{"id":27270,"date":"2026-05-08T01:00:52","date_gmt":"2026-05-08T04:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27270"},"modified":"2026-05-08T14:04:12","modified_gmt":"2026-05-08T17:04:12","slug":"rumo-ao-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/rumo-ao-paraguai\/","title":{"rendered":"Rumo ao Paraguai"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27273\" aria-describedby=\"caption-attachment-27273\" style=\"width: 626px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27273\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa.jpg 775w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/empresa-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27273\" class=\"wp-caption-text\">Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai. (Foto: GAZETA\/CHRISTIAN RIZZI)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 algo de profundamente simb\u00f3lico no fato de o Paraguai, pa\u00eds que por d\u00e9cadas figurou como sin\u00f4nimo de contrabando, desordem e informalidade, ter se convertido no destino preferido dos empreendedores brasileiros. N\u00e3o \u00e9 ironia menor: a na\u00e7\u00e3o que o imagin\u00e1rio coletivo associava \u00e0s feiras de eletr\u00f4nicos pirateados \u00e0s margens do Rio Paran\u00e1 hoje ostenta filas de brasileiros acampados ao sol, dispostos a enfrentar madrugadas em cadeiras de praia para conquistar o direito de residir e produzir do outro lado da fronteira.<\/p>\n<p>Esses brasileiros n\u00e3o fogem da mis\u00e9ria. Fogem da prosperidade imposs\u00edvel. S\u00e3o empres\u00e1rios, industriais, profissionais liberais e aposentados que fizeram suas contas e chegaram a uma conclus\u00e3o inc\u00f4moda: no Brasil atual, trabalhar muito e pagar impostos honestos n\u00e3o garante futuro. Garantir futuro, ao contr\u00e1rio, exige emigrar.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros confirmam o que a intui\u00e7\u00e3o j\u00e1 denunciava. Segundo a Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Migra\u00e7\u00f5es do Paraguai, entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 38.236 pedidos de resid\u00eancia de estrangeiros, n\u00famero que j\u00e1 supera todo o ano de 2024 e representa crescimento de 31,3% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior. Desse total, 22.136 pedidos vieram de brasileiros, equivalendo a 57,9% de todos os imigrantes que escolheram o Paraguai no per\u00edodo. Em 2024, foram 17.139 autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia apenas para cidad\u00e3os do Brasil, representando 60,21% do total de imigrantes formalizados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estima-se que mais de 263 mil brasileiros j\u00e1 vivam em territ\u00f3rio paraguaio. Para entender esse \u00eaxodo, \u00e9 preciso olhar para o que acontece dentro de casa. Em 2024, a carga tribut\u00e1ria brasileira atingiu o maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica: 34,24% do PIB, segundo o Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal da FGV, superando o recorde anterior de 33,01%, registrado em 2022. A arrecada\u00e7\u00e3o do governo federal, dos estados e dos munic\u00edpios somou R$ 2,7 trilh\u00f5es no ano, crescimento de quase 10% sobre o ano anterior, conforme dados da Receita Federal. Em 2025, o recorde foi renovado: a carga tribut\u00e1ria chegou a 32,4% do PIB apenas pela metodologia do governo geral, mas analistas indicam que a cifra real, incluindo contribui\u00e7\u00f5es parafiscais, supera os 34%.<\/p>\n<p>O mais estarrecedor n\u00e3o \u00e9 o volume arrecadado, mas o que esse dinheiro n\u00e3o entrega. Mesmo batendo todos os recordes hist\u00f3ricos de impostos, o governo federal registrou em 2024 um d\u00e9ficit nominal de 7,67% do PIB, o equivalente a R$ 900,57 bilh\u00f5es apenas na esfera federal. A d\u00edvida bruta do governo geral caminha para 78% do PIB, segundo proje\u00e7\u00f5es do mercado financeiro. Em linguagem direta: o Estado brasileiro arrecada mais do que nunca, gasta mais do que nunca e ainda assim n\u00e3o fecha as contas.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo batendo recordes de arrecada\u00e7\u00e3o e carga tribut\u00e1ria, a conta continua n\u00e3o fechando&#8221;, sintetizou o economista Ecio Costa da Universidade Federal de Pernambuco ao Poder 360. Para o especialista e consultor, o aumento persistente dos gastos obrigat\u00f3rios e a aus\u00eancia de reformas estruturais do lado da despesa tornam a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica insustent\u00e1vel. &#8220;O arcabou\u00e7o fiscal \u00e9 uma mera pe\u00e7a ilus\u00f3ria, cheia de furos que s\u00e3o usados para gerar um d\u00e9ficit adicional de R$ 300 bilh\u00f5es nesse governo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Liberal &#8220;N\u00e3o \u00e9 que o Paraguai seja atrativo demais. O Brasil \u00e9 que se tornou caro demais para produzir.&#8221; A folha de pagamento brasileira \u00e9 uma das mais caras do mundo. Encargos trabalhistas e previdenci\u00e1rios podem dobrar o custo efetivo de um funcion\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao seu sal\u00e1rio nominal. O chamado Custo Brasil, que engloba complexidade tribut\u00e1ria, infraestrutura deficiente e inseguran\u00e7a jur\u00eddica, aparece diretamente na decis\u00e3o de investir ou n\u00e3o investir no pa\u00eds, como alertou o secret\u00e1rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico de S\u00e3o Paulo, Jorge Lima.<\/p>\n<p>O custo da energia el\u00e9trica industrial exemplifica o abismo. Enquanto no Brasil o pre\u00e7o m\u00e9dio gira em torno de 123 d\u00f3lares por megawatt-hora, no Paraguai o mesmo insumo custa apenas 39 d\u00f3lares por megawatt-hora, segundo levantamentos divulgados pela imprensa. Isso significa que uma ind\u00fastria instalada em territ\u00f3rio paraguaio pode abastecer tr\u00eas plantas fabris pelo pre\u00e7o de uma opera\u00e7\u00e3o equivalente no lado brasileiro da fronteira. A diferen\u00e7a n\u00e3o decorre de tecnologia superior ou de subs\u00eddio artificial: \u00e9 a energia de Itaipu, co-constru\u00edda com dinheiro e engenharia brasileiros, chegando muito mais barata ao lado de l\u00e1. O resultado \u00e9 vis\u00edvel nas decis\u00f5es corporativas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2025, a Lupo, uma das maiores fabricantes t\u00eaxteis do pa\u00eds, com d\u00e9cadas de hist\u00f3ria no Brasil, sinalizou a abertura de uma f\u00e1brica de meias no Paraguai, alegando inviabilidade econ\u00f4mica da produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica diante da carga tribut\u00e1ria e do ambiente regulat\u00f3rio brasileiro. O caso n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Dados do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio do Paraguai, atualizados em junho de 2025, mostram que 65% de tudo que \u00e9 produzido sob o regime de Maquila no pa\u00eds tem como destino o Brasil. Ou seja: empresas saem daqui, produzem l\u00e1 e nos vendem o produto acabado, pagando impostos muito menores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cN\u00e3o adianta ficar desinformado sobre o que est\u00e1 acontecendo com a economia e os cen\u00e1rios macroecon\u00f4micos e setoriais e achar que sua empresa, institui\u00e7\u00e3o ou evento ir\u00e1 ter sucesso.\u201d<\/em><br \/>\nEcio Costa<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TARIFA DO TRUMP: EMPRESAS V\u00c3O EMBORA DO BRASIL?\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wX_b-m_VlQg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nTransformou-a em Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Bras\u00edlia, e nos convidou a depor numa comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito instaurada para aparar os nomes. Os nomes todos j\u00e1 sabem. Dos que venderam e dos que compraram. E chega de inqu\u00e9ritos!\u00a0<strong>(Publicada em 18.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 algo de profundamente simb\u00f3lico no fato de o Paraguai, pa\u00eds que por d\u00e9cadas figurou como sin\u00f4nimo de contrabando, desordem e informalidade, ter se convertido no destino preferido dos empreendedores brasileiros. 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