{"id":26974,"date":"2026-03-01T01:00:26","date_gmt":"2026-03-01T04:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26974"},"modified":"2026-03-02T11:35:45","modified_gmt":"2026-03-02T14:35:45","slug":"vontade-politica-ou-a-falta-dela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/vontade-politica-ou-a-falta-dela\/","title":{"rendered":"Vontade pol\u00edtica, ou a falta dela"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26976\" aria-describedby=\"caption-attachment-26976\" style=\"width: 566px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26976\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva.jpg\" alt=\"\" width=\"566\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva.jpg 964w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva-768x574.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva-800x598.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva-550x411.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/chuva-230x172.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26976\" class=\"wp-caption-text\">Ruas alagadas em Juiz de Fora. Foto: Ales de Jesus\/ O Tempo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carlos Penna Brescianini lembrou bem. Como \u00e9 que representantes do governo declaram que nada podem fazer em rela\u00e7\u00e3o aos problemas causados pelas chuvas se, na antiguidade, sem intelig\u00eancia artificial, sem computadores e sem eletricidade, aquele povo conseguia drenar as \u00e1guas das chuvas para enfrentar as inunda\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Como base para a engenharia atual, a tecnologia hidr\u00e1ulica desenvolvida por civiliza\u00e7\u00f5es antigas revela grau de sofistica\u00e7\u00e3o em sistemas de capta\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de \u00e1guas pluviais que estruturava cidades inteiras muito antes da mecaniza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, articulando arquitetura, topografia e conhecimento clim\u00e1tico de forma integrada. No territ\u00f3rio da Roma Antiga, cisternas escavadas no subsolo armazenavam milhares de litros de \u00e1gua coletados por telhados inclinados e p\u00e1tios internos, garantindo abastecimento durante estiagens prolongadas. Escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas demonstram que esses reservat\u00f3rios eram impermeabilizados com argamassa especial \u00e0 base de cal e fragmentos cer\u00e2micos, t\u00e9cnica que assegurava durabilidade secular. Povos da Mesoam\u00e9rica, na regi\u00e3o correspondente ao atual M\u00e9xico, constru\u00edram os chamados chultuns, cavidades talhadas na rocha calc\u00e1ria para reter \u00e1gua da chuva em \u00e1reas sem rios perenes. Engenhosidade semelhante floresceu na Gr\u00e9cia Antiga, onde reservat\u00f3rios p\u00fablicos integravam o desenho urbano, reconhecendo a chuva como recurso estrat\u00e9gico, e n\u00e3o como amea\u00e7a a ser eliminada.<\/p>\n<p>Em caminho inverso percorre a modernidade brasileira, entretanto, ao longo do s\u00e9culo 20, convertendo v\u00e1rzeas em avenidas, retificando cursos d\u2019\u00e1gua e selando o terreno com concreto. Dados consolidados pelo MapBiomas indicam expans\u00e3o acelerada da mancha urbana nas \u00faltimas d\u00e9cadas, acompanhada de expressiva redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes em regi\u00f5es metropolitanas. Em S\u00e3o Paulo, levantamentos municipais apontam \u00edndices de impermeabiliza\u00e7\u00e3o superiores a 70% em diversos distritos, condi\u00e7\u00e3o que compromete a infiltra\u00e7\u00e3o natural e intensifica picos de vaz\u00e3o durante tempestades. Relat\u00f3rios t\u00e9cnicos da prefeitura e an\u00e1lises do Tribunal de Contas do munic\u00edpio j\u00e1 advertiram que o sistema de macrodrenagem enfrenta limites estruturais diante da frequ\u00eancia crescente de eventos extremos.<\/p>\n<p>Minas Gerais oferece quadro igualmente revelador. Temporais recentes registraram volumes pluviom\u00e9tricos acima de 200 mil\u00edmetros em menos de 24 horas em \u00e1reas da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, conforme boletins da Defesa Civil estadual. Deslizamentos e inunda\u00e7\u00f5es expuseram vulnerabilidades hist\u00f3ricas relacionadas \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de encostas e fundos de vale. No Rio de Janeiro, relat\u00f3rios do Instituto Estadual do Ambiente destacam que relevo acidentado combinado a adensamento populacional e drenagem insuficiente potencializa enxurradas r\u00e1pidas e destrutivas. Especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, \u00f3rg\u00e3o federal vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, reiteram que padr\u00f5es clim\u00e1ticos alterados ampliam a intensidade das precipita\u00e7\u00f5es, exigindo revis\u00e3o dos par\u00e2metros tradicionais de projeto.<\/p>\n<p>C\u00e1lculos econ\u00f4micos refor\u00e7am a dimens\u00e3o do desafio. Estimativas da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios apontam que desastres associados a chuvas provocaram preju\u00edzos de bilh\u00f5es de reais na \u00faltima d\u00e9cada, considerando danos a infraestrutura, moradias e atividades produtivas. Frente a esses n\u00fameros, investimentos preventivos deixam de representar gastos e passam a configurar estrat\u00e9gia fiscal prudente. Simula\u00e7\u00f5es conduzidas por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo indicam que a combina\u00e7\u00e3o de pavimentos perme\u00e1veis, jardins de chuva e recupera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rzeas reduz, significativamente, o pico de cheia em bacias densamente urbanizadas.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias internacionais corroboram tal diagn\u00f3stico. O Programa Sponge City, implementado em diversas cidades da China, estabeleceu metas nacionais de reten\u00e7\u00e3o e reaproveitamento de \u00e1guas pluviais, mobilizando investimentos bilion\u00e1rios e integrando drenagem ao planejamento urbano. Modelos adotados em Roterd\u00e3, nos Pa\u00edses Baixos, transformaram pra\u00e7as p\u00fablicas em bacias tempor\u00e1rias de reten\u00e7\u00e3o, conciliando lazer e controle de cheias com efici\u00eancia reconhecida internacionalmente, mais ou menos como o governo Ibaneis implantou perto do Iate Clube de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00e3o conservadora para adaptar parcialmente metr\u00f3pole como S\u00e3o Paulo, tornando perme\u00e1veis cerca de 300 quil\u00f4metros quadrados ao longo de duas d\u00e9cadas, alcan\u00e7aria valores pr\u00f3ximos de R$ 60 bilh\u00f5es, equivalentes a, aproximadamente, 3 bilh\u00f5es anuais, percentual modesto ante a or\u00e7amento municipal superior a 90 bilh\u00f5es por ano. Engenheira hidr\u00f3loga, Maria do Carmo Barros afirmou em semin\u00e1rio promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais que \u201ccada real aplicado em preven\u00e7\u00e3o h\u00eddrica economiza m\u00faltiplos em reconstru\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia emergencial\u201d, frase que traduz racionalidade econ\u00f4mica frequentemente eclipsada por prioridades de curto prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 apenas sobre regras, mas sobre resultados.&#8221;<\/em><br \/>\nJames Q. Wilson<\/p>\n<figure id=\"attachment_26977\" aria-describedby=\"caption-attachment-26977\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26977\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/BO.jpg\" alt=\"\" width=\"517\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/BO.jpg 599w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/BO-300x160.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/BO-550x294.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/BO-230x123.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26977\" class=\"wp-caption-text\">James Q. Wilson. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nContinua Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa na primeira edi\u00e7\u00e3o do Correio Braziliense de 1808: O indiv\u00edduo que abrange o bem geral d&#8217;uma sociedade, vem a ser o membro mais distincto della; as luzes que elle espalha, tira\u00f5 das trevas ou da illuza\u00f5 aquelles que a ignorancia preciptou no labyrintho da apathia, da inepcia e do engano. <strong>(Publicada em 26\/2\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Carlos Penna Brescianini lembrou bem. 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