{"id":6984,"date":"2015-12-10T08:10:48","date_gmt":"2015-12-10T10:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=6984"},"modified":"2015-12-30T08:11:31","modified_gmt":"2015-12-30T10:11:31","slug":"conjunturas-na-lente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/conjunturas-na-lente\/","title":{"rendered":"Conjunturas na lente"},"content":{"rendered":"<p>Diz o fil\u00f3sofo de Mondubim que quando a mis\u00e9ria entra pela porta, a vergonha sai pela janela. Durante o per\u00edodo da grande depress\u00e3o de 1929, a lei da selva retornou \u00e0s principais metr\u00f3poles do planeta. Principalmente naquelas em que a cren\u00e7a nos valores da civiliza\u00e7\u00e3o era mais aceita e difundida. Prostitui\u00e7\u00e3o, contrabando, assaltos, falsifica\u00e7\u00f5es e contraven\u00e7\u00f5es, entre outras, aumentaram assustadoramente. A mis\u00e9ria e a falta de perspectivas empurraram muitas pessoas e at\u00e9 fam\u00edlias inteiras para o mundo do crime. Nunca se jogou e bebeu tanto como naquele per\u00edodo. As organiza\u00e7\u00f5es do crime se fortaleceram e, com elas, aumentaram tamb\u00e9m os casos de corrup\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os p\u00fablicos. Nem institui\u00e7\u00f5es, como a pol\u00edcia, e os pol\u00edticos foram exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>Por baixo da mis\u00e9ria material, fermentou-se o caldo da mis\u00e9ria moral. Juntas, essas mazelas. galgariam altos postos no comando das cidades. Poucas institui\u00e7\u00f5es ficaram totalmente a salvo da degrada\u00e7\u00e3o geral. Numa an\u00e1lise mais detida, \u00e9 poss\u00edvel constatar que a abdu\u00e7\u00e3o da classe pol\u00edtica, feita pelo submundo do crime, resultou num agravamento sem precedentes desse quadro e, na vis\u00e3o da \u00e9poca, tornou ainda mais dif\u00edcil a solu\u00e7\u00e3o para o caos instalado. Quando pol\u00edcia e pol\u00edticos come\u00e7am a aparecer juntos na mesma manchete do notici\u00e1rio, \u00e9 sinal de que o Estado est\u00e1 em vias de ser dominado pela bandidagem.<\/p>\n<p>Crises s\u00e3o as piores conselheiras. Na maioria das vezes, a sa\u00edda r\u00e1pida para um problema estrutural e complexo nunca \u00e9 simples e quase nunca se resolve pulando a janela para fugir. Na crise atual em que est\u00e1 mergulhado o pa\u00eds, para muitos a maior desde sempre, n\u00e3o h\u00e1 nas solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis um rem\u00e9dio eficaz. N\u00e3o ser\u00e1 com arrochos improvisados nos impostos e outras maquinarias que a crise arrefecer\u00e1. Muito menos com a libera\u00e7\u00e3o dos jogos de azar e dos cassinos e bingos.<\/p>\n<p>Na verdade, a explora\u00e7\u00e3o desses neg\u00f3cios, muitas vezes, \u00e9 feita por pessoas com s\u00e9rias d\u00edvidas com a Justi\u00e7a e com longas fichas criminais. Usar a ideia de taxa\u00e7\u00e3o sobre os jogos como estrat\u00e9gia para aumentar as receitas da Uni\u00e3o equivale a negociar a alma da na\u00e7\u00e3o, fazendo empr\u00e9stimos junto \u00e0 bandidagem, usando como garantia o bom nome dos cidad\u00e3os. Para um Estado onde a seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o controla nem os chef\u00f5es do crime confinados nas penitenci\u00e1rias de seguran\u00e7a m\u00e1xima, controlar os tent\u00e1culos da jogatina e seu enorme poder de influ\u00eancia parece at\u00e9 fic\u00e7\u00e3o do tipo realismo fant\u00e1stico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz o fil\u00f3sofo de Mondubim que quando a mis\u00e9ria entra pela porta, a vergonha sai pela janela. Durante o per\u00edodo da grande depress\u00e3o de 1929, a lei da selva retornou \u00e0s principais metr\u00f3poles do planeta. Principalmente naquelas em que a cren\u00e7a nos valores da civiliza\u00e7\u00e3o era mais aceita e difundida. 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