{"id":334,"date":"2015-10-20T16:38:40","date_gmt":"2015-10-20T16:38:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.hom.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=295"},"modified":"2015-11-18T15:40:08","modified_gmt":"2015-11-18T17:40:08","slug":"um-tiro-no-estatuto-do-desarmamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/um-tiro-no-estatuto-do-desarmamento\/","title":{"rendered":"Um tiro no estatuto do desarmamento"},"content":{"rendered":"<p><strong>VISTO, LIDO E OUVIDO<\/strong><\/p>\n<p>Em 2013, ou seja , h\u00e1 apenas dois anos, a C\u00e2mara dos Deputados tomou para si a miss\u00e3o de reeditar o Estatuto do Desarmamento (Lei n\u00ba 10.826 de 20003). Naquela ocasi\u00e3o, o ent\u00e3o presidente da Casa Henrique Eduardo Alves fez quest\u00e3o de registrar na apresenta\u00e7\u00e3o do documento renovado a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201ca C\u00e2mara dos Deputados se sente correspons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do Estatuto do desarmamento que ora se reedita, de forma a n\u00e3o permitir que o uso de armas de fogo sem controle coloque em risco a vida de milhares de jovens.\u201d<\/p>\n<p>Naquele documento vinha impresso ainda os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que refor\u00e7avam a tese da necessidade de o pa\u00eds possuir um conjunto de leis modernas e atuais para regulamentar a posse de armas pelos cidad\u00e3os. \u201cA taxa de homic\u00eddios no Brasil, dizia o documento, chegou a 20,4 por 100 mil habitantes em 2010, e na faixa de jovens de 15 a 29 anos, essa taxa passa para 44,2, uma das mais altas do mundo. Cerca de 70% desses homic\u00eddios s\u00e3o perpetrados por armas de fogo. Ou seja, morrem no Brasil , anualmente, cerca de 27 mil pessoas por ano v\u00edtimas de armas de fogo, ou 75 pessoas por dia. Isso significa que, de 1980 a 2010, mais de quinhentas mil pessoas foram mortas por arma de fogo, das quais mais de trezentos mil jovens seguir que refor\u00e7avam a necessidade do pa\u00eds possuir um conjunto de leis modernas\u201d.<\/p>\n<p>Diante do esfor\u00e7o imenso para que o Brasil desse um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 civilidade e \u00e0 vida plena, retirando de circula\u00e7\u00e3o mais de 130 mil armas de fogo, soa estranho que uma pequena bancada formada por apenas 21 deputados, oportunamente chamada de \u201cbancada da bala\u201d, venha exercendo forte press\u00e3o junto a extempor\u00e2nea Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara , que prepara um novo Estatuto do Desarmamento, no sentido de rasgar tudo o que foi escrito at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Formado na sua grande maioria por pol\u00edticos conservadores oriundos da pol\u00edcia, alguns inclusive adeptos confessos da trucul\u00eancia, da repress\u00e3o policial e do justiciamento das for\u00e7as de seguran\u00e7a, o que esses nobres senhores est\u00e3o propondo, ao estender a posse de armas inclusive para parlamentares \u00e9 a volta do Oeste selvagem e da barb\u00e1rie, onde at\u00e9 pequenas discuss\u00f5es s\u00e3o resolvidas \u00e0 bala. Como lobistas da poderosa ind\u00fastria b\u00e9lica, essa bancada do atraso quer mesmo \u00e9 fazer prosperar o neg\u00f3cio das funer\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>A frase que n\u00e3o foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDaria tudo o que ignoro pela metade que n\u00e3o sei!\u201d<\/p>\n<p>Quem o leitor sugere para parafrasear Ren\u00e9 Descartes?<\/p>\n<p><strong>No c\u00e9u<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, Glenio Bianchetti postava na Internet um quadro de uma m\u00e3e enternecida abra\u00e7ado o filho. As cores mornas trazem a paz \u00e0 imagem. Quem sabe n\u00e3o era a matriarca dos Bianchetti em Bag\u00e9 recebendo carinhosamente o filho que foi tirado t\u00e3o cedo da fam\u00edlia e amigos.<\/p>\n<p><strong>Desespero<\/strong><\/p>\n<p>Quando a Circe era foca na R\u00e1dio Nacional, comentava sobre o n\u00famero de pessoas desaparecidas. No programa \u201cEu de c\u00e1, voc\u00ea de l\u00e1\u201d, comandado por Luiz Alberto, era constante a chegada de cartas escritas por pessoas desesperadas em busca de parentes perdidos.<\/p>\n<p><strong>Medicina<\/strong><\/p>\n<p>In\u00fameros sites trazem fotos de pessoas desaparecidas. Com a capilaridade da Internet a a\u00e7\u00e3o parece facilitada. Uma audi\u00eancia na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Senado promove um portal do Conselho Federal de Medicina sobre crian\u00e7as desaparecidas.<\/p>\n<p><strong>Fuma\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Nessa audi\u00eancia um depoimento que chamou a aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muito mais do que as apar\u00eancias nesse assunto. A coordenadora do Instituto de Migra\u00e7\u00f5es e Direitos Humanos (IMDH), Irm\u00e3 Rosita Milesi levantou a quest\u00e3o. Lembrou de uma CPI que aconteceu h\u00e1 4 anos e foi encerrada sem que se chegasse \u00e0 conclus\u00e3o sobre o desaparecimento de crian\u00e7as e adolescentes. A religiosa afirmou categoricamente que apesar da gravidade, h\u00e1 uma \u201cinvisibilidade social&#8221; sobre o tema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO Em 2013, ou seja , h\u00e1 apenas dois anos, a C\u00e2mara dos Deputados tomou para si a miss\u00e3o de reeditar o Estatuto do Desarmamento (Lei n\u00ba 10.826 de 20003). 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