{"id":27301,"date":"2026-05-14T01:00:52","date_gmt":"2026-05-14T04:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27301"},"modified":"2026-05-13T11:15:27","modified_gmt":"2026-05-13T14:15:27","slug":"o-caminho-das-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-caminho-das-incertezas\/","title":{"rendered":"O caminho das incertezas"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27306\" aria-describedby=\"caption-attachment-27306\" style=\"width: 597px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27306\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg.jpg\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg.jpg 891w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg-300x154.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg-768x394.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg-800x410.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg-550x282.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/jg-230x118.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27306\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Jean Galv\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados dispon\u00edveis nas bases do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), do Banco Mundial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) confirmam, com precis\u00e3o desconfort\u00e1vel, o diagn\u00f3stico de que o Brasil atravessa uma longa e silenciosa estagna\u00e7\u00e3o relativa a uma esp\u00e9cie de decl\u00ednio de gera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o aparece nos discursos de posse, mas assombra as proje\u00e7\u00f5es de cada f\u00f3rum econ\u00f4mico global.<\/p>\n<p>Em 2024, o PIB per capita brasileiro ficou em aproximadamente US$ 10.255 em valores correntes, o equivalente a 76% da m\u00e9dia mundial, segundo o Trading Economics, e US$ 3.634 a menos do que a estimativa global do FMI para 2025, fixada em US$ 14.450. O Brasil ocupa hoje a 79\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking global de renda per capita, atr\u00e1s n\u00e3o apenas das economias desenvolvidas, mas de Chile, Argentina e M\u00e9xico na Am\u00e9rica Latina. O retrato hist\u00f3rico \u00e9 ainda mais severo. Em 1980, o PIB per capita brasileiro equivalia a cerca de 20% do norte-americano. Em 2024, havia recuado para 14,4%, segundo levantamento da Gazeta do Povo com base em dados hist\u00f3ricos do FMI.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, a Coreia do Sul, que, em 1980, era mais pobre que o Brasil, com apenas 13,6% da renda americana, atingiu 55,8% da renda per capita dos EUA. Na escala do ranking global, os n\u00fameros s\u00e3o igualmente eloquentes: em 1980, o Brasil estava entre os 50 pa\u00edses com maior PIB per capita. Em 1990, havia ca\u00eddo para a 60\u00aa posi\u00e7\u00e3o; em 2000, para a 67\u00aa; e em 2020, chegou \u00e0 85\u00aa. As proje\u00e7\u00f5es do FMI apontavam para a 90\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 2026. O Brasil n\u00e3o cai por acidente cai por estrutura. O quadro abaixo mostra com clareza o que est\u00e1 acontecendo com o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno que o Brasil vivencia tem nome t\u00e9cnico: armadilha da renda m\u00e9dia. Trata-se da dificuldade cr\u00f4nica que pa\u00edses de renda intermedi\u00e1ria enfrentam para avan\u00e7ar ao est\u00e1gio das economias desenvolvidas. O Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Global 2024 do Banco Mundial \u00e9 expl\u00edcito ao alertar que, se as tend\u00eancias atuais persistirem, Brasil e M\u00e9xico poder\u00e3o se distanciar ainda mais dos Estados Unidos at\u00e9 o final do s\u00e9culo. Entre 2000 e 2010, enquanto o PIB mundial cresceu 46,7%, o Brasil avan\u00e7ou 43,5%: j\u00e1 fic\u00e1vamos atr\u00e1s. Nos anos seguintes, a recess\u00e3o de 2014\u20132016, tr\u00eas anos de baixo crescimento e uma nova contra\u00e7\u00e3o em 2020 aprofundaram o fosso. A China, nesse mesmo intervalo, multiplicou sua renda per capita em 500%. Segundo a coordenadora do boletim macroecon\u00f4mico do FGV IBRE, Silvia Mattos, a &#8220;mediocridade brasileira&#8221; decorre do fracasso hist\u00f3rico em gerar ganhos de produtividade sustentados.<\/p>\n<p>Nos est\u00e1gios iniciais do desenvolvimento, economias crescem pela acumula\u00e7\u00e3o de capital infraestrutura, ind\u00fastria, ativos f\u00edsicos. Nos est\u00e1gios mais avan\u00e7ados, o motor \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o. O Brasil jamais fez a transi\u00e7\u00e3o completa. A isso se somam: baixa poupan\u00e7a dom\u00e9stica, fragilidade institucional com o Estado capturado por grupos de interesse \u2014 e uma carga tribut\u00e1ria que desencoraja investimento produtivo sem gerar servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade proporcional. O resultado \u00e9 uma economia que cresce, mas n\u00e3o suficientemente; que distribui, mas insuficientemente; que reforma, mas lentamente.<\/p>\n<p>&#8220;Se o crescimento da renda for de 2,3% ao ano, a m\u00e9dia hist\u00f3rica brasileira entre 1956 e 2026, o Brasil levaria d\u00e9cadas para dobrar sua renda per capita e alcan\u00e7ar o patamar das economias avan\u00e7adas. Com os ritmos atuais, ainda mais.&#8221; Isso de acordo com An\u00e1lise do Projeto Colabora, com base em dados do FMI (WEO 2024). A dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo rico seria, por si s\u00f3, alarmante. Mas ela \u00e9 agravada internamente por uma desigualdade que n\u00e3o cede de forma consistente.<\/p>\n<p>Em 2025, o \u00edndice de Gini brasileiro subiu de 0,504 para 0,511, segundo dados da PNAD Cont\u00ednua do IBGE divulgados nesta semana. Ap\u00f3s o piso hist\u00f3rico atingido em 2024, resultado de mercado de trabalho aquecido e transfer\u00eancias de renda, a concentra\u00e7\u00e3o voltou a crescer, puxada pelos rendimentos financeiros e imobili\u00e1rios dos estratos mais ricos. Os n\u00fameros s\u00e3o brutais em sua concretude: em 2025, os 10% mais pobres do Brasil viveram com R$ 268 mensais em m\u00e9dia, o equivalente a R$ 8,93 por dia. Os 10% mais ricos receberam R$ 9.117 mensais: 34 vezes mais. O 1% no topo da pir\u00e2mide alcan\u00e7ou renda m\u00e9dia de R$ 24.973, com crescimento de 9,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2024, impulsionado pelos juros elevados que remuneram aplica\u00e7\u00f5es financeiras concentradas nas m\u00e3os da elite.<\/p>\n<p>Isso significa que, mesmo quando o Brasil cresce, o crescimento n\u00e3o se distribui de forma a reduzir a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. O brasileiro m\u00e9dio fica relativamente mais pobre no cen\u00e1rio global porque os ganhos se concentram no topo, e o topo, ainda que mais rico em termos absolutos, n\u00e3o \u00e9 suficientemente produtivo para puxar o pa\u00eds na competi\u00e7\u00e3o global por renda e inova\u00e7\u00e3o. Em 2025, os 10% mais ricos ganharam 13,8 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos. Essa propor\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um acidente distributivo: \u00e9 um retrato do modelo de desenvolvimento que o Brasil escolheu ou, mais precisamente, que nunca teve coragem de reformar em profundidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;N\u00e3o defendemos, nem no Brasil nem na Argentina, que o FMI deva intervir para proteger os bancos.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Charles Dallara<\/p>\n<figure id=\"attachment_27307\" aria-describedby=\"caption-attachment-27307\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27307\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/chales.jpg\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/chales.jpg 610w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/chales-300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/chales-550x311.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/chales-230x130.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27307\" class=\"wp-caption-text\">Charles Dallara. Foto: Wayne Taylor<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0s quadras do Setor Comercial Residencial, \u00e9 preciso que o povo veja (VEJA) a numera\u00e7\u00e3o, para saber que \u00e9 correspondente \u00e0 da superquadra que fica logo atr\u00e1s. <strong>(Publicada em 18.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Dados dispon\u00edveis nas bases do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), do Banco Mundial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) confirmam, com precis\u00e3o desconfort\u00e1vel, o diagn\u00f3stico de que o Brasil atravessa uma longa e silenciosa estagna\u00e7\u00e3o relativa a uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":27306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[4202,153,2559,114,3817,2517,2448,68,5,2,69,16],"class_list":["post-27301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-crescimento","tag-economia","tag-fmi","tag-historiadebrasilia","tag-indicedegini","tag-mundo","tag-pib","tag-aricunha","tag-brasil","tag-brasilia","tag-circecunha","tag-mamfil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27301"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27308,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27301\/revisions\/27308"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}