{"id":27346,"date":"2026-05-23T01:00:15","date_gmt":"2026-05-23T04:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27346"},"modified":"2026-05-22T21:17:51","modified_gmt":"2026-05-23T00:17:51","slug":"o-estado-como-indutor-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-estado-como-indutor-da-desigualdade\/","title":{"rendered":"O Estado como indutor da desigualdade"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27351\" aria-describedby=\"caption-attachment-27351\" style=\"width: 656px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27351\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/bira.png\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/bira.png 656w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/bira-300x163.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/bira-550x299.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/05\/bira-230x125.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27351\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Bira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2024, o Brasil registrou o \u00edndice de Gini de 0,82, um n\u00famero que n\u00e3o \u00e9 apenas uma estat\u00edstica fria, mas um veredito moral sobre as escolhas que fizemos como na\u00e7\u00e3o. Numa resposta r\u00e1pida, esse \u00edndice mostra, em uma escala de 0 a 1, uma avalia\u00e7\u00e3o da desigualdade dentro de uma distribui\u00e7\u00e3o, quase sempre referente \u00e0 renda ou riqueza de uma popula\u00e7\u00e3o. Gini \u00e9 um conceito importante na Economia. O \u201czero\u201d \u00e9 a igualdade perfeita e o \u201cum\u201d \u00e9 a desigualdade m\u00e1xima.<\/p>\n<p>Empatados com a R\u00fassia em meio a uma guerra e situados entre as 56 na\u00e7\u00f5es mais desiguais do planeta, carregamos uma distin\u00e7\u00e3o que nenhum governo deveria aceitar com normalidade. O que torna esse dado ainda mais perturbador \u00e9 o fato de que, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o pa\u00eds foi governado por for\u00e7as que se autoproclamaram, incansavelmente, defensoras dos mais pobres. A pergunta que n\u00e3o se pode mais adiar \u00e9 simples e devastadora: se o Estado governa para os desvalidos, por que a desigualdade n\u00e3o para de crescer?<\/p>\n<p>H\u00e1 um paradoxo que corr\u00f3i a credibilidade do discurso p\u00fablico brasileiro h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es: quanto mais o Estado se proclama redentor dos pobres, mais concentrada se torna a renda. N\u00e3o \u00e9 acidente. N\u00e3o \u00e9 azar hist\u00f3rico. \u00c9 o resultado previs\u00edvel de um modelo em que o aparato p\u00fablico cresceu n\u00e3o para redistribuir riqueza, mas para redistribuir poder e, com ele, privil\u00e9gios. Marcadas, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por governos que ergueram sua identidade sobre o vocabul\u00e1rio da justi\u00e7a social: transfer\u00eancia de renda, inclus\u00e3o produtiva, combate \u00e0 fome, amplia\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se nega que programas como o Bolsa Fam\u00edlia tenham impedido cen\u00e1rios ainda mais graves. O que se questiona, com dados e rigor, \u00e9 a narrativa de que tais iniciativas, diante do custo do Estado brasileiro, representam uma pol\u00edtica genu\u00edna de redu\u00e7\u00e3o de desigualdade ou apenas um anest\u00e9sico para uma ferida que o pr\u00f3prio governo faz sangrar.<\/p>\n<p>O Gini de 0,82, vale lembrar, n\u00e3o mede apenas a diferen\u00e7a entre ricos e pobres em termos de renda anual. Ele captura a dist\u00e2ncia abissal entre aqueles que acessam o Estado como fonte de prote\u00e7\u00e3o e renda garantida e servidores est\u00e1veis, aposentados precoces, pensionistas privilegiados e aqueles que financiam esse sistema sem jamais dele se beneficiar proporcionalmente. O \u00edndice, nesse sentido, \u00e9 um espelho do Estado, n\u00e3o apesar dele.<\/p>\n<p>Segundo dados do Tesouro Nacional, o peso dos tributos sobre o PIB supera consistentemente os 33%, patamar compar\u00e1vel ao de na\u00e7\u00f5es escandinavas mas sem nenhuma das contrapartidas em qualidade de servi\u00e7os p\u00fablicos que justificariam tal extra\u00e7\u00e3o. A pergunta que todo cidad\u00e3o deveria fazer ao assinar a declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda \u00e9: onde foi parar esse dinheiro?<\/p>\n<p>Gasto p\u00fablico desordenado alimenta a infla\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que corr\u00f3i o poder de compra das camadas mais vulner\u00e1veis. A infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um imposto sobre os ricos, \u00e9 um imposto regressivo que devora o sal\u00e1rio do trabalhador informal, a aposentadoria m\u00ednima da dona de casa e a poupan\u00e7a inexistente do jovem da periferia. Quando o governo gasta al\u00e9m do que arrecada, a conta n\u00e3o vai para o Minist\u00e9rio da Fazenda. Vai para a feira do s\u00e1bado de quem ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um mecanismo ainda mais perverso que o simples desperd\u00edcio: a captura do Estado por grupos de interesse organizados em torno do poder pol\u00edtico. Em economias onde as regras s\u00e3o feitas pelos mesmos que se beneficiam delas, a desigualdade n\u00e3o \u00e9 uma falha do sistema, \u00e9 o sistema funcionando exatamente como planejado.<\/p>\n<p>Ao longo de d\u00e9cadas de altern\u00e2ncia entre projetos que, no fundo, compartilhavam o mesmo amor pela expans\u00e3o do Estado, um ecossistema brasileiro mant\u00e9m a proximidade com o poder p\u00fablico e esse \u00e9 o principal fator de sucesso econ\u00f4mico. N\u00e3o o m\u00e9rito, n\u00e3o a inova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o risco empreendedor, mas a capacidade de capturar contratos, subs\u00eddios, isen\u00e7\u00f5es e prote\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias que o Estado distribui a seus favoritos.<\/p>\n<p>O capitalismo de compadres, como o chamam os economistas, n\u00e3o \u00e9 o capitalismo: \u00e9 o seu oposto, travestido de mercado. Os grandes conglomerados que se beneficiaram de d\u00e9cadas de financiamentos subsidiados do BNDES, de desonera\u00e7\u00f5es setoriais e de prote\u00e7\u00f5es alfandeg\u00e1rias, n\u00e3o competiram no mercado, jogaram no campo inclinado montado pelo Estado. O resultado foi a cria\u00e7\u00e3o de oligop\u00f3lios disfar\u00e7ados de campe\u00f5es nacionais, acumula\u00e7\u00e3o de capital \u00e0s custas do er\u00e1rio e concentra\u00e7\u00e3o de renda que nenhum programa social conseguiria reverter.<\/p>\n<p>Para cada real distribu\u00eddo em transfer\u00eancias, outro e muitas vezes mais foi entregue disfar\u00e7ado de pol\u00edtica industrial. Quando o Estado escolhe vencedores, ele inevitavelmente cria perdedores. E os perdedores no Brasil n\u00e3o s\u00e3o as grandes empresas que sobreviveram sem subs\u00eddio: s\u00e3o o microempreendedor esmagado pela burocracia, o trabalhador informal que n\u00e3o tem acesso ao cr\u00e9dito, o jovem de escola p\u00fablica que concorre em condi\u00e7\u00f5es desiguais com o filho de quem soube negociar com o poder.<\/p>\n<p>A desigualdade brasileira tem endere\u00e7o. E muitas vezes esse endere\u00e7o fica em Bras\u00edlia. Nenhum investimento social reduz desigualdade de forma mais duradoura do que uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade universal. \u00c9 o \u00fanico mecanismo capaz de romper o ciclo intergeracional da pobreza, de garantir que o filho do agricultor do semi\u00e1rido tenha as mesmas chances cognitivas e profissionais que o filho do advogado de Higien\u00f3polis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cA quem recorrer?\u201d<\/em><br \/>\nDona Dita pensando nas not\u00edcias desanimadoras<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nComo sempre, o st. Afonso Almiro viajou para o Rio no mesmo dia, mas nessa oportunidade, prestou um relevante servi\u00e7o ao Distrito Federal, e, particularmente, \u00e0s Funda\u00e7\u00f5es da Prefeitura do Distrito Federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Em 2024, o Brasil registrou o \u00edndice de Gini de 0,82, um n\u00famero que n\u00e3o \u00e9 apenas uma estat\u00edstica fria, mas um veredito moral sobre as escolhas que fizemos como na\u00e7\u00e3o. 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