{"id":27217,"date":"2026-04-25T01:00:21","date_gmt":"2026-04-25T04:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27217"},"modified":"2026-04-24T19:08:16","modified_gmt":"2026-04-24T22:08:16","slug":"saude-publica-no-df-e-o-retrato-de-um-amanha-sombrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/saude-publica-no-df-e-o-retrato-de-um-amanha-sombrio\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade p\u00fablica no DF e o retrato de um amanh\u00e3 sombrio"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27219\" aria-describedby=\"caption-attachment-27219\" style=\"width: 587px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27219\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/sa\u00fade.jpg\" alt=\"\" width=\"587\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/sa\u00fade.jpg 668w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/sa\u00fade-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/sa\u00fade-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/sa\u00fade-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27219\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Marcelo Ferreira\/CB\/D.A Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Crise da sa\u00fade p\u00fablica no Distrito Federal deixou de ser percep\u00e7\u00e3o isolada para se tornar um diagn\u00f3stico amplamente documentado por pesquisas, \u00f3rg\u00e3os de controle e pela pr\u00f3pria experi\u00eancia cotidiana da popula\u00e7\u00e3o. O que se v\u00ea hoje n\u00e3o \u00e9 um problema pontual ou conjuntural, mas um colapso progressivo de gest\u00e3o, planejamento e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em um dos setores mais sens\u00edveis do Estado.<\/p>\n<p>Levantamentos recentes mostram que a sa\u00fade \u00e9, de longe, a \u00e1rea mais mal avaliada pela popula\u00e7\u00e3o do DF. Pesquisa do ObservaDF indica n\u00edveis persistentes de insatisfa\u00e7\u00e3o, com cr\u00edticas concentradas na m\u00e1 qualidade do atendimento, longas filas e escassez de m\u00e9dicos. Os n\u00fameros ajudam a dimensionar o problema. Estima-se que a fila por consultas, exames e procedimentos ultrapasse a marca de 100 mil demandas reprimidas. Em paralelo, h\u00e1 registros de espera que chegam a meses ou at\u00e9 anos para atendimentos especializados, o que, na pr\u00e1tica, significa agravamento de doen\u00e7as, perda de qualidade de vida e, em muitos casos, risco real \u00e0 vida dos pacientes.<\/p>\n<p>Esse quadro n\u00e3o surge do nada. Ele \u00e9 resultado direto de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores estruturais: falhas de planejamento, gest\u00e3o ineficiente de recursos, d\u00e9ficit de profissionais e problemas log\u00edsticos. Relat\u00f3rios e a\u00e7\u00f5es recentes do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal apontam, por exemplo, falta de equipamentos, car\u00eancia de pessoal e falhas operacionais como entraves concretos ao funcionamento da rede.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que deveria funcionar como base do sistema de sa\u00fade, tamb\u00e9m apresenta fragilidades. Embora unidades b\u00e1sicas sejam amplamente utilizadas, a dificuldade de acesso a consultas e a baixa cobertura de acompanhamento preventivo revelam um modelo que n\u00e3o consegue atuar de forma eficaz na preven\u00e7\u00e3o o que acaba sobrecarregando hospitais e emerg\u00eancias.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente nas emerg\u00eancias que o colapso se torna mais vis\u00edvel. Filas extensas, tempo de espera elevado e sobrecarga de profissionais comp\u00f5em um cen\u00e1rio que j\u00e1 foi descrito como alarmante por entidades da \u00e1rea. Hospitais operam no limite, enquanto pacientes enfrentam jornadas exaustivas em busca de atendimento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Outro aspecto que agrava a crise \u00e9 a gest\u00e3o dos recursos. Apesar de or\u00e7amentos bilion\u00e1rios destinados \u00e0 sa\u00fade, h\u00e1 relatos recorrentes de inefici\u00eancia na execu\u00e7\u00e3o, incluindo devolu\u00e7\u00e3o de verbas federais por incapacidade de planejamento e aplica\u00e7\u00e3o. Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o revela um paradoxo t\u00edpico de sistemas mal geridos: faltam servi\u00e7os, mas sobram recursos mal utilizados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, decis\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias recentes indicam compress\u00e3o de investimentos na \u00e1rea, com cortes significativos que impactam diretamente a capacidade de atendimento. Em um cen\u00e1rio j\u00e1 fragilizado, a redu\u00e7\u00e3o de recursos tende a aprofundar ainda mais os gargalos existentes. Quando cidad\u00e3os deixam de acreditar na capacidade do Estado de oferecer atendimento digno, abre-se espa\u00e7o para solu\u00e7\u00f5es improvisadas, judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e aumento da desigualdade no acesso aos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um elemento mais grave, frequentemente apontado no debate p\u00fablico: o risco de que estruturas fr\u00e1geis se tornem suscet\u00edveis a pr\u00e1ticas irregulares. Sistemas com baixa transpar\u00eancia, como j\u00e1 apontado em outras ocasi\u00f5es nesse espa\u00e7o, falhas de controle e grande volume de recursos s\u00e3o, historicamente, mais vulner\u00e1veis a desvios e corrup\u00e7\u00e3o. A sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o admite improviso, nem pode ser gerida sob l\u00f3gica de curto prazo.<\/p>\n<p>Responsabilidade pol\u00edtica, nesse contexto, \u00e9 inevit\u00e1vel. Gestores atuais e passados respondem, em maior ou menor grau, pelas decis\u00f5es que moldaram o sistema. No entanto, mais importante do que a atribui\u00e7\u00e3o de culpas \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es efetivas. Essas solu\u00e7\u00f5es passam, necessariamente, por alguns pilares j\u00e1 conhecidos: planejamento estrat\u00e9gico, fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, gest\u00e3o eficiente de recursos, valoriza\u00e7\u00e3o de profissionais e implementa\u00e7\u00e3o de mecanismos rigorosos de controle e transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Sem isso, qualquer tentativa de reforma ser\u00e1 superficial. O problema n\u00e3o \u00e9 a falta de diagn\u00f3stico ele est\u00e1 amplamente dispon\u00edvel. O problema \u00e9 a incapacidade de transformar diagn\u00f3stico em a\u00e7\u00e3o consistente. O Distrito Federal, por sua import\u00e2ncia institucional e capacidade or\u00e7ament\u00e1ria, deveria ser refer\u00eancia nacional em sa\u00fade p\u00fablica. O fato de ocupar hoje posi\u00e7\u00e3o de destaque negativo revela o tamanho do desafio. Se nada for feito de forma estrutural, o cen\u00e1rio tende a se agravar. Mais do que uma crise administrativa, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a dignidade de uma popula\u00e7\u00e3o que depende do sistema para viver. E esse \u00e9 um ponto que n\u00e3o admite relativiza\u00e7\u00f5es: quando a sa\u00fade falha, falha o pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cO SUS sofre mais de problemas de gest\u00e3o do que de concep\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\nDrauzio Varella<\/p>\n<figure id=\"attachment_14365\" aria-describedby=\"caption-attachment-14365\" style=\"width: 472px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14365\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio.jpg\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio.jpg 627w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio-350x196.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio-550x308.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/Drauzio-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14365\" class=\"wp-caption-text\">Foto: istoe.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 marcado para amanh\u00e3, o julgamento mais sensacional do Tribunal do Juri de Bras\u00edlia. Ser\u00e1 julgado o delegado Jo\u00e3o Pelles. <strong>(Publicada em 17. 05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Crise da sa\u00fade p\u00fablica no Distrito Federal deixou de ser percep\u00e7\u00e3o isolada para se tornar um diagn\u00f3stico amplamente documentado por pesquisas, \u00f3rg\u00e3os de controle e pela pr\u00f3pria experi\u00eancia cotidiana da popula\u00e7\u00e3o. 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