtividade ou desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria significativa, pode gerar efeitos encadeados tais como a necessidade de contratar mais trabalhadores para manter a opera\u00e7\u00e3o; o aumento do custo trabalhista total; a eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os finais; a perda de competitividade e a redu\u00e7\u00e3o de postos formais.<\/p>\n<p>Outro elemento estrutural do debate \u00e9 o peso dos encargos sobre a folha salarial. O custo total de um trabalhador formal no Brasil ultrapassa significativamente o valor l\u00edquido recebido por ele. Qualquer altera\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o da jornada que n\u00e3o enfrente essa distor\u00e7\u00e3o pode ampliar o descompasso entre custo empresarial e renda efetiva do trabalhador. Sem reforma tribut\u00e1ria sobre o trabalho ou aumento relevante de produtividade, a redu\u00e7\u00e3o generalizada de horas pode significar al\u00e9m de um custo maior para empregar, gerar incentivo \u00e0 automa\u00e7\u00e3o defensiva com redu\u00e7\u00e3o de oportunidades para trabalhadores menos qualificados. O impacto distributivo \u00e9 evidente. Pol\u00edticas trabalhistas t\u00eam efeitos distributivos complexos.<\/p>\n<p>Trabalhadores qualificados, inseridos em setores produtivos, tendem a preservar renda e benef\u00edcios. J\u00e1 os trabalhadores de menor renda, mais expostos \u00e0 informalidade e ao desemprego, absorvem a maior parte dos ajustes econ\u00f4micos. Assim, uma pol\u00edtica concebida como amplia\u00e7\u00e3o de bem-estar pode, paradoxalmente, aprofundar desigualdades no mercado de trabalho, caso n\u00e3o esteja ancorada em bases produtivas s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>Em per\u00edodos eleitorais, propostas de impacto imediato sobre o cotidiano do trabalhador ganham apelo pol\u00edtico. A redu\u00e7\u00e3o da jornada \u00e9 facilmente compreendida como melhoria direta da qualidade de vida. No entanto, pol\u00edticas p\u00fablicas estruturais n\u00e3o podem ser avaliadas apenas por sua atratividade simb\u00f3lica, mas por sua sustentabilidade econ\u00f4mica. Experi\u00eancias internacionais mostram que redu\u00e7\u00f5es bem-sucedidas de jornada ocorreram quando foram acompanhadas por um forte crescimento de produtividade; investimentos em tecnologia; reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva e di\u00e1logo social amplo entre Estado, empresas e trabalhadores. Sem esses fatores, a pol\u00edtica tende a gerar custos difusos e benef\u00edcios concentrados. O dilema \u00e9 central. A pergunta fundamental n\u00e3o \u00e9 se trabalhar menos \u00e9 desej\u00e1vel, mas quando e sob quais condi\u00e7\u00f5es isso se torna vi\u00e1vel. Economias mais produtivas podem distribuir melhor o tempo de trabalho.<\/p>\n<p>O debate sobre a jornada 5\u00d72 deveria ser precedido por uma discuss\u00e3o mais ampla sobre: produtividade nacional; custo do trabalho formal; estrutura tribut\u00e1ria; competitividade empresarial al\u00e9m de qualifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Sem esse alicerce, a promessa de trabalhar menos pode converter-se em um ajuste econ\u00f4mico mais severo do que o previsto \u00a0especialmente para os mais vulner\u00e1veis. O desafio do pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 escolher entre bem-estar e responsabilidade econ\u00f4mica, mas construir pol\u00edticas que permitam ambos coexistirem de forma sustent\u00e1vel. At\u00e9 agora nem uma coisa nem outra tem sido levado adiante com responsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cUma na\u00e7\u00e3o desunida jamais vai prosperar.\u201d<\/em><br \/>\nSenador Cleitinho<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26964 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cleitinho.jpg\" alt=\"\" width=\"372\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cleitinho.jpg 470w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cleitinho-238x300.jpg 238w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cleitinho-230x290.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m mais util, pois, do que aquelle que se destina a mostrar, com evid\u00eancia, os accontecimentos do presente, e desenvolver as sombras do futuro&#8221;.\u00a0<strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Com o debate sobre a ado\u00e7\u00e3o ampla de uma jornada de trabalho do tipo \u201ccinco por dois\u201d, apresentada por setores pol\u00edticos como avan\u00e7o civilizat\u00f3rio e promessa de campanha, um ponto importante \u00e9 recolocado no centro da agenda nacional acompanhado de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,153,4147,3802,1490,114,2340,119],"class_list":["post-26961","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-economia","tag-escala5x2","tag-escala6x1","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26961"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26969,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26961\/revisions\/26969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}