{"id":27186,"date":"2026-04-18T01:00:01","date_gmt":"2026-04-18T04:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27186"},"modified":"2026-04-24T15:45:38","modified_gmt":"2026-04-24T18:45:38","slug":"o-risco-civilizacional-de-uma-diversidade-sem-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-risco-civilizacional-de-uma-diversidade-sem-limites\/","title":{"rendered":"O risco civilizacional de uma diversidade sem limites"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27190\" aria-describedby=\"caption-attachment-27190\" style=\"width: 651px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27190\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada.jpg\" alt=\"\" width=\"651\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada.jpg 954w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada-800x447.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ramada-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27190\" class=\"wp-caption-text\">Mu\u00e7ulmanos celebrando o fim do Ramad\u00e3 em N\u00e1poles, na It\u00e1lia, em 2024 (Foto: EFE\/EPA\/CIRO FUSCO)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Avan\u00e7a pela Europa um processo que j\u00e1 n\u00e3o pode mais ser tratado como mera transforma\u00e7\u00e3o cultural ou adapta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. O que se observa, em diversas cidades e pa\u00edses, \u00e9 um tensionamento crescente entre identidade, seguran\u00e7a e coes\u00e3o social, elementos que, ao longo de s\u00e9culos, sustentaram aquilo que se convencionou chamar de civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Sob o r\u00f3tulo de multiculturalismo, consolidou-se uma pol\u00edtica que, em nome da inclus\u00e3o, passou a relativizar valores fundamentais. A ideia de que todas as culturas podem coexistir harmonicamente, independentemente de seus princ\u00edpios, revelou-se, na pr\u00e1tica, um experimento de alto risco. Quando normas, costumes e vis\u00f5es de mundo entram em conflito direto, n\u00e3o \u00e9 a conviv\u00eancia que prevalece, mas a fragmenta\u00e7\u00e3o. O fil\u00f3sofo Zygmunt Bauman, ao tratar da modernidade, j\u00e1 apontava para a ambival\u00eancia da diversidade administrada. Ao tentar organizar e encaixar diferen\u00e7as dentro de um sistema, cria-se um paradoxo: quanto mais categorias s\u00e3o criadas para incluir, mais exclus\u00f5es emergem. A diversidade deixa de ser espont\u00e2nea e passa a ser dirigida e, nesse processo, transforma-se em instrumento de controle e n\u00e3o de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>No caso europeu, essa engenharia social tem produzido efeitos vis\u00edveis. O crescimento de \u00e1reas urbanas onde o Estado perde presen\u00e7a, aumento de tens\u00f5es culturais e dificuldades de integra\u00e7\u00e3o s\u00e3o temas recorrentes em relat\u00f3rios e coberturas da imprensa internacional. Pa\u00edses que historicamente constru\u00edram suas institui\u00e7\u00f5es sobre bases culturais espec\u00edficas enfrentam agora o desafio de manter coes\u00e3o em meio a valores frequentemente incompat\u00edveis. A quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 rejeitar a diversidade em si, mas reconhecer seus limites. Nenhuma sociedade consegue sustentar-se sem um n\u00facleo m\u00ednimo de valores compartilhados. Quando esse n\u00facleo \u00e9 dilu\u00eddo ou relativizado, o resultado n\u00e3o \u00e9 pluralismo, mas desagrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es greco-romana, crist\u00e3 e judaica n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio nost\u00e1lgico, mas o reconhecimento de fundamentos hist\u00f3ricos que moldaram conceitos como Estado de Direito, liberdade individual e organiza\u00e7\u00e3o institucional. Ignorar esse legado em nome de um universalismo abstrato pode significar abrir m\u00e3o das pr\u00f3prias bases que sustentam essas sociedades. Cr\u00edticas ao modelo multicultural s\u00e3o frequentemente rotuladas e desqualificadas, o que reduz o espa\u00e7o para discuss\u00f5es leg\u00edtimas. Esse ambiente dificulta a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es equilibradas e alimenta polariza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a cresce. Em diversas regi\u00f5es, cidad\u00e3os relatam mudan\u00e7as no cotidiano, aumento de conflitos e sensa\u00e7\u00e3o de perda de controle sobre o espa\u00e7o p\u00fablico. Ainda que esses fen\u00f4menos variem de pa\u00eds para pa\u00eds, eles n\u00e3o podem ser simplesmente descartados como percep\u00e7\u00f5es infundadas. A ideia de um poss\u00edvel cen\u00e1rio dist\u00f3pico emerge justamente dessa combina\u00e7\u00e3o de fatores: fragmenta\u00e7\u00e3o cultural, enfraquecimento de refer\u00eancias comuns e incapacidade de resposta institucional. N\u00e3o se trata de afirmar que esse futuro \u00e9 inevit\u00e1vel, mas de reconhecer que determinados caminhos podem conduzir a ele. Importa destacar que a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de globaliza\u00e7\u00e3o, ao integrar economias e culturas, trouxe benef\u00edcios ineg\u00e1veis. No entanto, quando aplicada de forma descolada das realidades locais, pode gerar efeitos colaterais significativos.<\/p>\n<p>Uniformizar sociedades distintas sob um mesmo modelo \u00e9 uma tentativa que tende a encontrar resist\u00eancia e, em alguns casos, produzir instabilidade. Diversidade n\u00e3o pode significar aus\u00eancia de crit\u00e9rios. Inclus\u00e3o n\u00e3o pode implicar relativiza\u00e7\u00e3o de valores fundamentais. E pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o podem ignorar os limites impostos pela realidade social. O desafio do Ocidente, neste momento, \u00e9 preservar aquilo que lhe deu coes\u00e3o ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que enfrenta mudan\u00e7as inevit\u00e1veis. Isso exige clareza de princ\u00edpios, firmeza institucional e disposi\u00e7\u00e3o para reconhecer erros de percurso.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um risco de distopia, ele n\u00e3o reside na diversidade em si, mas na incapacidade de estabelecer limites e diretrizes claras para sua integra\u00e7\u00e3o. Sociedades que abrem m\u00e3o de suas refer\u00eancias sem construir alternativas s\u00f3lidas tendem a enfrentar per\u00edodos de instabilidade. O futuro ainda est\u00e1 em aberto. Mas ignorar os sinais de tens\u00e3o em nome de um ideal abstrato pode ser t\u00e3o problem\u00e1tico quanto reagir de forma desmedida. Entre esses extremos, h\u00e1 um caminho mais dif\u00edcil, por\u00e9m necess\u00e1rio: o de encarar a realidade com lucidez e responsabilidade. Porque, no fim, nenhuma civiliza\u00e7\u00e3o se sustenta apenas por boas inten\u00e7\u00f5es. Ela depende, sobretudo, da capacidade de preservar seus fundamentos enquanto enfrenta os desafios do tempo presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cO Mundo n\u00e3o prometeu nada a ningu\u00e9m.\u201d<\/em><br \/>\nProv\u00e9rbio \u00e1rabe<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Insensibilidade<\/strong><br \/>\nUma lojinha pequena, discreta, que ocupa o mesmo lugar a mais de 50 anos. A referencia era uma palmeira imperial. De repente, a \u00e1rvore n\u00e3o estava mais l\u00e1. \u201cO GDF veio, cortou. Disse que j\u00e1 deu o que tinha que d\u00e1.\u201d Essa gente que nada tem a ver com a cidade destr\u00f3i detalhe por detalhe sem respeitar a hist\u00f3ria da capital. Lastim\u00e1vel!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nEsta \u00e9, particularmente, uma not\u00edcia de grande repercuss\u00e3o para os pais, que estavam enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o de desespero vendo o exemplo que os profess\u00f4res estavam dando a seus filhos. <strong>(Publicada em 17. 05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Avan\u00e7a pela Europa um processo que j\u00e1 n\u00e3o pode mais ser tratado como mera transforma\u00e7\u00e3o cultural ou adapta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. 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