{"id":27106,"date":"2026-04-02T01:00:31","date_gmt":"2026-04-02T04:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27106"},"modified":"2026-04-08T09:18:05","modified_gmt":"2026-04-08T12:18:05","slug":"a-europa-hoje-e-o-nosso-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-europa-hoje-e-o-nosso-amanha\/","title":{"rendered":"A Europa hoje \u00e9 o nosso amanh\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26011\" aria-describedby=\"caption-attachment-26011\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26011\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/mul.jpg\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/mul.jpg 497w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/mul-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/mul-298x300.jpg 298w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/mul-230x232.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26011\" class=\"wp-caption-text\">Foto: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 muito mais que uma crise. A Europa passa por um processo acelerado de desgaste cultural, pol\u00edtico e institucional que suas lideran\u00e7as insistem em tratar como fen\u00f4meno passageiro. N\u00e3o o \u00e9. O que est\u00e1 em curso \u00e9 uma mudan\u00e7a estrutural, e a recusa em nome\u00e1-la com clareza pode custar caro ao futuro do continente.<\/p>\n<p>O primeiro sinal dessa transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas ruas das grandes cidades europeias. Paris, Bruxelas, Berlim, Estocolmo, todas enfrentam, em maior ou menor grau, dificuldades concretas de integra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es imigrantes, especialmente oriundas de pa\u00edses de maioria isl\u00e2mica. N\u00e3o se trata de ret\u00f3rica: s\u00e3o bairros segregados, aumento da tens\u00e3o social, epis\u00f3dios recorrentes de viol\u00eancia urbana e uma sensa\u00e7\u00e3o crescente de perda de controle por parte do Estado.<\/p>\n<p>A narrativa oficial insiste em classificar esses problemas como \u201cdesafios de inclus\u00e3o\u201d. Mas essa formula\u00e7\u00e3o suave esconde um fato mais duro: o modelo multicultural europeu falhou em produzir coes\u00e3o. Em vez de integra\u00e7\u00e3o, o que se observa, em muitos casos, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de sociedades paralelas, com c\u00f3digos culturais pr\u00f3prios e, por vezes, em choque com os valores liberais que sustentaram a Europa moderna.<\/p>\n<p>Negar esse conflito n\u00e3o o elimina, apenas o agrava. Isso n\u00e3o significa, como frequentemente se afirma de maneira alarmista, que a Europa esteja prestes a se tornar um \u201ccontinente isl\u00e2mico\u201d. Esse tipo de previs\u00e3o simplifica uma realidade muito mais complexa. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 um erro negar que h\u00e1 uma mudan\u00e7a demogr\u00e1fica e cultural relevante em curso, e que ela vem sendo administrada com hesita\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, com medo de enfrentar o debate de forma franca.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a Uni\u00e3o Europeia demonstra sinais claros de desgaste como projeto pol\u00edtico. A promessa de prosperidade e estabilidade deu lugar a uma estrutura percebida como burocr\u00e1tica, distante e incapaz de responder com rapidez a crises sucessivas, sejam elas econ\u00f4micas, migrat\u00f3rias ou geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>O Brexit n\u00e3o foi um acidente isolado, mas um sintoma vis\u00edvel de um mal-estar mais profundo. A centraliza\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es em Bruxelas, muitas vezes desconectadas das realidades nacionais, alimenta o crescimento de movimentos que questionam n\u00e3o apenas pol\u00edticas espec\u00edficas, mas a pr\u00f3pria ideia de integra\u00e7\u00e3o supranacional.<\/p>\n<p>Um dia ela foi exemplo de coordena\u00e7\u00e3o entre na\u00e7\u00f5es soberanas, hoje, a Europa parece presa entre a necessidade de uni\u00e3o e o impulso de fragmenta\u00e7\u00e3o. Mas, talvez, o aspecto mais sens\u00edvel dessa crise esteja no campo cultural. A Europa contempor\u00e2nea vive uma redefini\u00e7\u00e3o acelerada de valores, fam\u00edlia, identidade, religi\u00e3o, pertencimento. As chamadas pautas identit\u00e1rias ganharam espa\u00e7o e influ\u00eancia, promovendo mudan\u00e7as reais na legisla\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o e no debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para muitos, isso representa avan\u00e7o e amplia\u00e7\u00e3o de direitos. Para outros, uma ruptura brusca com fundamentos hist\u00f3ricos da civiliza\u00e7\u00e3o europeia. O problema n\u00e3o est\u00e1 na exist\u00eancia dessas pautas, mas na forma como o debate tem sido conduzido: frequentemente polarizado, intolerante a diverg\u00eancias e incapaz de construir consensos m\u00ednimos. Em vez de fortalecer o tecido social, o confronto constante tende a fragment\u00e1-lo ainda mais. Quando a isso se soma uma crise de identidade de um continente que j\u00e1 n\u00e3o sabe definir com clareza o que \u00e9, o que defende e quais s\u00e3o seus limites, o resultado \u00e9 previs\u00edvel: inseguran\u00e7a, rea\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ambiente que crescem tanto movimentos nacionalistas quanto formas mais r\u00edgidas de afirma\u00e7\u00e3o cultural dentro de comunidades imigrantes. Um alimenta o outro. E o centro pol\u00edtico, historicamente respons\u00e1vel pelo equil\u00edbrio europeu, perde espa\u00e7o. A Europa, portanto, n\u00e3o est\u00e1 \u201cacabando\u201d. Mas est\u00e1, sim, enfraquecida e, sobretudo, indecisa. E essa hesita\u00e7\u00e3o \u00e9, talvez, seu maior risco.<\/p>\n<p>Para a Am\u00e9rica Latina, o cen\u00e1rio europeu funciona como um aviso \u2014 n\u00e3o como um destino inevit\u00e1vel, mas como um exemplo de como m\u00faltiplas crises podem se sobrepor quando n\u00e3o enfrentadas com clareza. Importar, de forma acr\u00edtica, debates europeus sobre identidade, cultura e organiza\u00e7\u00e3o social pode produzir distor\u00e7\u00f5es profundas em sociedades com trajet\u00f3rias completamente diferentes.<\/p>\n<p>Com os pr\u00f3prios desafios, a Am\u00e9rica Latina ainda traz desigualdade, fragilidade institucional, viol\u00eancia e n\u00e3o pode se dar ao luxo de incorporar conflitos externos sem reflex\u00e3o. Ao mesmo tempo, h\u00e1 li\u00e7\u00f5es importantes: a necessidade de pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o eficazes, a import\u00e2ncia de preservar coes\u00e3o social e o risco de permitir que o debate p\u00fablico seja capturado por extremos. A realidade n\u00e3o \u00e9 morna. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 simples.<\/p>\n<p>Na Europa, n\u00e3o h\u00e1 o enfrentamento a uma \u00fanica amea\u00e7a, nem a um \u00fanico culpado. Enfrenta o ac\u00famulo de decis\u00f5es mal calibradas, omiss\u00f5es prolongadas e uma dificuldade crescente de encarar os pr\u00f3prios dilemas sem recorrer a slogans sejam eles otimistas ou apocal\u00edpticos. O futuro do continente depender\u00e1 menos de narrativas e mais de escolhas concretas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cA Europa precisa encontrar um\u00a0<\/em><em>equil\u00edbrio entre responsabilidade e\u00a0<\/em><em>solidariedade.\u201d<\/em><br \/>\nAngela Merkel<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27109 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA.jpg\" alt=\"\" width=\"502\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA.jpg 1265w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-300x167.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-768x427.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-1024x570.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-800x445.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-550x306.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ANGELA-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Burj Khalifa<\/strong><br \/>\nForam usados 330 mil metros c\u00fabicos de concreto e 100 mil toneladas de a\u00e7o. O pr\u00e9dio mais alto do mundo tem 828 metros de altura e foi constru\u00eddo em seis anos. J\u00e1 em Bras\u00edlia, uma d\u00e9cada \u00e9 necess\u00e1ria para a reforma de um teatro e, at\u00e9 hoje, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atravessar da Asa Norte \u00e0 Asa Sul pelo Eix\u00e3o sem passar por uma obra, que parece eterna.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12258\" aria-describedby=\"caption-attachment-12258\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12258\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0.jpg\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0.jpg 1140w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/teatro_nacional_de_brasilia_0-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12258\" class=\"wp-caption-text\">Teatro Nacional, em Bras\u00edlia. Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO presidente Jo\u00e3o Goulart chegou a Bras\u00edlia depois de muito tempo, mas, pelas boas not\u00edcias que trouxe, compensou a aus\u00eancia, na qual teve mais tempo para meditar sobre o Distrito Federal. <strong>(Publicada em 17\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; \u00c9 muito mais que uma crise. A Europa passa por um processo acelerado de desgaste cultural, pol\u00edtico e institucional que suas lideran\u00e7as insistem em tratar como fen\u00f4meno passageiro. N\u00e3o o \u00e9. 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