{"id":7123,"date":"2015-12-20T09:37:27","date_gmt":"2015-12-20T11:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7123"},"modified":"2015-12-30T09:37:51","modified_gmt":"2015-12-30T11:37:51","slug":"desgovernado-e-nos-trilhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/desgovernado-e-nos-trilhos\/","title":{"rendered":"Desgovernado e nos trilhos"},"content":{"rendered":"<p>Com a confirma\u00e7\u00e3o pelo Supremo Tribunal Federal, abrindo ao Senado a possibilidade n\u00e3o s\u00f3 de validar por maioria simples o afastamento de Dilma Rousseff por seis meses, como rever toda a decis\u00e3o adotada pela C\u00e2mara, a judicializa\u00e7\u00e3o do rito de impeachment, que \u00e9 um processo eminentemente pol\u00edtico, ganha protagonismo.<\/p>\n<p>A maioria da popula\u00e7\u00e3o, que enxerga no atual governo a origem de toda a crise, ter\u00e1 que aguardar, at\u00e9 o fim do recesso, para saber que caminhos as autoridades apontam para tirar o pa\u00eds do fosso. At\u00e9 l\u00e1, muita coisa pode acontecer, a come\u00e7ar pela mobiliza\u00e7\u00e3o das ruas e radicaliza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3 e contra o impeachment.<\/p>\n<p>Para muita gente lida, vista e ouvida, a decis\u00e3o da Corte Suprema, dando sobrevida a Dilma, n\u00e3o surpreendeu, pois muitos identificam no STF uma inst\u00e2ncia simp\u00e1tica aos desejos de um governo que, ao fim ao cabo, indicou a maioria dos atuais ministros. H\u00e1 inclusive quem acredite que o voto do relator, Edson Fachin, a favor do rito da C\u00e2mara, deu a senha para a mudan\u00e7a de rumos dos demais ministros, numa a\u00e7\u00e3o combinada nos bastidores.<\/p>\n<p>O advogado-geral da Uni\u00e3o, Lu\u00eds Adams, ao comemorar a vit\u00f3ria no STF com a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co trem entrou nos trilhos\u201d, deixou d\u00favidas se, no caso, o trem era o processo em si ou a pr\u00f3pria Corte, que votou de acordo com as necessidades do governo. De toda a forma, o que se tem, com a decis\u00e3o final do STF sobre o rito do impeachment, \u00e9 a volta aos trilhos da pr\u00f3pria crise, pelo prolongamento do percurso e do tempo que esse trem ter\u00e1 ainda que percorrer.Em outra frente, o governo volta a intervir indevidamente no PMDB, reconduzindo, de forma artificial, o deputado amigo Leonardo Picciani (PMDB-RJ) na lideran\u00e7a do partido. Essa recoloca\u00e7\u00e3o do \u201chomem do Planalto\u201d, chamado por alguns de \u201cl\u00edder paraguaio\u201d, garante a indica\u00e7\u00e3o de nomes contr\u00e1rios ao impeachment de Dilma na comiss\u00e3o a ser novamente formada. Da\u00ed ter\u00e1 o poder de criar feridas profundas nessa legenda, aprofundando o racha e tornando ainda mais incertos os rumos desse partido.<\/p>\n<p>\u00c0 cole\u00e7\u00e3o de pessoas magoadas pela atual ocupante do Planalto, soma-se agora parte significativa do maior partido de sua base de apoio. Durante o recesso do Judici\u00e1rio e do parlamento, o Executivo vai trabalhar em todas as frentes para soterrar, de vez, o processo de impeachment.<\/p>\n<p>Nessas negocia\u00e7\u00f5es, sabe-se que o pre\u00e7o cobrado pelo apoio \u00e9 sempre exorbitante. Diante de uma situa\u00e7\u00e3o em que os especialistas j\u00e1 denominam de depress\u00e3o econ\u00f4mica, o labirinto que o governo teceu com as pr\u00f3prias m\u00e3os amea\u00e7a enredar tamb\u00e9m os brasileiros. Todos, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a confirma\u00e7\u00e3o pelo Supremo Tribunal Federal, abrindo ao Senado a possibilidade n\u00e3o s\u00f3 de validar por maioria simples o afastamento de Dilma Rousseff por seis meses, como rever toda a decis\u00e3o adotada pela C\u00e2mara, a judicializa\u00e7\u00e3o do rito de impeachment, que \u00e9 um processo eminentemente pol\u00edtico, ganha protagonismo. 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