{"id":27324,"date":"2026-05-17T01:00:24","date_gmt":"2026-05-17T04:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27324"},"modified":"2026-05-22T19:49:43","modified_gmt":"2026-05-22T22:49:43","slug":"vaidade-poder-e-ambicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/vaidade-poder-e-ambicao\/","title":{"rendered":"Vaidade, poder e ambi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27327\" aria-describedby=\"caption-attachment-27327\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27327\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo.png\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo.png 804w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo-300x224.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo-768x573.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo-800x597.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo-550x410.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/cazo-230x172.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27327\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo para o Blog do AFM<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parece que a rela\u00e7\u00e3o entre o poder pol\u00edtico, a fragilidade institucional e pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o constitui objeto permanente de estudo da ci\u00eancia pol\u00edtica, da economia institucional e da sociologia contempor\u00e2nea. O tema atravessa diferentes sistemas pol\u00edticos, regimes econ\u00f4micos e per\u00edodos hist\u00f3ricos, figurando como uma das principais vari\u00e1veis associadas \u00e0 perda de efici\u00eancia estatal, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da credibilidade p\u00fablica e ao comprometimento da capacidade administrativa dos Estados. O debate n\u00e3o se restringe \u00e0 esfera moral ou jur\u00eddica. Organismos multilaterais, centros de pesquisa econ\u00f4mica e institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas tratam a corrup\u00e7\u00e3o como fator mensur\u00e1vel de impacto econ\u00f4mico e institucional.<\/p>\n<p>John Emerich Edward Dalberg-Acton, historiador brit\u00e2nico formulou, em correspond\u00eancia de 1887, uma das observa\u00e7\u00f5es mais frequentemente mobilizadas em estudos sobre concentra\u00e7\u00e3o de poder: \u201cO poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente\u201d. A formula\u00e7\u00e3o tornou-se refer\u00eancia em an\u00e1lises sobre mecanismos de controle institucional.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica moderna, Thomas Hobbes descreveu a necessidade de estruturas reguladoras como forma de conter a tend\u00eancia humana \u00e0 disputa por recursos e poder. Em Leviat\u00e3, publicado em 1651, Hobbes apresentou a organiza\u00e7\u00e3o estatal como resposta \u00e0quilo que chamou de conflito permanente entre interesses concorrentes.<\/p>\n<p>A literatura contempor\u00e2nea da psicologia moral acrescenta novos elementos a esse debate. O psic\u00f3logo social Albert Bandura descreveu o fen\u00f4meno do \u201cdesengajamento moral\u201d, mecanismo pelo qual indiv\u00edduos passam a justificar gradualmente condutas incompat\u00edveis com normas \u00e9ticas inicialmente aceitas. Estudos nessa linha indicam que desvios institucionais frequentemente resultam de processos graduais de racionaliza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de rupturas abruptas.<\/p>\n<p>Registros hist\u00f3ricos mostram a recorr\u00eancia desse fen\u00f4meno. Na Roma republicana, a concentra\u00e7\u00e3o progressiva de poder e a fragilidade dos mecanismos de conten\u00e7\u00e3o institucional estiveram associadas ao enfraquecimento das estruturas republicanas. Historiadores como Mary Beard apontam que pr\u00e1ticas como compra de apoio pol\u00edtico, patronagem e alian\u00e7as informais contribu\u00edram para o rearranjo institucional que culminou na transi\u00e7\u00e3o para o Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 20, o caso alem\u00e3o tornou-se objeto central de an\u00e1lise sobre captura institucional. Hannah Arendt observou que processos de deteriora\u00e7\u00e3o institucional frequentemente se desenvolvem dentro das pr\u00f3prias estruturas legais, mediante sucessiva neutraliza\u00e7\u00e3o de freios normativos. A an\u00e1lise permanece refer\u00eancia para estudos sobre eros\u00e3o institucional.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, investiga\u00e7\u00f5es recentes ampliaram o alcance emp\u00edrico dessas observa\u00e7\u00f5es. O caso da Odebrecht revelou opera\u00e7\u00f5es financeiras il\u00edcitas em ao menos 12 pa\u00edses, segundo dados apresentados por autoridades judiciais brasileiras, norte-americanas e su\u00ed\u00e7as. O acordo firmado com o Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos apontou pagamentos superiores a US$ 788 milh\u00f5es em propinas distribu\u00eddas internacionalmente.<\/p>\n<p>No Brasil, a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato produziu uma das maiores investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. Dados oficiais indicam centenas de condena\u00e7\u00f5es, dezenas de acordos de colabora\u00e7\u00e3o premiada e recupera\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria de ativos. As decis\u00f5es judiciais relacionadas ao caso produziram debates t\u00e9cnicos sobre garantias processuais, compet\u00eancia jurisdicional e alcance institucional das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Independentemente das interpreta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas posteriores, os processos revelaram mecanismos complexos de intermedia\u00e7\u00e3o financeira, contratos direcionados e estruturas organizadas de repasse il\u00edcito. O impacto econ\u00f4mico da corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem sido objeto de mensura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Banco Mundial estima que a corrup\u00e7\u00e3o consome globalmente cerca de US$ 2,6 trilh\u00f5es por ano, o equivalente a aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto mundial. No Brasil, estimativas produzidas por centros de pesquisa nacionais apontam perdas anuais situadas entre 1% e 4% do PIB. Considerando a dimens\u00e3o atual da economia brasileira, esse intervalo corresponde a valores superiores a R$ 100 bilh\u00f5es anuais. Esses n\u00fameros aparecem associados a impactos indiretos igualmente relevantes.<\/p>\n<p>J\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o Transpar\u00eancia Internacional tem destacado que ambientes institucionais com maior percep\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o tendem a apresentar menor taxa de investimento, rebaixamento do cr\u00e9dito regulat\u00f3rio e maior custo de financiamento.<\/p>\n<p>No \u00cdndice de Percep\u00e7\u00e3o da Corrup\u00e7\u00e3o, o Brasil tem oscilado em posi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias e inferiores entre os pa\u00edses avaliados. O economista Daron Acemoglu, em estudos sobre desenvolvimento institucional, argumenta que \u201cinstitui\u00e7\u00f5es inclusivas s\u00e3o fundamentais para prosperidade de longo prazo\u201d. A formula\u00e7\u00e3o integra pesquisas que relacionam crescimento sustent\u00e1vel \u00e0 qualidade institucional e \u00e0 previsibilidade jur\u00eddica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada: <\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir vergonha pelo que aconteceu no Brasil.&#8221; <\/em><\/p>\n<p>Ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, sobre a corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<figure id=\"attachment_13745\" aria-describedby=\"caption-attachment-13745\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13745\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2.jpg\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"386\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2.jpg 680w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13745\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Nelson Jr.\/STF\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia <\/strong><\/p>\n<p>As not\u00edcias para Bras\u00edlia s\u00e3o as melhores poss\u00edveis. O ministro da Fazenda n\u00e3o fez, no dia anunciado, o esquema de verbas para Bras\u00edlia porque n\u00e3o veio ao DF na quarta-feira, como estava anunciado. (Publicada em 20\/5\/1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Parece que a rela\u00e7\u00e3o entre o poder pol\u00edtico, a fragilidade institucional e pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o constitui objeto permanente de estudo da ci\u00eancia pol\u00edtica, da economia institucional e da sociologia contempor\u00e2nea. 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