{"id":331,"date":"2015-10-19T16:02:00","date_gmt":"2015-10-19T16:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido_pelos_brasilienses\/"},"modified":"2015-11-18T15:40:09","modified_gmt":"2015-11-18T17:40:09","slug":"visto_lido_e_ouvido_pelos_brasilienses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido_pelos_brasilienses\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO pelos brasilienses"},"content":{"rendered":"<p><b>Autoria: Felipe de Souza Ticom<\/b>  &nbsp;JUSTI\u00c7A ESPECIALIZADA  &nbsp;H\u00e1 exatos vinte anos, aos 26 de setembro de 1995, publicou-se a Lei n\u00b0 9.099, \u201cque disp\u00f5e sobre os Juizados Especiais C\u00edveis e Criminais e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d. Em alternativa aos procedimentos ordin\u00e1rio e sum\u00e1rio, classificados como comuns, fez surgir o procedimento sumar\u00edssimo, especializado, adequado \u00e0s causas c\u00edveis de menor complexidade e penais de menor potencial ofensivo, ambas jur\u00eddica e popularmente conhecidas como \u201cpequenas causas\u201d.  Com vistas a dar um tratamento diferenciado aos lit\u00edgios c\u00edveis e criminais dessa natureza, delimitados, respectivamente, pelos artigos 8\u00ba e 61 da referida Lei, os Juizados Especiais C\u00edveis e os Juizados Especiais Criminais, ou simplesmente \u201cJECs\u201d e \u201cJECRIMs\u201d, pautaram-se pelos princ\u00edpios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, dos quais apenas a simplicidade n\u00e3o se aplicou tamb\u00e9m \u00e0 esfera penal, como se observa do cotejo entre os artigos 2\u00ba e 62. Considerando o complexo e rico princ\u00edpio da ampla defesa, uma aparente contradi\u00e7\u00e3o a ser evitada.  N\u00e3o obstante, a especializa\u00e7\u00e3o no tratamento n\u00e3o se justificou pelos princ\u00edpios, considerados norteadores, mas, sobretudo, pelo fim prim\u00e1rio ao qual a norma se destinou, a saber: a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 justi\u00e7a. Por interm\u00e9dio do implemento de um microssistema que pudesse absorver os conflitos mais quotidianos ao cidad\u00e3o, buscou-se o amplo acesso \u00e0 presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, notadamente aos que viam na Justi\u00e7a Comum as inviabilidades econ\u00f4mica e processual, em raz\u00e3o dos custos financeiro e psicol\u00f3gico ainda inerentes aos seus procedimentos.  Em paralelo, objetivou-se tamb\u00e9m amenizar a sobrecarga do Poder Judici\u00e1rio, uma vez que as demandas mais corriqueiras, a exemplo das consumeristas, dispunham da mesma sistem\u00e1tica de composi\u00e7\u00e3o quando comparadas a outras mais complexas, vale dizer, um contrassenso ao pleito social de racionaliza\u00e7\u00e3o das burocracias estatais.  \u00c0 luz do conceito de audi\u00eancia UNA (Concilia\u00e7\u00e3o, Instru\u00e7\u00e3o e Julgamento), enfatizou-se o aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico daqueles que atuam no momento inicial reservado ao emprego do mecanismo conciliat\u00f3rio. Por interm\u00e9dio de t\u00e9cnicas previamente ensinadas aos conciliadores, a exemplo do <i>rapport<\/i> e do <i>empowerment<\/i>, s\u00e3o os litigantes compreendidos e estimulados ao di\u00e1logo, sobre o qual poder\u00e3o alcan\u00e7ar a composi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de suas lides.   Cumpre observar que a composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringe ao pedido objeto da audi\u00eancia, mas tamb\u00e9m aos reais fatores sociais que os levaram a divergir, uma vez que a audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o possui car\u00e1ter pedag\u00f3gico &#8209; respons\u00e1vel por ensejar uma mudan\u00e7a de comportamento, e, consequentemente, mudan\u00e7a de cultura. Perceba-se que, paulatinamente, a cultura do dissenso evolui \u00e0 cultura do consenso, estimulando-se, assim, a pacifica\u00e7\u00e3o social.  Obviamente, muito embora n\u00e3o tenha, por si s\u00f3, alterado a realidade s\u00f3cio-jur\u00eddica nacional, a Lei n\u00b0 9.099\/95 muito contribuiu para as novas pol\u00edticas p\u00fablicas favor\u00e1veis \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o da heterocomposi\u00e7\u00e3o estatal pela autocomposi\u00e7\u00e3o das partes, a exemplo da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 125\/2010 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a &#8209; CNJ, que disp\u00f5e sobre a \u201cPol\u00edtica Judici\u00e1ria Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no \u00e2mbito do Poder Judici\u00e1rio e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d. Ainda, serviu de inspira\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo para o novo C\u00f3digo de Processo Civil a entrar em vigor, o qual privilegia em muito esse e outros m\u00e9todos de resolu\u00e7\u00e3o consensual, com vistas \u00e0s mesmas aspira\u00e7\u00f5es de amplo acesso, racionaliza\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o.  Por oportuno, em diapas\u00e3o \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es alusivas ao vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da Lei, a exemplo da proposta de redescoberta dos juizados especiais, conduzida pela Corregedoria do CNJ, pontua-se que o conceito de justi\u00e7a n\u00e3o pode restringir-se ao necess\u00e1rio exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o estatal, muito embora dela necessite de supervis\u00e3o, na medida em que tamb\u00e9m h\u00e1 que ser abarcado considerando-se iniciativa e participa\u00e7\u00e3o individuais. Somente por interm\u00e9dio da gradual transfer\u00eancia de responsabilidades ao cidad\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel o desenvolvimento de uma democracia madura, sadia e livre de paternalismos de toda esp\u00e9cie. Afinal, a liberdade n\u00e3o deve se traduzir apenas pelo reconhecimento de direitos, mas tamb\u00e9m pela emancipa\u00e7\u00e3o social em rela\u00e7\u00e3o ao Estado.  &nbsp;  <i><b>Felipe de Souza Ticom \u00e9 graduando do curso de Direito pelo UniCEUB, estagi\u00e1rio do Gabinete da Presid\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e conciliador membro do Quadro Geral de Conciliadores do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e Territ\u00f3rios.<\/b><\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autoria: Felipe de Souza Ticom &nbsp;JUSTI\u00c7A ESPECIALIZADA &nbsp;H\u00e1 exatos vinte anos, aos 26 de setembro de 1995, publicou-se a Lei n\u00b0 9.099, \u201cque disp\u00f5e sobre os Juizados Especiais C\u00edveis e Criminais e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d. 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