{"id":27257,"date":"2026-05-03T01:00:06","date_gmt":"2026-05-03T04:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27257"},"modified":"2026-05-04T14:10:29","modified_gmt":"2026-05-04T17:10:29","slug":"o-caminho-natural-das-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-caminho-natural-das-coisas\/","title":{"rendered":"O caminho natural das coisas"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27263\" aria-describedby=\"caption-attachment-27263\" style=\"width: 515px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27263\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise.jpg\" alt=\"\" width=\"515\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise.jpg 724w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise-550x548.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/expertise-230x229.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 515px) 100vw, 515px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27263\" class=\"wp-caption-text\">Cartunista: Ad\u00e3o\u00a0Iturrusgarai<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nunca foi uma boa ideia pular etapas. Essa \u00e9 uma verdade simples, quase banal, mas que a pol\u00edtica insiste em ignorar com frequ\u00eancia. A hist\u00f3ria, quando observada sem paix\u00f5es, mostra que os atalhos, sobretudo na condu\u00e7\u00e3o do poder, raramente terminam bem. Conv\u00e9m come\u00e7ar pelo \u00f3bvio. Experi\u00eancia importa. Em qualquer atividade humana minimamente complexa, a progress\u00e3o natural aprender, testar, errar, corrigir \u00e9 o que permite maturidade de decis\u00e3o. Ningu\u00e9m entrega a dire\u00e7\u00e3o de uma empresa bilion\u00e1ria a quem nunca administrou sequer um pequeno neg\u00f3cio. Ou n\u00e3o deveria entregar. Na pol\u00edtica, por\u00e9m, essa l\u00f3gica elementar \u00e9 frequentemente ignorada. Quando se fala em cargos como o de presidente da Rep\u00fablica, n\u00e3o se trata apenas de ocupar uma cadeira. Trata-se de conduzir um pa\u00eds com milh\u00f5es de habitantes, uma m\u00e1quina p\u00fablica gigantesca e uma economia cheia de fragilidades. Exige-se, portanto, mais do que discurso.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, exemplos n\u00e3o faltam. L\u00edderes que ascenderam rapidamente, sem a devida experi\u00eancia administrativa ou pol\u00edtica, frequentemente enfrentaram dificuldades para lidar com a complexidade do poder. Em muitos casos, recorreram a improvisos, cercaram-se de assessorias fr\u00e1geis ou tomaram decis\u00f5es err\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 casos de l\u00edderes que percorreram etapas mais longas \u2014 governos locais, cargos legislativos, fun\u00e7\u00f5es executivas intermedi\u00e1rias \u2014 e chegaram ao topo com uma bagagem mais s\u00f3lida. Isso n\u00e3o garante sucesso autom\u00e1tico, mas oferece instrumentos melhores para enfrentar a realidade. Governar, afinal, n\u00e3o \u00e9 teoria. \u00c9 pr\u00e1tica acumulada ao longo dos anos. O problema agrava-se quando o eleitorado, movido por frustra\u00e7\u00e3o ou esperan\u00e7a imediata, passa a enxergar o \u201cnovo\u201d como solu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica. O discurso de ruptura, muitas vezes sedutor, pode esconder a aus\u00eancia de preparo. A promessa de fazer diferente n\u00e3o substitui a capacidade de fazer funcionar. E, nesse momento, escolher certo com quem trabalhar \u00e9 crucial.<\/p>\n<p>Os custos s\u00e3o muitos quando governar torna-se uma aventura. Custos administrativos, quando decis\u00f5es mal calibradas geram desperd\u00edcios ou paralisia. Custos econ\u00f4micos, quando pol\u00edticas mal formuladas afetam investimentos e crescimento. Custos institucionais, quando a falta de experi\u00eancia leva a conflitos desnecess\u00e1rios entre Poderes ou a uma leitura equivocada das regras do jogo.<\/p>\n<p>Diria o fil\u00f3sofo de Mondubim: nunca colocar os carros adiante dos bois. Esse \u00e9 o princ\u00edpio da organiza\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, \u201cn\u00e3o come\u00e7ar uma casa pela cumeeira\u201d traduz a ideia de que toda constru\u00e7\u00e3o \u2014 f\u00edsica ou institucional \u2014 exige base s\u00f3lida e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Outro ponto importante diz respeito \u00e0 pr\u00f3pria cultura pol\u00edtica. Em democracias mais consolidadas, \u00e9 comum que lideran\u00e7as nacionais tenham passado por diferentes n\u00edveis de governo ou por longas carreiras legislativas. Isso cria um filtro natural em que compet\u00eancias s\u00e3o testadas ao longo do tempo. Quando esse filtro \u00e9 ignorado, abre-se espa\u00e7o para ciclos de entusiasmo e frustra\u00e7\u00e3o. A cada nova aposta em solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, repete-se o padr\u00e3o: expectativas elevadas, dificuldades na execu\u00e7\u00e3o e, por fim, decep\u00e7\u00e3o. O resultado de todo esse processo \u00e9 a perda de tempo. Um passo para frente e dez para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica, quando bem exercida, deveria ser o espa\u00e7o em que a responsabilidade se sobrep\u00f5e \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o. Onde o ac\u00famulo de conhecimento orienta decis\u00f5es. Onde o poder n\u00e3o \u00e9 um experimento, mas uma continuidade de aprendizado. E, como a Hist\u00f3ria tamb\u00e9m ensina, repetir erros conhecidos raramente leva a resultados diferentes. Expertise pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 saber dobrar os oponentes pela for\u00e7a do poder ou do dinheiro, ou pela l\u00e1bia e verborragia, mas agir conforme indica o bom senso e o norte que aponta sempre para o cumprimento dos direitos fundamentais e obriga\u00e7\u00f5es do Estado como previsto na Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cUma marca infal\u00edvel do amor \u00e0 verdade \u00e9 n\u00e3o aceitar nenhuma proposi\u00e7\u00e3o com maior certeza do que as provas em que ela se baseia podem garantir.\u201d<\/em><br \/>\nJohn Locke<\/p>\n<figure id=\"attachment_17914\" aria-describedby=\"caption-attachment-17914\" style=\"width: 414px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17914\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/jl.jpg\" alt=\"\" width=\"414\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/jl.jpg 414w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/jl-259x300.jpg 259w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/jl-230x267.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17914\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de John Locke, de Sr. Godfrey Kneller. Fonte: Cole\u00e7\u00e3o de Sr. Robert Walpole, Houghton Hall, 1779.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO ministro Ari Franco, que mora em Bras\u00edlia, onde funciona seu tribunal, endere\u00e7ou ao sr. Armando Monteiro o seguinte telegrama: &#8220;Agrade\u00e7o V. Exa. convite para assistir posse Comiss\u00e3o Nacional Reforma Agr\u00e1ria dia 14 corrente, sal\u00e3o nobre \u00easse Minist\u00e9rio Rio de Janeiro. Esclare\u00e7o Voss\u00eancia por\u00e9m n\u00e3o poderia comparecer uma vez que resido em Bras\u00edlia onde funcionam o Tribunal Superior Eleitoral, \u00f3rg\u00e3o que presido, e o Supremo Tribunal Federal, do qual sou um dos ju\u00edzes. Cordiais sauda\u00e7\u00f5es. Ari Franco\u201d. <strong>(Publicada em 18\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Nunca foi uma boa ideia pular etapas. Essa \u00e9 uma verdade simples, quase banal, mas que a pol\u00edtica insiste em ignorar com frequ\u00eancia. 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