{"id":58,"date":"2015-01-22T09:11:00","date_gmt":"2015-01-22T11:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-20\/"},"modified":"2015-01-22T09:11:00","modified_gmt":"2015-01-22T11:11:00","slug":"visto_lido_e_ouvido-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-20\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO"},"content":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br <\/p>\n<p><strong>Lembran\u00e7a do Cear\u00e1 <\/p>\n<p><\/strong> <\/p>\n<p>Galo-de-campina cantando  acanha a natureza. A cidade com o maior n\u00famero de profetas \u00e9 Quixad\u00e1. Em  Quixeramobim h\u00e1 tr\u00eas coisas grandes \u2014 a ponte, o nome da cidade e a  l\u00edngua do povo. O universo \u00e9 seguido pelas cores. Se o galo-de-campina  canta, pode ir para o ro\u00e7ado. A chuva n\u00e3o vai tardar. Cumaru, nesta  \u00e9poca, fica coberto como se fosse algod\u00e3o. Em sendo fevereiro, no meio  do ano j\u00e1 se sabe como vai ser a chuva. <\/p>\n<p>Toda \u00e1rvore cura doen\u00e7as.  S\u00e3o citadas uma a uma com as vantagens do ch\u00e1. \u00c1gua da Pirocaia era  vendida em carro\u00e7as puxadas por burro, em barris grandes. O povo pagava  por latas. Rezadeira reza sobre uma perna doente. \u201cQue \u00e9 que coso?\u201d  Resposta: \u201cOsso rendido, nervo trilhado e carne amassada\u201d. Nesse  di\u00e1logo, a rezadeira move um galho de \u201camor de cunh\u00e3\u201d at\u00e9 murchar. <\/p>\n<p>Lim\u00e3o  vermelho \u00e9 igual a uma farm\u00e1cia. Nos galhos podem-se enxertar v\u00e1rios  tipos de lim\u00f5es. \u00c9 planta da salva\u00e7\u00e3o. Vento do Aracati sopra de noite,  do mar para o continente. \u00c9 agrad\u00e1vel para as noites de calor. Dando a  volta em Quixad\u00e1, \u00e9 sinal de chuva. Foz do Aracati: \u00e1gua barrenta para  beber. <\/p>\n<p>Portugu\u00eas que mora no interior \u00e9 chamado de marinheiro.  Tem experi\u00eancia e viajou pelo mar. A\u00e7ude do Cedro \u00e9 no Quixad\u00e1. Foi  constru\u00eddo pelo imperador \u201cpara que nenhum cearense morra de sede\u201d. No  alto da serra, h\u00e1 uma pedra com formato de galinha choca. <\/p>\n<p>Um  homem estava com pequena faca na m\u00e3o. Apareceu uma on\u00e7a. Ele fez ora\u00e7\u00e3o.  \u201cMeu Padim Padre C\u00edcero, me ajude a matar essa on\u00e7a com este quic\u00e9.  Sen\u00e3o, preste aten\u00e7\u00e3o: arranje um banquinho e se sente, que voc\u00ea vai ver  a maior briga de um homem com uma on\u00e7a.\u201d <\/p>\n<p>Abelhas e marimbondos  d\u00e3o picadas que matam quando muitas. Por\u00e9m salvam de reumatismo se forem  poucas. Na fogueira de S. Jo\u00e3o, fim da noite, espalhar a brasa, abanar  as cinzas com chap\u00e9u. Depois, uma folha de laranja da boca, f\u00e9 em Deus.  Ande de um lado para outro para n\u00e3o queimar os p\u00e9s. A f\u00e9 cura. <\/p>\n<p>Reza nas prociss\u00f5es. Pedido, e a chuva chega logo, se De se Deus concordar. Prociss\u00e3o quando a santa balan\u00e7a e amea\u00e7a cair, h\u00e1  quem advirta: \u201cDevagar com o andor que a santa \u00e9 de barro\u201d. <\/p>\n<p>Padre  C\u00edcero n\u00e3o dava dinheiro. Ajudava a profiss\u00e3o de quem pedia. Chegou um  senhor no Juazeiro, pediu ajuda. Padre C\u00edcero indagou qual era a  profiss\u00e3o. Funileiro. Encomendou 200 lamparinas. N\u00e3o disse para qu\u00ea. O  homem pediu ajuda. N\u00e3o tinha dinheiro para encomenda t\u00e3o grande. Padre  C\u00edcero adiantou o que precisava. <\/p>\n<p>Sentindo que a umidade do ar  estava anunciando chuva, marcou no serm\u00e3o. \u201cAmanh\u00e3 vamos rezar para  chegar chuva. E cada pessoa procure o funileiro, compre sua lamparina. A  prociss\u00e3o \u00e9 de noite.\u201d A prociss\u00e3o se realizou e no dia seguinte a  chuva caiu forte. O funileiro fez o nome do padre e seguiu a viagem com  dinheiro que nunca havia visto. <\/p>\n<p>Diz a cren\u00e7a que \u201cquando o p\u00e9 da serra se pinta de vermelho, \u00e9 o pau-d\u00b4arco que fulora\u201d. A partir da\u00ed \u00e9 chuva de encher a\u00e7udes.  <\/p>\n<p>Vaqueiro  chegou \u00e0 casa do amigo. Logo lhe perguntaram: \u201cQue \u00e9 isso no seu olho,  compadre?\u201d Ele contou a hist\u00f3ria que estava correndo num cavalo atr\u00e1s de  uma r\u00eas na caatinga. Um galho seco passou no rosto e estragou a vista. A  dona da casa, que preparava a mesa, ouviu tudo e no final perguntou:  \u201cCompadre, o que \u00e9 isso no seu olho?\u201d. Mudou de assunto. <\/p>\n<p>Dois  jovens na obra do a\u00e7ude de Or\u00f3s viram que nada ia adiante. Um diz para o  outro: \u201cSe derramasse aqui a cerveja que os engenheiros bebem, dava  para encher o a\u00e7ude\u201d. <\/p>\n<p>Na pol\u00edtica do Cear\u00e1, havia candidato a  presidente do estado que n\u00e3o chegava a nenhum lugar sem foguetes  estourando. Cansado de tanto barulho, um caviloso resolveu surpreender  na chegada de Franco Rabelo. Soltou dezenas de foguetes sem o estampido.  O foguete subia e ca\u00eda sem papocar. <\/p>\n<p>A alegria da crian\u00e7ada era  tomar banho nas bocas de jacar\u00e9. A \u00e1gua da chuva ca\u00eda direto nas  cal\u00e7adas. Era alegria para a meninada. <\/p>\n<p>De mais a mais, quem tentar roubar as velhas lembran\u00e7as seja amarrado,  queimado e repreendido em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. <\/p>\n<p>(<strong>Coluna originalmente publicada em 5\/9\/2010<\/strong>) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br Lembran\u00e7a do Cear\u00e1 Galo-de-campina cantando acanha a natureza. 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