{"id":27007,"date":"2026-03-12T01:00:17","date_gmt":"2026-03-12T04:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27007"},"modified":"2026-03-13T18:01:04","modified_gmt":"2026-03-13T21:01:04","slug":"homens-no-labirinto-do-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/homens-no-labirinto-do-poder\/","title":{"rendered":"Homens no labirinto do poder"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27009\" aria-describedby=\"caption-attachment-27009\" style=\"width: 476px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27009\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/minotauro.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/minotauro.jpg 592w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/minotauro-300x223.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/minotauro-550x409.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/minotauro-230x171.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27009\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mitos antigos costumam sobreviver porque descrevem, com imagens poderosas, dilemas permanentes da condi\u00e7\u00e3o humana. Entre essas imagens destaca-se o labirinto erguido pelo rei Minos na ilha de Creta, destinado a aprisionar o temido Minotauro. Estrutura complexa e quase inescap\u00e1vel, o labirinto simbolizava tanto o poder de quem o construiu quanto o perigo que nele habitava. Curiosamente, esse mito continua sendo uma met\u00e1fora eficaz para compreender certos aspectos da vida p\u00fablica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Ao longo da exist\u00eancia, homens e mulheres constroem em torno de si uma esp\u00e9cie de labirinto pessoal. Esse labirinto \u00e9 formado por rela\u00e7\u00f5es, alian\u00e7as, amizades, compromissos e circunst\u00e2ncias que, somados, constituem o universo particular de cada indiv\u00edduo. Trata-se de um espa\u00e7o simb\u00f3lico, onde a identidade se consolida e onde a pr\u00f3pria raz\u00e3o de existir passa a ganhar sentido. Dentro dele est\u00e3o os afetos, as expectativas e tamb\u00e9m as responsabilidades que moldam trajet\u00f3rias individuais.<\/p>\n<p>Reflex\u00f5es da psican\u00e1lise ajudam a compreender esse processo. O m\u00e9dico austr\u00edaco Sigmund Freud dedicou grande parte de sua obra a examinar os conflitos internos que estruturam a psique humana. Em seus estudos aparece a tens\u00e3o entre duas for\u00e7as fundamentais: Eros, associada \u00e0 vida, ao desejo e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o; e T\u00e2natos, vinculada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o e \u00e0 puls\u00e3o de morte. Entre esses dois polos, cada indiv\u00edduo precisa encontrar caminhos para organizar seus impulsos e dar sentido \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia. Freud observou, ainda, que a sublima\u00e7\u00e3o constitui um dos mecanismos mais importantes para a vida civilizada. Por meio dela, impulsos prim\u00e1rios podem ser transformados em energia criativa, socialmente \u00fatil e culturalmente produtiva. Arte, ci\u00eancia, pol\u00edtica e institui\u00e7\u00f5es surgem, em grande medida, dessa capacidade humana de converter tens\u00f5es internas em realiza\u00e7\u00f5es coletivas. O problema surge quando esse processo de transforma\u00e7\u00e3o falha, especialmente no campo do poder.<\/p>\n<p>Homens p\u00fablicos, por ocuparem posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas dentro do Estado, frequentemente constroem labirintos muito mais complexos do que aqueles que cercam a vida privada do cidad\u00e3o comum. Redes de influ\u00eancia, estruturas burocr\u00e1ticas, alian\u00e7as pol\u00edticas e interesses institucionais passam a compor um sistema intrincado que tende a proteger seus integrantes. Em certos momentos, esse sistema adquire caracter\u00edsticas semelhantes ao labirinto mitol\u00f3gico de Creta. O monstro que deveria ser contido passa a confundir-se com o pr\u00f3prio construtor da estrutura. A met\u00e1fora torna-se perturbadora: quem ergue o labirinto para dominar a criatura acaba por compartilhar sua natureza. A figura do Minotauro, nesse sentido, deixa de ser apenas uma amea\u00e7a externa e passa a simbolizar a fus\u00e3o entre poder e impulso destrutivo.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro atual revela sinais dessa din\u00e2mica paradoxal. Esc\u00e2ndalos sucessivos, disputas institucionais intensas e revela\u00e7\u00f5es que emergem periodicamente criaram ambiente de permanente tens\u00e3o. A cada nova investiga\u00e7\u00e3o ou den\u00fancia, parte da opini\u00e3o p\u00fablica percebe a exist\u00eancia de estruturas complexas de poder que parecem operar dentro de circuitos fechados, frequentemente distantes do escrut\u00ednio cidad\u00e3o. Observadores da vida p\u00fablica apontam que determinadas figuras pol\u00edticas, cercadas por redes de prote\u00e7\u00e3o institucional ou partid\u00e1ria, acabam presas em seus pr\u00f3prios sistemas de influ\u00eancia. Para preservar posi\u00e7\u00f5es conquistadas, esses personagens precisam alimentar continuamente a estrutura que os mant\u00e9m no poder.<\/p>\n<p>Assim como no mito antigo, o labirinto passa a exigir manuten\u00e7\u00e3o constante, e o monstro interno precisa ser alimentado para que a pr\u00f3pria arquitetura permane\u00e7a intacta. Consequ\u00eancia desse processo \u00e9 um tipo peculiar de aprisionamento pol\u00edtico. Personagens p\u00fablicos passam a agir n\u00e3o apenas de acordo com convic\u00e7\u00f5es pessoais ou interesses da coletividade, mas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias do sistema que ajudaram a construir. O poder, que inicialmente parecia instrumento de realiza\u00e7\u00e3o, transforma-se gradualmente em mecanismo de autopreserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O momento pol\u00edtico brasileiro apresenta caracter\u00edsticas singulares nesse aspecto. Revela\u00e7\u00f5es envolvendo disputas institucionais, decis\u00f5es judiciais controversas, investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o e conflitos entre poderes criaram um ambiente em que a pr\u00f3pria estrutura republicana parece tensionada por for\u00e7as contradit\u00f3rias. Cada novo epis\u00f3dio exp\u00f5e camadas adicionais desse labirinto institucional. Diante desse cen\u00e1rio, cidad\u00e3os observam perplexos a repeti\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o hist\u00f3rico: indiv\u00edduos que deveriam administrar o poder em nome da sociedade acabam aprisionados em sistemas que exigem sua permanente manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez de governar o labirinto, passam a correr dentro dele, tentando escapar das consequ\u00eancias das pr\u00f3prias decis\u00f5es. A met\u00e1fora do labirinto revela, portanto, um dilema profundo da pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Estruturas criadas para organizar o poder podem transformar-se em armadilhas para aqueles que as controlam. Tal situa\u00e7\u00e3o explica parte do clima de inquieta\u00e7\u00e3o que marca a vida p\u00fablica brasileira. Revela\u00e7\u00f5es sucessivas alimentam a percep\u00e7\u00e3o de que o sistema pol\u00edtico opera em uma l\u00f3gica muitas vezes distante das expectativas da sociedade. Enquanto isso, personagens centrais da cena p\u00fablica continuam a percorrer corredores cada vez mais complexos de seus pr\u00f3prios labirintos. A hist\u00f3ria antiga sugere, contudo, que nenhum labirinto \u00e9 eterno.<\/p>\n<p>No mito grego, a estrutura aparentemente inescap\u00e1vel acabou sendo superada quando algu\u00e9m encontrou o fio capaz de revelar o caminho de sa\u00edda. Na pol\u00edtica real, esse fio costuma ser representado pela transpar\u00eancia, pela responsabilidade institucional e pela vigil\u00e2ncia permanente da sociedade sobre aqueles que exercem o poder. A repeti\u00e7\u00e3o do homem em seu labirinto, talvez, seja uma das imagens mais precisas para descrever o momento singular e turbulento que atravessa a pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cPapel do juiz \u00e9 resolver\u00a0<\/em><em>conflitos, e n\u00e3o cri\u00e1-los\u201d<\/em><br \/>\nTeori Zavascki<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27012 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/teori.jpg\" alt=\"\" width=\"534\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/teori.jpg 741w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/teori-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/teori-550x308.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/teori-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO com\u00e9rcio de Bras\u00edlia est\u00e1 apavorado com o numero de publica\u00e7\u00f5es que tem saido ultimamente. Quando sai uma publicidade local no CORREIO BRAZILIENSE, os nossos d\u00easses jornais\u201d atiram-se contra os comerciantes, e, \u00e0s vezes, amea\u00e7am at\u00e9 chantagem. Denunciem, e n\u00f3s publicaremos.\u00a0<strong>(Publicada em 16.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Mitos antigos costumam sobreviver porque descrevem, com imagens poderosas, dilemas permanentes da condi\u00e7\u00e3o humana. Entre essas imagens destaca-se o labirinto erguido pelo rei Minos na ilha de Creta, destinado a aprisionar o temido Minotauro. 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