{"id":27096,"date":"2026-04-01T01:00:22","date_gmt":"2026-04-01T04:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27096"},"modified":"2026-04-01T10:07:24","modified_gmt":"2026-04-01T13:07:24","slug":"uma-decisao-de-consequencias-profundas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/uma-decisao-de-consequencias-profundas\/","title":{"rendered":"Uma decis\u00e3o de consequ\u00eancias profundas"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_21268\" aria-describedby=\"caption-attachment-21268\" style=\"width: 621px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21268\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/Charge-do-CAZO.jpg\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/Charge-do-CAZO.jpg 661w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/Charge-do-CAZO-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/Charge-do-CAZO-550x411.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/Charge-do-CAZO-230x172.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21268\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSer ou n\u00e3o ser\u201d, a c\u00e9lebre d\u00favida de Hamlet, atravessa s\u00e9culos como s\u00edmbolo de um dilema existencial. No cen\u00e1rio contempor\u00e2neo do Brasil, a quest\u00e3o assume contornos distintos, mas n\u00e3o menos dram\u00e1ticos. N\u00e3o se trata aqui de filosofia, mas de seguran\u00e7a p\u00fablica, soberania e defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica: devem organiza\u00e7\u00f5es criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho ser classificadas como grupos terroristas por pot\u00eancias estrangeiras, especialmente pelos Estados Unidos?<\/p>\n<p>O tema, \u00e0 primeira vista t\u00e9cnico, carrega implica\u00e7\u00f5es profundas. A classifica\u00e7\u00e3o de um grupo como organiza\u00e7\u00e3o terrorista n\u00e3o \u00e9 meramente simb\u00f3lica. Ela aciona uma s\u00e9rie de instrumentos jur\u00eddicos, financeiros e militares que ampliam significativamente a capacidade de combate por parte de Estados que adotam essa designa\u00e7\u00e3o. No caso norte-americano, por exemplo, o enquadramento como organiza\u00e7\u00e3o terrorista permite san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mais duras, bloqueio de ativos internacionais e at\u00e9 opera\u00e7\u00f5es extraterritoriais em determinadas circunst\u00e2ncias. Compara\u00e7\u00e3o com grupos como o Hamas ou outras organiza\u00e7\u00f5es classificadas como terroristas revela o peso dessa decis\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de reconhecer a periculosidade dessas fac\u00e7\u00f5es, algo j\u00e1 amplamente documentado, mas de alterar o enquadramento jur\u00eddico internacional sob o qual elas s\u00e3o tratadas.<\/p>\n<p>No Brasil, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho possuem hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o que vai muito al\u00e9m do crime comum. Controle territorial, capacidade de coordena\u00e7\u00e3o nacional e internacional, influ\u00eancia sobre economias ilegais e enfrentamentos diretos com o Estado demonstram um n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o que desafia as classifica\u00e7\u00f5es tradicionais de criminalidade. Em diversas ocasi\u00f5es, essas fac\u00e7\u00f5es foram capazes de paralisar cidades, coordenar ataques simult\u00e2neos e impor regras pr\u00f3prias em \u00e1reas sob sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica indicam que o crime organizado no pa\u00eds movimenta bilh\u00f5es de reais anualmente, com atua\u00e7\u00e3o que se estende ao tr\u00e1fico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Essa dimens\u00e3o econ\u00f4mica e operacional aproxima essas organiza\u00e7\u00f5es de estruturas que, em outros contextos, j\u00e1 foram classificadas como terroristas. Entretanto, a decis\u00e3o de enquadr\u00e1-las formalmente como tais n\u00e3o \u00e9 simples nem isenta de controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p>Do ponto de vista jur\u00eddico, o terrorismo costuma ser definido n\u00e3o apenas pela viol\u00eancia, mas pelo objetivo pol\u00edtico de intimidar popula\u00e7\u00f5es ou governos. Nesse aspecto, especialistas divergem sobre se fac\u00e7\u00f5es brasileiras, cuja motiva\u00e7\u00e3o principal \u00e9 econ\u00f4mica, se enquadrariam plenamente nessa categoria. Por outro lado, a linha que separa crime organizado de terrorismo torna-se cada vez mais t\u00eanue em um mundo onde organiza\u00e7\u00f5es criminosas assumem fun\u00e7\u00f5es de controle territorial, exercem poder paralelo e, em alguns casos, influenciam estruturas pol\u00edticas. Em determinadas regi\u00f5es, a presen\u00e7a dessas fac\u00e7\u00f5es altera diretamente a vida cotidiana da popula\u00e7\u00e3o, impondo regras, restringindo liberdades e desafiando a autoridade estatal.<\/p>\n<p>Do ponto de vista estrat\u00e9gico, a eventual classifica\u00e7\u00e3o por parte dos Estados Unidos teria efeitos imediatos. Institui\u00e7\u00f5es financeiras globais passariam a adotar medidas mais rigorosas contra fluxos de recursos associados a essas organiza\u00e7\u00f5es. Empresas e indiv\u00edduos ligados direta ou indiretamente poderiam ser alvo de san\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, abrir-se-ia espa\u00e7o para coopera\u00e7\u00e3o internacional mais intensa no combate a essas redes. No entanto, esse movimento tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es delicadas sobre soberania. A atua\u00e7\u00e3o direta de uma pot\u00eancia estrangeira em quest\u00f5es de seguran\u00e7a interna brasileira, ainda que sob o argumento de combate ao crime organizado, pode gerar tens\u00f5es diplom\u00e1ticas e pol\u00edticas. Pa\u00edses tradicionalmente defendem o controle exclusivo sobre seus assuntos internos, especialmente em temas sens\u00edveis como seguran\u00e7a e justi\u00e7a. Percep\u00e7\u00e3o popular, contudo, parece caminhar em outra dire\u00e7\u00e3o. Diante do avan\u00e7o da viol\u00eancia e da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o tende a apoiar medidas mais duras, inclusive aquelas que envolvam coopera\u00e7\u00e3o internacional ampliada.<\/p>\n<p>Esse apoio reflete, em grande medida, a frustra\u00e7\u00e3o com a capacidade do Estado de conter o crescimento e a sofistica\u00e7\u00e3o do crime organizado. Nesse contexto, surge um contraste evidente entre expectativa social e a\u00e7\u00e3o institucional. Enquanto cidad\u00e3os demandam respostas mais efetivas, pol\u00edticas p\u00fablicas frequentemente avan\u00e7am de forma gradual, limitadas por restri\u00e7\u00f5es legais, or\u00e7ament\u00e1rias e pol\u00edticas. Esse descompasso alimenta a percep\u00e7\u00e3o de que o problema cresce mais r\u00e1pido do que as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Especialistas em seguran\u00e7a alertam que o enfrentamento de organiza\u00e7\u00f5es como PCC e Comando Vermelho exige abordagem multifacetada. N\u00e3o se trata apenas de repress\u00e3o policial, mas tamb\u00e9m de intelig\u00eancia financeira, coopera\u00e7\u00e3o internacional, reformas no sistema prisional e pol\u00edticas sociais capazes de reduzir a base de recrutamento dessas fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre o \u201cser\u201d e o \u201cn\u00e3o ser\u201d, a decis\u00e3o carrega implica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m da classifica\u00e7\u00e3o formal. Porque, no fim, mais importante do que o nome atribu\u00eddo a essas organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 a capacidade efetiva de cont\u00ea-las. E essa responsabilidade, em \u00faltima inst\u00e2ncia, continua sendo de quem det\u00e9m o poder e o dever de garantir a seguran\u00e7a e a ordem dentro das pr\u00f3prias fronteiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n\u201cCuida de evitar os crimes, para que n\u00e3o sejas obrigado a puni-los.\u201d<br \/>\nConf\u00facio<\/p>\n<figure id=\"attachment_16264\" aria-describedby=\"caption-attachment-16264\" style=\"width: 506px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-16264\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio.jpg\" alt=\"\" width=\"506\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-300x186.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-350x217.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-550x340.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-230x142.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16264\" class=\"wp-caption-text\">Foto: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nFoi a apresenta\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio bem diferente do relat\u00f3rio apresentado dias antes \u00e0 companhia, e publicado no CORREIO BRAZILIENSE depois de sua demiss\u00e3o. <strong>(Publicada em 16.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u201cSer ou n\u00e3o ser\u201d, a c\u00e9lebre d\u00favida de Hamlet, atravessa s\u00e9culos como s\u00edmbolo de um dilema existencial. 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