{"id":6740,"date":"2015-11-24T06:27:57","date_gmt":"2015-11-24T08:27:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=6740"},"modified":"2015-11-25T06:27:47","modified_gmt":"2015-11-25T08:27:47","slug":"cidades-vivas-e-cuidadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/cidades-vivas-e-cuidadas\/","title":{"rendered":"Cidades vivas e cuidadas"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para as cidades, qualquer uma, n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. Contrariamente ao que pensa a maioria das pessoas, a cidade \u00e9 organismo vivo: nasce, cresce, se desenvolve, entra em fal\u00eancia e, em alguns casos, s\u00e3o abandonadas e simplesmente deixam de existir. Ru\u00ednas espalhadas por todo o planeta, como l\u00e1pides encobertas pela vegeta\u00e7\u00e3o, provam que as cidades morrem n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 inc\u00faria individual de seus governantes, mas sobretudo por a\u00e7\u00f5es indevidas de cada um dos seus habitantes.<\/p>\n<p>De todos os males que afetam uma cidade, nenhum \u00e9 mais fatal do que o desprezo pelos m\u00e9todos de planejamento contidos no urbanismo. \u00c0 semelhan\u00e7a dos humanos, a sa\u00fade de uma metr\u00f3pole requer s\u00e9rie de medidas preventivas que s\u00f3 o planejamento urbano met\u00f3dico, feito por especialistas no assunto e com base em estudos cient\u00edficos, \u00e9 capaz de prover.<\/p>\n<p>Em oportuna reportagem, feita por Fl\u00e1via Maia, do Correio para o Caderno Cidades desse domingo, intitulada \u201cA crescente mancha urbana do DF\u201d, ficou demonstrado que, desde a cria\u00e7\u00e3o, Bras\u00edlia sofreu processo de expans\u00e3o acelerado que multiplicou em 15 vezes a ocupa\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>O incha\u00e7o da cidade foi particularmente mais significativo a partir da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da capital, trazida pela Carta de 1988. J\u00e1 pelos 18 anos seguintes, at\u00e9 2006, durante a gest\u00e3o de Joaquim Roriz, \u201ca mancha urbana duplicou, passando de 30.962 hectares ocupados para 64.690\u201d. Nesse per\u00edodo, nada menos do que 22 regi\u00f5es administrativas foram criadas.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, feita por grandes empreiteiros e pol\u00edticos gananciosos, elevou a ritmo de ocupa\u00e7\u00e3o das terras p\u00fablicas a patamares nunca vistos. A consequ\u00eancia dessa mudan\u00e7a no status pol\u00edtico da capital, com a forma\u00e7\u00e3o de governan\u00e7as baseadas na troca de favores (lote por voto) e em que n\u00e3o s\u00f3 o GDF, mas a C\u00e2mara Legislativa teve participa\u00e7\u00e3o efetiva, pode ser presenciada hoje no dia a dia da popula\u00e7\u00e3o brasiliense, com os sistem\u00e1ticos congestionamentos no tr\u00e2nsito, nos servi\u00e7os p\u00fablicos, no aumento da viol\u00eancia, na amea\u00e7a de falta de \u00e1gua e outros males urbanos.<\/p>\n<p>Ao lan\u00e7ar na lata de lixo os preceitos do urbanismo, em troca de solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis a curto prazo, quem paga, como sempre, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, causa estranheza que, diante do comprometimento do futuro da cidade, o atual governo anuncie a acelera\u00e7\u00e3o na venda dos lotes em condom\u00ednios apenas para fazer caixa e ampliar investimentos. \u00c9 bom que o GDF mire nos erros cometidos por gest\u00f5es passadas, reflita sobre eles, olhando a cidade em volta, antes de lan\u00e7ar os dados sobre a delicada quest\u00e3o das terras p\u00fablicas, ou seja ,das terras de todos os brasilienses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Para as cidades, qualquer uma, n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. Contrariamente ao que pensa a maioria das pessoas, a cidade \u00e9 organismo vivo: nasce, cresce, se desenvolve, entra em fal\u00eancia e, em alguns casos, s\u00e3o abandonadas e simplesmente deixam de existir. 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