{"id":27199,"date":"2026-04-22T01:00:47","date_gmt":"2026-04-22T04:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27199"},"modified":"2026-04-24T17:53:56","modified_gmt":"2026-04-24T20:53:56","slug":"querida-encolhi-os-produtos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/querida-encolhi-os-produtos\/","title":{"rendered":"Querida, encolhi os produtos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27203\" aria-describedby=\"caption-attachment-27203\" style=\"width: 571px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27203\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento.jpg\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento.jpg 1040w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-300x208.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-768x533.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-1024x711.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-800x555.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-550x382.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/encolhimento-230x160.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27203\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustra\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica da MarketWatch \/ iStockphoto<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 fen\u00f4menos econ\u00f4micos que n\u00e3o precisam de gr\u00e1ficos sofisticados para que sejam percebidos. Basta uma ida ao supermercado, uma visita \u00e0 padaria da quadra ou mesmo \u00e0 pequena birosca da rua. \u00c9 ali, longe das planilhas oficiais e dos discursos cuidadosamente calibrados, que a realidade econ\u00f4mica se revela com maior nitidez e, por vezes, com maior crueza. Entre esses fen\u00f4menos, um tem ganhado destaque silencioso: a redu\u00e7\u00e3o do tamanho dos produtos, pr\u00e1tica conhecida internacionalmente como shrinkflation, ou, em bom portugu\u00eas, \u201cencolhimento inflacion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, trata-se de um detalhe quase banal: um pacote de biscoito com algumas unidades a menos, um litro de leite que vira 900 ml, um chocolate que perde alguns gramas. Nada que, isoladamente, pare\u00e7a significativo. No entanto, quando essa pr\u00e1tica se torna generalizada, ela passa a representar algo maior , um sintoma de press\u00f5es econ\u00f4micas que n\u00e3o aparecem com a mesma clareza nos indicadores oficiais.<\/p>\n<p>Os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, como o IPCA no Brasil, s\u00e3o constru\u00eddos com base em cestas de produtos e metodologias estat\u00edsticas reconhecidas. N\u00e3o se trata, portanto, de instrumentos arbitr\u00e1rios ou necessariamente manipulados a cada divulga\u00e7\u00e3o. Contudo, como toda m\u00e9trica, eles t\u00eam limita\u00e7\u00f5es. E uma dessas limita\u00e7\u00f5es est\u00e1 justamente na dificuldade de capturar mudan\u00e7as qualitativas como a redu\u00e7\u00e3o de quantidade sem uma imediata varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o nominal. Em outras palavras: se o pre\u00e7o de um produto permanece o mesmo, mas sua quantidade diminui, o consumidor paga mais por menos, ainda que isso nem sempre se reflita integralmente nos \u00edndices no curto prazo.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o difusa, por\u00e9m persistente, de que \u201ctudo est\u00e1 mais caro\u201d, mesmo quando os n\u00fameros oficiais sugerem uma infla\u00e7\u00e3o sob controle.<br \/>\nEssa discrep\u00e2ncia entre percep\u00e7\u00e3o e estat\u00edstica n\u00e3o deve ser descartada como mera impress\u00e3o subjetiva. Ao contr\u00e1rio, ela revela uma tens\u00e3o importante entre a economia medida e a economia vivida. E \u00e9 justamente nessa fissura que se instala a desconfian\u00e7a n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os, mas tamb\u00e9m \u00e0s institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por medi-los.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de afirmar, de forma leviana, que h\u00e1 uma \u201cmaquiagem\u201d deliberada e sistem\u00e1tica dos dados por parte do governo. Os institutos de estat\u00edstica operam com metodologias t\u00e9cnicas, audit\u00e1veis e, em geral, alinhadas a padr\u00f5es internacionais. Ainda assim, governos t\u00eam incentivos pol\u00edticos claros para destacar os aspectos positivos dos indicadores e minimizar aqueles que possam gerar desgaste. A comunica\u00e7\u00e3o dos dados, portanto, nem sempre reflete toda a complexidade da realidade econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um fator estrutural que contribui para o fen\u00f4meno do encolhimento: o comportamento das empresas diante de custos crescentes.<\/p>\n<p>Quando mat\u00e9rias-primas, energia, log\u00edstica e m\u00e3o de obra encarecem, os produtores enfrentam um dilema cl\u00e1ssico: aumentar pre\u00e7os correndo o risco de perder consumidores ou reduzir custos. A diminui\u00e7\u00e3o do tamanho dos produtos surge, ent\u00e3o, como uma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, menos vis\u00edvel e, muitas vezes, mais aceit\u00e1vel do ponto de vista comercial. Do ponto de vista empresarial, trata-se de uma estrat\u00e9gia racional. Do ponto de vista do consumidor, por\u00e9m, o efeito \u00e9 semelhante ao de um aumento de pre\u00e7os com a agravante de ser menos transparente. A embalagem, muitas vezes praticamente id\u00eantica \u00e0 anterior, sugere continuidade, enquanto o conte\u00fado revela a mudan\u00e7a. \u00c9 uma esp\u00e9cie de infla\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada, que exige aten\u00e7\u00e3o redobrada para ser percebida. Com o tempo, esse processo pode alterar profundamente a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre consumidores, empresas e governo.<\/p>\n<p>Sal\u00e1rios que n\u00e3o acompanham o ritmo dos pre\u00e7os, aumento do endividamento, maior seletividade no consumo todos esses fatores convergem para um cen\u00e1rio em que cada centavo precisa ser melhor administrado. E, nesse contexto, o encolhimento dos produtos funciona como um lembrete constante de que algo n\u00e3o est\u00e1 funcionando como deveria. O desafio, portanto, \u00e9 duplo. De um lado, \u00e9 preciso aprimorar as m\u00e9tricas e a comunica\u00e7\u00e3o dos indicadores econ\u00f4micos, de modo a refletir com maior fidelidade a experi\u00eancia real da popula\u00e7\u00e3o. Isso inclui considerar com mais aten\u00e7\u00e3o fen\u00f4menos como a redu\u00e7\u00e3o de quantidade e mudan\u00e7as na qualidade dos produtos. De outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar as causas estruturais da infla\u00e7\u00e3o, garantindo estabilidade de pre\u00e7os sem recorrer a solu\u00e7\u00f5es artificiais ou narrativas excessivamente otimistas.<\/p>\n<p>Transpar\u00eancia \u00e9 palavra-chave nesse processo. Consumidores t\u00eam o direito de saber exatamente o que est\u00e3o comprando em quantidade, qualidade e pre\u00e7o. Empresas, por sua vez, devem ser claras em suas pr\u00e1ticas, evitando estrat\u00e9gias que possam ser interpretadas como enganosas. E o governo precisa comunicar a realidade econ\u00f4mica com honestidade, reconhecendo avan\u00e7os, mas tamb\u00e9m limita\u00e7\u00f5es. No fim das contas, a economia n\u00e3o se resume a \u00edndices. Ela se manifesta na mesa do caf\u00e9 da manh\u00e3, no carrinho de supermercado, na conta do m\u00eas. Quando esses espa\u00e7os come\u00e7am a contar uma hist\u00f3ria diferente daquela apresentada nos relat\u00f3rios oficiais, \u00e9 sinal de que h\u00e1 um descompasso a ser corrigido.<\/p>\n<p>Se nada for feito, corre-se o risco de avan\u00e7ar para um cen\u00e1rio em que a percep\u00e7\u00e3o de perda se torne dominante e, com ela, a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 diminuindo: os produtos, o poder de compra e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a confian\u00e7a no futuro. E essa, mais do que qualquer \u00edndice, \u00e9 a medida mais sens\u00edvel e mais dif\u00edcil de recuperar de uma economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cReviva o boicote!\u201d<\/em><br \/>\nLeda Assump\u00e7\u00e3o, contra pre\u00e7os abusivos<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Worst Examples Of &quot;Shrinkflation&quot;\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ulMDQxASbJ4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nA fiscaliza\u00e7\u00e3o da Prefeitura foi informada das irregularidades de inumeros taxis de Bras\u00edlia e solicitou uma &#8220;batida&#8221; do Servi\u00e7o de Tr\u00e2nsito. Os resultados foram os mais desanimadores: mais de sessenta carros de pra\u00e7a estavam com taximetros viciados e foram recolhidos ao dep\u00f3sito. <strong>(Publicada em 17. 05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 fen\u00f4menos econ\u00f4micos que n\u00e3o precisam de gr\u00e1ficos sofisticados para que sejam percebidos. 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