{"id":27141,"date":"2026-04-11T01:00:34","date_gmt":"2026-04-11T04:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27141"},"modified":"2026-04-10T18:18:40","modified_gmt":"2026-04-10T21:18:40","slug":"o-titanic-e-o-trajeto-da-soberba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-titanic-e-o-trajeto-da-soberba\/","title":{"rendered":"O Titanic e o trajeto da soberba"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27144\" aria-describedby=\"caption-attachment-27144\" style=\"width: 578px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27144\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan.jpg\" alt=\"\" width=\"578\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan.jpg 935w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan-768x430.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan-800x448.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan-550x308.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/titan-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 578px) 100vw, 578px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27144\" class=\"wp-caption-text\">Titanic prester a zarpar do porto de Southampton, na Inglaterra. \u2022 Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Epopeia do RMS Titanic permanece, mais de um s\u00e9culo depois, como uma das met\u00e1foras mais poderosas sobre o destino de projetos grandiosos conduzidos sob o signo da autoconfian\u00e7a excessiva. Concebido como s\u00edmbolo m\u00e1ximo da engenharia e do progresso de sua \u00e9poca, o navio partiu cercado por expectativas quase m\u00edticas de invulnerabilidade. Poucos dias depois, repousava no fundo do Atl\u00e2ntico, v\u00edtima n\u00e3o apenas de um iceberg, mas de uma cadeia de decis\u00f5es equivocadas, neglig\u00eancia e soberba. A hist\u00f3ria, que poderia ser apenas um epis\u00f3dio tr\u00e1gico do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, revela, na verdade, um padr\u00e3o recorrente que se repete em empresas, governos e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ao longo do tempo. Sempre que decis\u00f5es s\u00e3o tomadas com base em ilus\u00f5es de controle absoluto, desprezo por limites e aus\u00eancia de transpar\u00eancia, o resultado tende a seguir uma rota previs\u00edvel: o colapso.<\/p>\n<p>Marcada por um esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o de poder a constru\u00e7\u00e3o do navio tratava de provar ao mundo a capacidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica de uma era. No entanto, no processo, escolhas cr\u00edticas foram relativizadas. Redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de botes salva-vidas, velocidade elevada em \u00e1rea de risco e confian\u00e7a excessiva nos sistemas de seguran\u00e7a compuseram um cen\u00e1rio em que o desastre deixou de ser uma possibilidade remota para se tornar uma consequ\u00eancia prov\u00e1vel. Transpondo essa l\u00f3gica para o campo institucional, observa-se fen\u00f4meno semelhante.<\/p>\n<p>Projetos p\u00fablicos e privados frequentemente nascem sob promessas grandiosas, discursos otimistas e proje\u00e7\u00f5es ambiciosas. O problema surge quando esses projetos deixam de ser guiados por crit\u00e9rios t\u00e9cnicos, responsabilidade fiscal e \u00e9tica administrativa, passando a ser conduzidos por interesses pol\u00edticos, vaidades pessoais ou expectativas irreais. Nesse contexto, a met\u00e1fora da \u201ccarta n\u00e1utica da \u00e9tica p\u00fablica\u201d ganha relev\u00e2ncia. Assim como uma embarca\u00e7\u00e3o depende de mapas, instrumentos e regras claras de navega\u00e7\u00e3o para evitar perigos, institui\u00e7\u00f5es dependem de princ\u00edpios como transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o de contas e respeito \u00e0s normas para garantir sua sustentabilidade. Quando esses par\u00e2metros s\u00e3o ignorados, a navega\u00e7\u00e3o torna-se err\u00e1tica.<\/p>\n<p>Max Weber, ao tratar da \u00e9tica da responsabilidade, alertava que o exerc\u00edcio do poder exige consci\u00eancia das consequ\u00eancias dos atos. Para Weber, governar n\u00e3o \u00e9 apenas decidir, mas assumir os riscos e impactos dessas decis\u00f5es. Quando essa responsabilidade \u00e9 substitu\u00edda por voluntarismo ou improviso, o resultado tende a ser instabilidade. No ambiente empresarial, casos de colapsos corporativos ao redor do mundo mostram como estrat\u00e9gias baseadas em crescimento acelerado sem fundamentos s\u00f3lidos podem levar \u00e0 ru\u00edna. Empresas que ignoram riscos, mascaram informa\u00e7\u00f5es ou operam com estruturas fr\u00e1geis podem, por um tempo, sustentar a apar\u00eancia de sucesso. Mas, assim como no Titanic, basta um evento cr\u00edtico para expor fragilidades acumuladas.<\/p>\n<p>No setor p\u00fablico, os efeitos s\u00e3o ainda mais amplos. Decis\u00f5es mal fundamentadas n\u00e3o afetam apenas acionistas ou investidores, mas toda a sociedade. Obras superfaturadas, pol\u00edticas p\u00fablicas mal planejadas e gest\u00e3o ineficiente de recursos geram impactos que se estendem por anos, comprometendo desenvolvimento econ\u00f4mico e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Outro elemento presente na trag\u00e9dia do Titanic foi a comunica\u00e7\u00e3o falha. Alertas sobre icebergs foram recebidos, mas n\u00e3o devidamente considerados. A cren\u00e7a na invulnerabilidade do navio reduziu a percep\u00e7\u00e3o de risco. Em institui\u00e7\u00f5es, fen\u00f4meno semelhante ocorre quando cr\u00edticas s\u00e3o ignoradas, \u00f3rg\u00e3os de controle s\u00e3o enfraquecidos ou informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o deliberadamente omitidas. A aus\u00eancia de mecanismos eficazes de controle e transpar\u00eancia cria um ambiente prop\u00edcio para decis\u00f5es desconectadas da realidade. Sem feedback adequado, l\u00edderes podem acreditar que suas escolhas s\u00e3o infal\u00edveis, refor\u00e7ando um ciclo de autoconfian\u00e7a que se afasta progressivamente dos fatos.<\/p>\n<p>Editorialmente, a li\u00e7\u00e3o que emerge dessa analogia \u00e9 clara. N\u00e3o s\u00e3o apenas icebergs que afundam grandes projetos, mas a combina\u00e7\u00e3o de arrog\u00e2ncia, falta de planejamento e desprezo por limites. A \u00e9tica p\u00fablica, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 um adorno moral, mas um instrumento de sobreviv\u00eancia institucional. Respeitar normas, ouvir alertas, planejar com base em dados e manter transpar\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos ao progresso, mas condi\u00e7\u00f5es para que ele seja sustent\u00e1vel. Ignorar esses princ\u00edpios pode at\u00e9 gerar resultados imediatos, mas tende a produzir crises no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Titanic n\u00e3o \u00e9 apenas um relato do passado. Ela continua a se repetir, em diferentes escalas e contextos, sempre que institui\u00e7\u00f5es acreditam estar acima das regras que deveriam segui-las. E, como no oceano, os sinais de perigo raramente desaparecem, eles apenas aguardam o momento em que ser\u00e3o finalmente percebidos. No fim, toda travessia exige prud\u00eancia. Porque, diante da for\u00e7a dos fatos, nenhuma constru\u00e7\u00e3o, por mais grandiosa que pare\u00e7a, est\u00e1 imune \u00e0s consequ\u00eancias de escolhas mal orientadas. E quando a rota ignora a carta da \u00e9tica, o destino dificilmente ser\u00e1 outro que n\u00e3o o naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;Desde o dia em que foi projetado, ele estava praticamente condenado&#8230; isso [o uso de rebites de ferro] foi quase o calcanhar de Aquiles do Titanic.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Paul Louden-Brown, Arquivista da White Star Line<\/p>\n<figure id=\"attachment_27147\" aria-describedby=\"caption-attachment-27147\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27147\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/his.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/his.jpg 637w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/his-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/his-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/his-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27147\" class=\"wp-caption-text\">Paul Louden-Brown. Foto de John McVitty.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nEsta \u00e9, particularmente, uma not\u00edcia de grande repercuss\u00e3o para os pais, que estavam enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o de desespero vendo o exemplo que os profess\u00f4res estavam dando a seus filhos. <strong>(Publicada em 17. 05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; A Epopeia do RMS Titanic permanece, mais de um s\u00e9culo depois, como uma das met\u00e1foras mais poderosas sobre o destino de projetos grandiosos conduzidos sob o signo da autoconfian\u00e7a excessiva. 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