{"id":7018,"date":"2015-12-12T08:29:12","date_gmt":"2015-12-12T10:29:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7018"},"modified":"2015-12-30T08:29:42","modified_gmt":"2015-12-30T10:29:42","slug":"tracos-e-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/tracos-e-destino\/","title":{"rendered":"Tra\u00e7os e destino"},"content":{"rendered":"<p>Curioso notar, nos tra\u00e7os de personalidade da presidente Dilma, comportamento singular para pessoa envolta por enormes turbul\u00eancias provocadas pelo processo de impeachment. Na opini\u00e3o daquelas pessoas que em algum momento conviveram com ela, Dilma nunca escondeu seu car\u00e1ter voluntarista, com fortes doses de arrog\u00e2ncia, pr\u00f3ximas da mais pura falta de educa\u00e7\u00e3o. Esse comportamento, pouco amistoso e desconfiado, granjeou ao longo do mandato um sem n\u00famero de desafetos, em variados graus de descontentamento. Diferentemente da personalidade vaselina e escorregadia de Lula, para quem todos t\u00eam um pre\u00e7o, e de Fernando Henrique, para quem a melhor arma est\u00e1 no di\u00e1logo diplom\u00e1tico estilo professoral, Dilma tem talento nato para espantar as pessoas \u00e0 sua volta, com grosserias e mandonismos semelhantes aos de uma crian\u00e7a mimada e birrenta.<\/p>\n<p>Para alguns desses muitos destratados pela presidente, o comportamento grotesco de Dilma parece ter se originado l\u00e1 tr\u00e1s, quando experimentou overdoses de tortura pelo aparelho de Estado. Nesse ponto, psic\u00f3logos s\u00e3o un\u00e2nimes em admitir que sess\u00f5es de torturas, como as sofridas pela presidente, t\u00eam a capacidade de deflagrar mecanismos internos de autodefesa duradouros, que, em algum instante da vida, afloram com mais intensidade, criando esp\u00e9cie de armadura externa e permanente, provocando na pessoa estado latente de sobreaviso com rela\u00e7\u00e3o a todos em volta.<\/p>\n<p>Especialistas no assunto concordam que dentro da sintomatologia desses casos, existe sim a ocorr\u00eancia de patologia espec\u00edfica, originada do processo traumatizante de demoli\u00e7\u00e3o da pessoa em seus valores e convic\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. A v\u00edtima de tortura experimenta ainda esp\u00e9cie de desorganiza\u00e7\u00e3o, conhecida como esvaziamento narcisista, em que sua identidade e hist\u00f3ria s\u00e3o arrancadas de forma traum\u00e1tica, deflagrando nela um tipo de interioriza\u00e7\u00e3o do terror ou de ferida aberta, sempre pronta para sangrar.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, em que o regime presidencialista ainda n\u00e3o se livrou das origens hist\u00f3ricas, e por isso mesmo \u00e9 exercido de forma quase imperial, com absoluta concentra\u00e7\u00e3o de poderes, qualquer comportamento psicol\u00f3gico do chefe do Executivo que foge ao padr\u00e3o geral se reflete imediatamente na cadeia de comando, com resultados sempre inesperados e ins\u00f3litos.<\/p>\n<p>Inconscientemente, ou n\u00e3o, a performance da presidente Dilma \u00e0 frente do Executivo reflete em maior ou menor grau as experi\u00eancias sofridas ainda na \u00e9poca da milit\u00e2ncia clandestina. O pior nesse caso \u00e9 que os torturados agora s\u00e3o os milh\u00f5es de brasileiros que sofrem com um governo ca\u00f3tico e que ter\u00e3o, por d\u00e9cadas, de recolher os cacos todos dessa loucura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curioso notar, nos tra\u00e7os de personalidade da presidente Dilma, comportamento singular para pessoa envolta por enormes turbul\u00eancias provocadas pelo processo de impeachment. Na opini\u00e3o daquelas pessoas que em algum momento conviveram com ela, Dilma nunca escondeu seu car\u00e1ter voluntarista, com fortes doses de arrog\u00e2ncia, pr\u00f3ximas da mais pura falta de educa\u00e7\u00e3o. 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