{"id":59,"date":"2015-01-23T09:21:00","date_gmt":"2015-01-23T11:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-21\/"},"modified":"2015-01-23T09:21:00","modified_gmt":"2015-01-23T11:21:00","slug":"visto_lido_e_ouvido-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-21\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO"},"content":{"rendered":"\n<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br <\/p>\n<p>Deus ex machina <\/p>\n<p>Em 2008, segundo a IBM, 2,5 quintilh\u00f5es de bytes foram produzidos  diariamente, sendo que, de l\u00e1 para c\u00e1, essa enorme massa de informa\u00e7\u00f5es  tem crescido a taxas astron\u00f4micas. Com tal volume de dados em circula\u00e7\u00e3o  pelo planeta, a express\u00e3o Big Data entrou para o vocabul\u00e1rio cotidiano  das pessoas e de conglomerados empresariais, num mundo conectado agora  pela informa\u00e7\u00e3o on-line. Hoje \u00e9 recorrente nas grandes empresas a  utiliza\u00e7\u00e3o do Big Data para levantamento estrat\u00e9gico de dados globais  para a execu\u00e7\u00e3o de determinado empreendimento. A pr\u00f3pria Petrobras usou  os dados colhidos pelo sistema do Big Data para levantamento de s\u00edtios  submarinos do pr\u00e9-sal onde a ocorr\u00eancia de petr\u00f3leo era mais fact\u00edvel.  Al\u00e9m de ferramenta das empresas para alavancar novos neg\u00f3cios, o Big&nbsp;  Data tem sido utilizado como importante e duvidoso meio de armazenamento  de informa\u00e7\u00f5es de dados pessoais dos indiv\u00edduos e de grupos. Essa \u00e9 uma  forma eletr\u00f4nica de garantir n\u00e3o s\u00f3 vultusos lucros financeiros, mas,  sobretudo, interferir ou mesmo manipular pessoas, a partir do  conhecimento das caracter\u00edsticas de cada um. <\/p>\n<p>Deus criou o homem e  o homem criou a m\u00e1quina. Dessa forma, a m\u00e1quina \u201cenxergaria\u201d no homem  seu deus e criador onipotente, a quem tudo \u00e9 poss\u00edvel. O ponto de apoio  buscado por Arquimedes para mover o mundo foi encontrado na web e sua  alavanca est\u00e1 na gigantesca base de dados colhida pelo Big&nbsp; Data. O  lugar por excel\u00eancia em que esse ponto de apoio \u00e9 buscado para \u201cerguer\u201d o  mundo tem endere\u00e7o \u201cgeogr\u00e1fico\u201d certo: as redes sociais de  relacionamentos.  <\/p>\n<p>Aproveitando-se, talvez, da crescente solid\u00e3o  individual num mundo cada vez mais globalizado, sites de relacionamento  como Facebook,Twitter,YouTube, Instagram, Tumblr, Flickr, Pinterest e  outros milhares de \u201cendere\u00e7os\u201d de encontros virtuais e trocas de  informa\u00e7\u00f5es t\u00eam se expandido a passos de gigante. Os especialistas nessa  mat\u00e9ria j\u00e1 apontam a informa\u00e7\u00e3o como a principal mercadoria de alto  valor econ\u00f4mico na atualidade.  <\/p>\n<p>O caso Edward Snowden, envolvendo coleta de bilh\u00f5es de dados em todo o  mundo, em nome de pretensa pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional, acendeu um  sinal de alerta por toda parte. Tamb\u00e9m o jeito despretensioso com que  milh\u00f5es de pessoas postam suas vidas na web, abrindo-se como num div\u00e3  psicanal\u00edtico, tem facilitado o trabalho dos coletores de dados. <\/p>\n<p>Recentemente,  os ju\u00edzes da Suprema Corte americana decidiram, em bloco, que o  conte\u00fado das informa\u00e7\u00f5es digitais dos telefones celulares tamb\u00e9m deveria  ser protegido da bisbilhotice dos agentes de pol\u00edcia, dando-lhe a mesma  inviolabilidade constitucional que os lares gozam contra as investidas  arbitr\u00e1rias do Estado.  <\/p>\n<p>Invas\u00e3o, s\u00f3 com mandado judicial. Ainda  assim, na esfera subliminar do mundo da informa\u00e7\u00e3o e da enorme massa de  dados acumulados, assiste-se a investida indiscriminada de toda sorte de  olheiros, sempre dispostos a tra\u00e7ar o perfil desse ou daquele potencial  cliente, eleitor, contribuinte ou o que valha.  <\/p>\n<p>Os governos,  principalmente os daqueles pa\u00edses em que as leis da inform\u00e1tica  inexistem, e mesmo naqueles cujas leis s\u00e3o letras mortas, representam os  maiores sorvedores de informa\u00e7\u00e3o. Em nome do Estado, n\u00e3o medem esfor\u00e7os  para saber da vida de todos e de cada um.O esc\u00e2ndalo mais novo nessa  xeretagem cibern\u00e9tica vem justamente do Facebook. Com apenas 10 anos de  cria\u00e7\u00e3o, o Facebook j\u00e1 age como raposa velha no mundo virtual.  <\/p>\n<p>Sob  o pretexto de realizar uma experi\u00eancia behaviorista e sem o  consentimento dos envolvidos, esse site manipulou seu feed de not\u00edcias  de quase 700 mil membros, separando-os entre aqueles que recebiam ou  emitiam boas not\u00edcias e aqueles que recebiam ou emitiam not\u00edcias ruins.  <\/p>\n<p>O estudo, reunido sob o t\u00edtulo Evid\u00eancia experimental de cont\u00e1gio  emocional em massa atrav\u00e9s de redes sociais, mostrou que os usu\u00e1rios do  Facebook difundiam indiscriminadamente e na velocidade da luz as suas  emo\u00e7\u00f5es estimuladas, negativa ou positivamente. Apesar das cr\u00edticas  vindas de diversos pesquisadores, a experi\u00eancia serviu para demonstrar a  capacidade que a m\u00eddia social tem de influenciar internautas. Isso na  mesma propor\u00e7\u00e3o em que as pessoas se exp\u00f5em nas redes. <\/p>\n<p>Outro  aspecto que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, com tamanha exposi\u00e7\u00e3o no mundo  virtual, as pegadas deixadas pelas pessoas s\u00e3o facilmente decifradas, a  ponto de gerar especialistas credenciados na interpreta\u00e7\u00e3o dos anseios  de cada um. Ao lado das diversas especialidades criadas ap\u00f3s o advento  dos computadores em rede, surge agora uma nova ci\u00eancia social, com o  pomposo nome de f\u00edsica social e que, \u00e0 semelhan\u00e7a das ci\u00eancias exatas,  dos quantitativos e vari\u00e1veis, seria capaz de prever aritmeticamente o  comportamento das pessoas ou grupos. Isso \u00e9 feito a partir de pistas  deixadas nas redes, tais como os produtos que compram, com quem se  relacionam, os exames m\u00e9dicos, a conta banc\u00e1ria, o Imposto de Renda,  filmes, m\u00fasicas baixadas, lugares prediletos e infinitas outras  informa\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p>Com esses dados \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um perfil  realista do indiv\u00edduo, pessoa, contribuinte, cliente, prevendo,  inclusive, seu comportamento como algo mensur\u00e1vel matematicamente. Num  planeta com tal volume de informa\u00e7\u00e3o circulante, no qual a personalidade  de cada um se perde como gotas no oceano imenso, o homem vai, pouco a  pouco, erguendo seu labirinto e perdendo, talvez, a \u00fanica riqueza que  possui: a individualidade e o car\u00e1ter sui generis de ser. <\/p>\n<p>(Coluna originalmente publicada em 13\/7\/2014) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br Deus ex machina Em 2008, segundo a IBM, 2,5 quintilh\u00f5es de bytes foram produzidos diariamente, sendo que, de l\u00e1 para c\u00e1, essa enorme massa de informa\u00e7\u00f5es tem crescido a taxas astron\u00f4micas. 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