{"id":27228,"date":"2026-04-29T01:00:42","date_gmt":"2026-04-29T04:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27228"},"modified":"2026-04-27T09:26:33","modified_gmt":"2026-04-27T12:26:33","slug":"reducao-da-jornada-promessa-atraente-riscos-ignorados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/reducao-da-jornada-promessa-atraente-riscos-ignorados\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o da jornada: promessa atraente, riscos ignorados"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26967\" aria-describedby=\"caption-attachment-26967\" style=\"width: 633px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26967\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala.jpg\" alt=\"\" width=\"633\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala.jpg 633w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-300x166.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-550x304.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/escala-230x127.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26967\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Herm\u00ednio Bernardo\/TV Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Propostas de mudan\u00e7a na jornada de trabalho, como o fim da escala 6&#215;1, costumam surgir em momentos politicamente sens\u00edveis. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender a raz\u00e3o. A ideia de trabalhar menos dias e ter mais tempo livre dialoga diretamente com aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas da popula\u00e7\u00e3o. O problema come\u00e7a quando medidas dessa natureza s\u00e3o apresentadas sem o devido lastro econ\u00f4mico e sem avalia\u00e7\u00e3o consistente de seus efeitos colaterais. No Brasil, essa discuss\u00e3o ocorre em um contexto particularmente delicado. O pa\u00eds convive com baixo crescimento estrutural, produtividade estagnada, alto n\u00edvel de informalidade e um ambiente de neg\u00f3cios ainda marcado por inseguran\u00e7a jur\u00eddica e elevada carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, qualquer altera\u00e7\u00e3o relevante na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho precisa ser tratada com extremo cuidado. A experi\u00eancia internacional mostra que redu\u00e7\u00e3o de jornada pode funcionar, mas sob condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Pa\u00edses que avan\u00e7aram nesse campo, como Alemanha, Holanda e alguns pa\u00edses n\u00f3rdicos, possuem alta produtividade, forte capital humano, sistemas educacionais robustos e mercados de trabalho altamente formalizados. Ou seja, reduzir jornada nesses contextos n\u00e3o implica necessariamente perda de produ\u00e7\u00e3o. O Brasil est\u00e1 longe dessa realidade. Aqui, produtividade m\u00e9dia \u00e9 significativamente inferior \u00e0 de economias desenvolvidas. Dados recorrentes de organismos como OCDE e IBGE mostram que o Brasil produz exatamente a metade por hora trabalhada do que a m\u00e9dia internacional. Nesse ambiente, reduzir dias de trabalho sem aumento proporcional de efici\u00eancia tende a gerar um efeito direto: aumento de custos.<\/p>\n<p>Para empresas especialmente pequenas e m\u00e9dias isso se traduz em uma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Ou se contrata mais gente (aumentando folha salarial), ou se reduz produ\u00e7\u00e3o, ou se repassa custo para o consumidor. Em qualquer dos casos, h\u00e1 impacto negativo: desemprego, infla\u00e7\u00e3o ou queda de competitividade. Setores intensivos em m\u00e3o de obra, como com\u00e9rcio e servi\u00e7os, seriam particularmente afetados. S\u00e3o justamente esses setores que mais empregam e que operam com margens apertadas com tantos impostos e cobran\u00e7as. Altera\u00e7\u00f5es abruptas na jornada podem levar ao fechamento de empresas ou \u00e0 migra\u00e7\u00e3o para informalidade, fen\u00f4meno j\u00e1 elevado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro ponto raramente discutido com profundidade \u00e9 o efeito distributivo da medida. Trabalhadores formais, com contratos protegidos, podem ser beneficiados. J\u00e1 os informais que representam cerca de 40% da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o t\u00eam garantia alguma de que ter\u00e3o redu\u00e7\u00e3o de jornada. Ao contr\u00e1rio, podem enfrentar mais instabilidade. Ou seja, uma pol\u00edtica que parece ampliar direitos pode, na pr\u00e1tica, aprofundar desigualdades dentro do pr\u00f3prio mercado de trabalho. H\u00e1 ainda o impacto fiscal indireto. Menor atividade econ\u00f4mica reduz arrecada\u00e7\u00e3o, pressionando contas p\u00fablicas que j\u00e1 operam sob forte restri\u00e7\u00e3o. Em um pa\u00eds com d\u00edvida elevada e espa\u00e7o fiscal limitado, esse tipo de efeito n\u00e3o pode ser ignorado.<\/p>\n<p>Nada disso significa que o debate sobre qualidade de vida no trabalho deva ser descartado. Pelo contr\u00e1rio. Jornadas mais equilibradas, sa\u00fade mental e produtividade s\u00e3o temas centrais no mundo contempor\u00e2neo. Mas o caminho para isso passa por aumento de efici\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, tecnologia e moderniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, n\u00e3o por decretos descolados da realidade econ\u00f4mica. O Brasil j\u00e1 acumulou experi\u00eancias suficientes com pol\u00edticas que priorizaram o ganho pol\u00edtico de curto prazo em detrimento da sustentabilidade de longo prazo. O resultado costuma ser conhecido: crescimento baixo, desemprego elevado e frustra\u00e7\u00e3o social. Discutir o assunto implica reconhecer limites, avaliar custos e, sobretudo, entender que n\u00e3o h\u00e1 atalhos quando se trata de desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Reduzir a jornada pode ser um objetivo leg\u00edtimo no futuro. Mas, no presente, a pergunta essencial \u00e9 outra: o pa\u00eds j\u00e1 criou as condi\u00e7\u00f5es para sustentar essa mudan\u00e7a sem gerar efeitos adversos? Se a resposta for n\u00e3o, suportada pelos indicadores ent\u00e3o insistir na medida pode significar trocar uma promessa atraente por um problema concreto. E, em economia, como na vida p\u00fablica, promessas sem sustenta\u00e7\u00e3o costumam cobrar um pre\u00e7o alto. Geralmente para o lado mais fraco da corda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s somos contra o trabalho, n\u00f3s somos contra a explora\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>, disse ela na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Deputada \u00c9rika Hilton<\/p>\n<figure id=\"attachment_27233\" aria-describedby=\"caption-attachment-27233\" style=\"width: 521px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27233\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA.jpg 788w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA-300x184.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA-768x470.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA-550x336.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/04\/ERIKA-230x141.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27233\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Bruno Spada\/C\u00e2mara dos Deputados<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nSe os cariocas soubessem disto, viriam fazer compra em Bras\u00edlia. O feij\u00e3o aqui custa 75 cruzeiros, o arroz 35 e o filet mignon (que existe) est\u00e1 sendo vendido a 140 cruzeiros. <strong>(Publicada em 17. 05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Propostas de mudan\u00e7a na jornada de trabalho, como o fim da escala 6&#215;1, costumam surgir em momentos politicamente sens\u00edveis. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender a raz\u00e3o. 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