{"id":27080,"date":"2026-03-27T01:00:49","date_gmt":"2026-03-27T04:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27080"},"modified":"2026-03-27T17:31:17","modified_gmt":"2026-03-27T20:31:17","slug":"o-pendulo-da-historia-e-os-sinais-de-uma-contra-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-pendulo-da-historia-e-os-sinais-de-uma-contra-revolucao\/","title":{"rendered":"O p\u00eandulo da hist\u00f3ria e os sinais de uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27084\" aria-describedby=\"caption-attachment-27084\" style=\"width: 624px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27084\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/suno.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/suno.jpg 767w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/suno-300x166.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/suno-550x305.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/03\/suno-230x127.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27084\" class=\"wp-caption-text\">Cen\u00e1rio econ\u00f4mico de 2026 deve ser marcado por desacelera\u00e7\u00e3o global Foto: iStock<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ciclos hist\u00f3ricos raramente se desenvolvem em linha reta. Ao contr\u00e1rio, movem-se como um p\u00eandulo, ora avan\u00e7ando em determinada dire\u00e7\u00e3o, ora reagindo com igual intensidade no sentido oposto. Essa percep\u00e7\u00e3o, que atravessa s\u00e9culos de reflex\u00e3o pol\u00edtica e filos\u00f3fica, encontra eco at\u00e9 mesmo na ci\u00eancia, na formula\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da Terceira Lei de Newton: a toda a\u00e7\u00e3o corresponde uma rea\u00e7\u00e3o de mesma intensidade. Aplicada \u00e0 din\u00e2mica das sociedades, essa ideia ajuda a compreender momentos de inflex\u00e3o como o que parece se desenhar no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, consolidou-se um modelo de globaliza\u00e7\u00e3o que buscava reduzir fronteiras econ\u00f4micas, integrar culturas e promover fluxos intensos de pessoas, capitais e ideias. Esse movimento foi, em muitos aspectos, respons\u00e1vel por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, expans\u00e3o do com\u00e9rcio e aumento da interdepend\u00eancia entre as na\u00e7\u00f5es. No entanto, como ocorre em todo processo hist\u00f3rico de grande escala, os efeitos n\u00e3o foram homog\u00eaneos nem isentos de tens\u00f5es.<\/p>\n<p>Em diversas regi\u00f5es do mundo ocidental, parte significativa da popula\u00e7\u00e3o passou a perceber esse modelo n\u00e3o como progresso compartilhado, mas como uma transforma\u00e7\u00e3o acelerada que afetava identidades culturais, estruturas econ\u00f4micas e formas tradicionais de vida. Surge, ent\u00e3o, o que muitos analistas descrevem como um movimento de rea\u00e7\u00e3o. N\u00e3o necessariamente organizado ou uniforme, mas percept\u00edvel em diferentes pa\u00edses e contextos. Trata-se de uma resposta social e pol\u00edtica a mudan\u00e7as consideradas excessivas ou desconectadas das expectativas de parcelas relevantes da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Europa, por exemplo, o crescimento de partidos e movimentos cr\u00edticos \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0s pol\u00edticas migrat\u00f3rias amplas e \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es em organismos supranacionais revela uma mudan\u00e7a no humor pol\u00edtico. Nos Estados Unidos, fen\u00f4menos eleitorais recentes tamb\u00e9m indicam uma reconfigura\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico, com maior \u00eanfase em soberania nacional, controle de fronteiras e revis\u00e3o de acordos econ\u00f4micos. Esse movimento n\u00e3o pode ser compreendido apenas como uma rejei\u00e7\u00e3o simplista ao novo. Em muitos casos, ele expressa preocupa\u00e7\u00f5es concretas com emprego, seguran\u00e7a, identidade cultural e coes\u00e3o social. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m carrega riscos, especialmente quando se traduz em polariza\u00e7\u00e3o extrema ou em solu\u00e7\u00f5es simplificadas para problemas complexos.<\/p>\n<p>No Brasil, sinais desse p\u00eandulo hist\u00f3rico tamb\u00e9m se manifestam. O pa\u00eds, que por d\u00e9cadas oscilou entre diferentes projetos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, experimenta hoje um ambiente de forte polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Parte da sociedade demonstra resist\u00eancia a agendas percebidas como impostas de cima para baixo, enquanto outra parcela defende a continuidade de transforma\u00e7\u00f5es sociais e institucionais iniciadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Esse embate revela algo mais profundo do que simples diverg\u00eancia pol\u00edtica. Ele exp\u00f5e uma disputa sobre o pr\u00f3prio sentido do desenvolvimento, da identidade nacional e do papel do Estado. Em outras palavras, trata-se de uma disputa sobre quais valores devem orientar o futuro da sociedade.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche j\u00e1 falava, no final do s\u00e9culo XIX, sobre o avan\u00e7o do niilismo a perda de refer\u00eancias tradicionais de sentido e valor. Para Nietzsche, esse processo poderia levar a uma crise profunda, na qual antigos sistemas de cren\u00e7as deixam de oferecer respostas, sem que novos paradigmas estejam plenamente consolidados. A leitura contempor\u00e2nea desse diagn\u00f3stico sugere que parte das tens\u00f5es atuais pode estar relacionada a esse vazio de refer\u00eancias. Em um mundo onde tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o questionadas, institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o desafiadas e identidades s\u00e3o redefinidas, n\u00e3o surpreende que surjam movimentos de rea\u00e7\u00e3o buscando restaurar algum tipo de estabilidade ou continuidade.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante reconhecer que o p\u00eandulo da hist\u00f3ria n\u00e3o opera de forma mec\u00e2nica ou previs\u00edvel. A rea\u00e7\u00e3o a um determinado movimento n\u00e3o significa necessariamente um retorno simples ao passado. Muitas vezes, o que emerge \u00e9 uma s\u00edntese imperfeita entre elementos antigos e novos, moldada pelas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas de cada \u00e9poca. Nesse sentido, falar em \u201cfim\u201d de um determinado modelo pode ser menos preciso do que reconhecer um processo de transforma\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 em curso n\u00e3o \u00e9 apenas a rejei\u00e7\u00e3o de ideias associadas \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o ou a determinadas correntes pol\u00edticas, mas a tentativa de redefinir os termos do debate em um mundo cada vez mais complexo e interdependente.<\/p>\n<p>O ponto central n\u00e3o est\u00e1 em tomar partido de uma ou outra dire\u00e7\u00e3o do p\u00eandulo, mas em compreender a l\u00f3gica que move esse movimento. Ignorar os sinais de insatisfa\u00e7\u00e3o social pode levar \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es. Por outro lado, respostas precipitadas ou simplificadoras podem agravar problemas que exigem solu\u00e7\u00f5es mais elaboradas. O desafio das sociedades contempor\u00e2neas \u00e9 atravessar esse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o sem comprometer princ\u00edpios fundamentais como liberdade, pluralismo e respeito \u00e0s institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se h\u00e1, de fato, uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o em curso, ela n\u00e3o deve ser entendida apenas como nega\u00e7\u00e3o do que veio antes, mas como parte de um processo maior de ajuste hist\u00f3rico. O p\u00eandulo se move, mas o ponto de equil\u00edbrio ainda est\u00e1 em disputa. E talvez seja justamente a\u00ed que reside a principal li\u00e7\u00e3o desse momento: mais do que celebrar ou temer o movimento do p\u00eandulo, \u00e9 preciso compreender que a estabilidade duradoura n\u00e3o nasce dos extremos, mas da capacidade de construir s\u00ednteses que preservem o que h\u00e1 de essencial enquanto se adaptam \u00e0s exig\u00eancias do tempo presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;A vida do Homem oscila, como um p\u00eandulo, entre a dor e o t\u00e9dio, tais s\u00e3o na realidade os seus dois \u00faltimos elementos&#8221;. <\/em><\/p>\n<p>Schopenhauer<\/p>\n<figure id=\"attachment_14453\" aria-describedby=\"caption-attachment-14453\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14453\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-251x300.jpg 251w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-293x350.jpg 293w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-230x274.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14453\" class=\"wp-caption-text\">Arthur Schopenhauer. Pintura de Jules Luntesch\u00fctz, 1855.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nParece que foi ontem. O jornal ainda era um acampamento, todos n\u00f3s mor\u00e1vamos no local de trabalho, porque ningu\u00e9m tinha apartamento. Amanhec\u00edamos e anoitec\u00edamos juntos. Foi assim que equipe se consolidou. <strong>(Publicada em 16.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Ciclos hist\u00f3ricos raramente se desenvolvem em linha reta. Ao contr\u00e1rio, movem-se como um p\u00eandulo, ora avan\u00e7ando em determinada dire\u00e7\u00e3o, ora reagindo com igual intensidade no sentido oposto. Essa percep\u00e7\u00e3o, que atravessa s\u00e9culos de reflex\u00e3o pol\u00edtica e filos\u00f3fica, encontra eco at\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":27084,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,4169,153,307,114,2340,2517,51],"class_list":["post-27080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-desaceleracaoglobal","tag-economia","tag-globalizacao","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-mundo","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27080"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27087,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27080\/revisions\/27087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}