{"id":60,"date":"2015-01-24T01:40:00","date_gmt":"2015-01-24T03:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-22\/"},"modified":"2015-01-24T01:40:00","modified_gmt":"2015-01-24T03:40:00","slug":"visto_lido_e_ouvido-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-22\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO"},"content":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br <\/p>\n<p><b>O voto contra a praga do  populismo <\/b> Interessante que o populismo \u00e9 um v\u00edrus que  contamina. O povo, querendo levar vantagem, aplaude com a ajuda da claque ou  chora levado pelo aux\u00edlio das carpideiras. De um lado, algu\u00e9m, l\u00e1 de cima, cospe  enquanto fala; de outro, muitos ningu\u00e9ns l\u00e1 debaixo aparam o cuspe e curtem o  que n\u00e3o entendem. Assim, os dois saem ganhando\u2014o que cospe e o que \u00e9 cuspido. O  que cospe, \u00e0s vezes, tem estudo, instru\u00e7\u00e3o. Quando n\u00e3o tem, chega com as plumas  do carisma. Os que recebem a saliva mal desenham as letras. Mas muitos chegam  pelas asas da sabedoria. Os outros ficam de fora. S\u00e3o p\u00e9 de burro. Foram feitos  para trabalhar com a finalidade de sustentar o show de cusparadas. Pagam com  meses de trabalho. Teimam em ser honestos. Enxergam cada passo, cada manobra, cada palavra aerada. O  populismo \u00e9, antes de tudo, uma enfermidade que acomete o sistema democr\u00e1tico de  representa\u00e7\u00e3o. O c\u00edrculo \u00e9 constru\u00eddo desde o voto ao discurso. Do discurso ao  voto. Cada vez mais comum na Am\u00e9rica Latina, essa  modalidade de pr\u00e1tica pol\u00edtica tem o suporte do marketing desenvolvido em  escrit\u00f3rios para desenhar e tra\u00e7ar a figura do l\u00edder que ser\u00e1 destacado. Estudam  os dentes, os cabelos, os gestos, a fala, o olhar, o choro, o riso. D\u00e3o uma  humanizada no candidato. Treinam a imposta\u00e7\u00e3o, as olhadas para as c\u00e2meras, as  roupas, os sapatos, a cor da gravata combina com o assunto, com o estado, com o  pa\u00eds. Se usa ou n\u00e3o alian\u00e7a. Se usa ou n\u00e3o rel\u00f3gio. Se escolhe o rel\u00f3gio caro,  logo \u00e9 furtado durante os abra\u00e7os. Encadernam a cal\u00fania e a difama\u00e7\u00e3o para  qualquer necessidade de golpe necess\u00e1rio em \u00faltima hora. Contra isso, caminha  uma lei. Ah, sim! O discurso tamb\u00e9m tem as letras passadas em pente-fino. Nada  de usar palavras negativas, como &#8220;fome&#8221; ou &#8220;zero&#8221;. Isso traz m\u00e1 sorte. Qualquer  projeto que busque sucesso tem que trazer todas as palavras com sentido  positivo. Puxar a realidade dos ouvintes para traz\u00ea-los ao discurso \u00e9 o come\u00e7o  preferido. Da\u00ed cria-se o la\u00e7o. Em seguida, todos os exemplos parecem servir como  um manto. O manto da manipula\u00e7\u00e3o. E, manipulada, toda massa quer mais \u00e9  crescer, desde que o fermento seja a seu favor e, de prefer\u00eancia, sem  responsabilidades e compromissos em troca. Na mesma medida em que as promessas  foram feitas. \u00c9 uma alimenta\u00e7\u00e3o compartilhada que vai e volta. De mentiras e  afagos. Todos saem satisfeitos e felizes. Apoiado pelas regras, o sistema eleitoral  brasileiro enaltece quando destaca a figura do l\u00edder carism\u00e1tico dos demais  poderes da Rep\u00fablica. Eles s\u00e3o colocados acima dos partidos e do pr\u00f3prio Estado  e em liga\u00e7\u00e3o direta com as massas, que passam a ver na pessoa a encarna\u00e7\u00e3o de um  pretenso salvador da p\u00e1tria e dos oprimidos. O her\u00f3i ideal que parece real. No  mesmo sentido se encaminham as chamadas leis populistas. Chegam sob medida,  literalmente. Muitas vezes como medidas provis\u00f3rias. T\u00eam o intuito de atender os  reclames de grupos, geralmente amigos, \u00e0 custa do er\u00e1rio, colocando em risco o  futuro da sociedade como um todo. Toda a a\u00e7\u00e3o populista \u00e9 imediatista e tem  por objetivo trazer benef\u00edcios eleitoreiros. De um lado, est\u00e3o os que n\u00e3o se  enxergam com poder. Por isso, vendem o voto. De outro, o l\u00edder considerado o pai  da p\u00e1tria. E \u00e9 justamente por meio dessa pr\u00e1tica que v\u00e3o se diluindo as  fronteiras que separam a coisa (res)p\u00fablica da privada. Ao cidad\u00e3o ficam as  contas e promiss\u00f3rias vindas dessa doen\u00e7a pol\u00edtica, dessa anomalia sustentada  pela falta de atitude. Bras\u00edlia, vestida em uma concep\u00e7\u00e3o moderna, mergulha  nessa pr\u00e1tica desde a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. J\u00e1 dizia o fil\u00f3sofo de Mondubim: &#8220;H\u00e1  mais mist\u00e9rios entre a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes e a Pra\u00e7a do Buriti do que a nossa  imagina\u00e7\u00e3o possa alcan\u00e7ar&#8221;. Sentadinha, com uma venda nos olhos, dona  Themis nem imagina o que est\u00e1 por vir. Medidas provis\u00f3rias assinadas \u00e0s pressas  v\u00e3o parar na mesa dos ministros do STF, que tomar\u00e3o a impopular decis\u00e3o de  reconhecer a inconstitucionalidade da promessa. Da\u00ed, todo aquele festejo, que  ficou na cabe\u00e7a do povo como gratid\u00e3o \u00e0 ajuda para burlar as regras, n\u00e3o ser\u00e1  real. Mas a ideia ficou grudada na \u00e1re do c\u00e9rebro que processa a felicidade.  Outra receita de populismo, tamb\u00e9m \u00e0 moda candanga, foi a aliena\u00e7\u00e3o de bens  im\u00f3veis p\u00fablicos para as entidades religiosas e de assist\u00eancia social que &#8220;n\u00e3o  atenderem as fun\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas setoriais do Estado&#8221; e que passaram,  exclusivamente, a ser objetos de aliena\u00e7\u00e3o mediante autoriza\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara  Legislativa. L\u00e1 est\u00e1 nas m\u00e3os dos deputados distritais a maquininha da barganha  bem possante e envenenada. Mesmo que isso custe a desorganiza\u00e7\u00e3o urbana da  cidade. Mas \u00e9 outra pisada na lacuna. O ministro Joaquim Barbosa, do STF, disse  em uma situa\u00e7\u00e3o parecida: &#8220;A aliena\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos deve ser efetivada  obrigatoriamente mediante licita\u00e7\u00e3o&#8221;. A \u00faltima medida populista \u00e9 nova. Veio pela  Lei n\u00ba 1.668, deste ano, que vai obrigar o GDF a pagar as rescis\u00f5es e  indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas dos rodovi\u00e1rios dispensados pelas empresas que perderam na concorr\u00eancia  p\u00fablica a renova\u00e7\u00e3o de suas linhas. Assim \u00e9 que, depois de d\u00e9cadas prestando um  p\u00e9ssimo servi\u00e7o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, e recebendo por isso somas incalcul\u00e1veis de  dinheiro do contribuinte, esses mesmos empres\u00e1rios deixam, mais uma vez, as  contas trabalhistas de suas empresas nas costas dos pagadores de impostos. Isso  \u00e9 o populismo na sua vers\u00e3o mais acabada. Passa r\u00e1pido o tempo. Os pol\u00edticos se  articulam pelas elei\u00e7\u00f5es. Seu voto ser\u00e1 pelas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br O voto contra a praga do populismo Interessante que o populismo \u00e9 um v\u00edrus que contamina. 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