{"id":27031,"date":"2026-03-18T01:00:00","date_gmt":"2026-03-18T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27031"},"modified":"2026-03-18T09:11:31","modified_gmt":"2026-03-18T12:11:31","slug":"a-promessa-e-o-limite-das-instituicoes-internacionais-diante-das-guerras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-promessa-e-o-limite-das-instituicoes-internacionais-diante-das-guerras\/","title":{"rendered":"A promessa e o limite das institui\u00e7\u00f5es internacionais diante das guerras"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27035\" aria-describedby=\"caption-attachment-27035\" style=\"width: 583px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27035\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri.jpg\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri.jpg 792w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri-300x187.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri-768x478.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri-550x342.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/pri-230x143.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27035\" class=\"wp-caption-text\">Soldados franceses em ataque \u00e0s trincheiras alem\u00e3s na Batalha de Verdun, no contexto da Primeira Guerra Mundial. Foto: historiadomundo.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conflitos armados come\u00e7am quase sempre com objetivos estrat\u00e9gicos definidos em centros de poder, nos quais l\u00edderes pol\u00edticos e militares identificam um advers\u00e1rio espec\u00edfico, um territ\u00f3rio ou um governo a ser neutralizado. No momento em que a decis\u00e3o \u00e9 tomada, contudo, a l\u00f3gica da guerra transforma rapidamente esse alvo abstrato em um espa\u00e7o habitado por indiv\u00edduos concretos, portadores de hist\u00f3rias, profiss\u00f5es, fam\u00edlias e projetos de vida que deixam de ter relev\u00e2ncia operacional. Estat\u00edsticas de conflitos recentes indicam que civis representam parcela significativa das v\u00edtimas das guerras contempor\u00e2neas, muitas vezes superior \u00e0 de combatentes. Estruturas urbanas, hospitais, escolas e sistemas de abastecimento tornam-se parte do teatro de opera\u00e7\u00f5es, e o resultado pr\u00e1tico desse deslocamento entre inten\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e realidade material \u00e9 conhecido: enquanto o objetivo formal permanece um inimigo identificado, aqueles que morrem com maior frequ\u00eancia s\u00e3o pessoas que jamais participaram da decis\u00e3o de iniciar o conflito.<\/p>\n<p>Poucos fen\u00f4menos marcaram de maneira t\u00e3o profunda a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea quanto a tentativa de organizar a paz por meio de institui\u00e7\u00f5es internacionais. Experi\u00eancia pol\u00edtica singular, surgida do trauma coletivo provocado pelas guerras mundiais, produziu organismos destinados a moderar rivalidades entre Estados soberanos, criando f\u00f3runs permanentes de negocia\u00e7\u00e3o e mecanismos jur\u00eddicos que, ao menos em teoria, deveriam substituir o campo de batalha pela mesa de di\u00e1logo. A inten\u00e7\u00e3o nobre convive, por\u00e9m, com uma contradi\u00e7\u00e3o fundamental da ordem internacional moderna: institui\u00e7\u00f5es globais dependem exatamente dos governos nacionais cuja competi\u00e7\u00e3o frequentemente desencadeia os conflitos que se pretende evitar.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria da devasta\u00e7\u00e3o causada pela Primeira Guerra Mundial estimulou o surgimento da Liga das Na\u00e7\u00f5es em 1919, projeto inspirado sobretudo pelas ideias do presidente norte-americano Woodrow Wilson. Apresentado ao mundo por meio dos chamados Quatorze Pontos de Wilson, o plano propunha uma nova arquitetura diplom\u00e1tica capaz de impedir conflitos armados por meio de arbitragem obrigat\u00f3ria entre pa\u00edses e aplica\u00e7\u00e3o coletiva de san\u00e7\u00f5es contra agressores. Naquele momento, acreditava-se que um sistema internacional institucionalizado poderia substituir a pol\u00edtica de alian\u00e7as militares que havia conduzido o continente europeu \u00e0 cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas da guerra anterior alimentavam a convic\u00e7\u00e3o de que a humanidade precisava reinventar a diplomacia. Estimativas hist\u00f3ricas indicam que o conflito iniciado em 1914 causou cerca de 16 milh\u00f5es de mortes entre militares e civis. Escala in\u00e9dita de destrui\u00e7\u00e3o industrializada provocou choque moral duradouro nas sociedades europeias. Intelectuais, juristas e estadistas passaram a discutir a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos permanentes de governan\u00e7a internacional. Jurista brit\u00e2nico James Bryce, defensor da coopera\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es, sintetizou esse sentimento ao afirmar que a paz duradoura exigiria algo al\u00e9m de tratados tempor\u00e1rios: \u201cinstitui\u00e7\u00f5es est\u00e1veis que transformem o direito internacional em pr\u00e1tica cotidiana\u201d.<\/p>\n<p>A fragilidade estrutural da Liga tornou-se evidente ainda na d\u00e9cada de 1930. Aus\u00eancia dos Estados Unidos, cujo Senado recusou a ades\u00e3o ao organismo idealizado por seu pr\u00f3prio presidente, enfraqueceu o sistema desde o in\u00edcio. Capacidade de aplicar san\u00e7\u00f5es ou organizar a\u00e7\u00f5es coletivas dependia da disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos governos participantes. Falta de mecanismos executivos robustos transformou o organismo em f\u00f3rum diplom\u00e1tico sem meios eficazes de coer\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O crescimento do expansionismo territorial na d\u00e9cada seguinte demonstrou os limites desse arranjo institucional. Invas\u00e3o da Manch\u00faria pelo Jap\u00e3o em 1931, conquista da Eti\u00f3pia pela It\u00e1lia em 1935 e sucessivas viola\u00e7\u00f5es do equil\u00edbrio europeu pela Alemanha nazista evidenciaram a incapacidade da Liga em conter agress\u00f5es de grandes pot\u00eancias. Colapso do sistema de seguran\u00e7a coletiva abriu caminho para a Segunda Guerra Mundial, conflito que custaria \u00e0 humanidade mais de 60 milh\u00f5es de vidas, segundo estimativas de historiadores militares e demogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>O trauma moral produzido por essa segunda devasta\u00e7\u00e3o global estimulou nova tentativa de organizar a paz institucionalmente. Funda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 1945, procurou corrigir as fragilidades do experimento anterior. Arquitetura institucional incorporou um princ\u00edpio pol\u00edtico realista: participa\u00e7\u00e3o direta das grandes pot\u00eancias na tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas. Estrutura central do sistema tornou-se o Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, composto por cinco membros permanentes com poder de veto. A decis\u00e3o refletia a convic\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica de que nenhuma organiza\u00e7\u00e3o internacional sobreviveria sem integrar os pa\u00edses mais poderosos ao processo decis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Diplomacia institucionalizada n\u00e3o elimina rivalidades entre na\u00e7\u00f5es, mas cria canais permanentes de di\u00e1logo que, em momentos de crise extrema, podem evitar que conflitos regionais se transformem em cat\u00e1strofes globais.<\/p>\n<p>O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu a sess\u00e3o hist\u00f3rica da Assembleia Geral que aprovou a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1947, descreveu a miss\u00e3o da nova institui\u00e7\u00e3o com formula\u00e7\u00e3o frequentemente citada nos estudos de rela\u00e7\u00f5es internacionais. Segundo ele, \u201ca ONU n\u00e3o foi criada para levar a humanidade ao para\u00edso, mas para salv\u00e1-la do inferno\u201d. Parece que n\u00e3o est\u00e1 funcionando mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNada me preocupa mais do que a troca for\u00e7ada da independ\u00eancia pela subsist\u00eancia.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Oswaldo Aranha<\/p>\n<figure id=\"attachment_27037\" aria-describedby=\"caption-attachment-27037\" style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27037\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw.jpg\" alt=\"\" width=\"612\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw.jpg 1233w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-300x171.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-768x438.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-1024x584.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-800x456.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-550x314.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/osw-230x131.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27037\" class=\"wp-caption-text\">Oswaldo Aranha presidiu a Segunda Assembleia Geral da ONU. Foto: Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Pois bem. O mesmo servi\u00e7o de imprensa anunciava que ter\u00e7a-feira o presidente viajaria para Bras\u00edlia. O sr. Jo\u00e3o Goulart, contrariando a previs\u00e3o, chegou segunda-feira. <strong>(Publicada em 16.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Conflitos armados come\u00e7am quase sempre com objetivos estrat\u00e9gicos definidos em centros de poder, nos quais l\u00edderes pol\u00edticos e militares identificam um advers\u00e1rio espec\u00edfico, um territ\u00f3rio ou um governo a ser neutralizado. 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