{"id":7360,"date":"2016-01-06T19:48:42","date_gmt":"2016-01-06T21:48:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7360"},"modified":"2016-01-11T19:49:32","modified_gmt":"2016-01-11T21:49:32","slug":"correndo-atras-da-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/correndo-atras-da-sombra\/","title":{"rendered":"Correndo atr\u00e1s da sombra"},"content":{"rendered":"<div>Mau agouro antigo vaticinava que alguns pa\u00edses estariam condenados a passar direto do est\u00e1gio evolutivo da barb\u00e1rie \u00e0 decad\u00eancia, sem contudo, experimentar os frutos intermedi\u00e1rios e saborosos da civiliza\u00e7\u00e3o. Tal parece ser o destino do Brasil. Depois de adiar sine die momento em que finalmente integraria o seleto grupo de pa\u00edses desenvolvidos \u2014 eis que o Cristo, redentor de nossas eternas mazelas, arremete violentamente contra o solo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O \u201cBrazil\u2019s fall\u201d, retratado na capa da primeira edi\u00e7\u00e3o de 2016 da prestigiosa revista brit\u00e2nica The Economist, mostra que o pa\u00eds, sede das Olimp\u00edadas, ter\u00e1 desastroso ano pela frente. Como o magazine \u00e9 fonte de consulta obrigat\u00f3ria para investidores de todas os matizes, a internacionaliza\u00e7\u00e3o das nossas agruras internas ganha o mundo em manchetes, expondo a nu um governo que \u00e9 a cara dos efeitos que desencadeou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Analisada de forma sucinta, a crise \u00e9 o governo em si, com nome e sobrenome e n\u00e3o qualquer outro fator ex\u00f3geno relevante, como certamente usar\u00e3o para culpar a China. O desmonte, na und\u00e9cima hora, de experimentos como o Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o de Investimentos (PSI), contidos na cartilha bolivariana da nova matriz macroecon\u00f4mica, deixa claro que despejar R$ 362 bilh\u00f5es do BNDES para os campe\u00f5es de produtividade n\u00e3o foi bom neg\u00f3cio para o pa\u00eds. O que restou da chamada bolsa empres\u00e1rio foi passivo de R$ 214 bilh\u00f5es, que entrar\u00e1 no livro de contabilidade da Uni\u00e3o como d\u00edvida p\u00fablica a ser paga, obviamente, pelo contribuinte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dentro da peculiar l\u00f3gica petista de lidar com as teses do capitalismo, a retroalimenta\u00e7\u00e3o da crise, com mais e mais endividamento, ter\u00e1 desdobramentos t\u00e3o inusitados, que n\u00e3o ser\u00e1 surpresa se o pa\u00eds regredir d\u00e9cadas. Exemplo desse modelo em que quase 600 mil investidores remuneram suas aplica\u00e7\u00f5es \u00e0 custa do endividamento p\u00fablico \u00e9 o Tesouro Direto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na pr\u00e1tica, o que ocorre \u00e9 aposta na crise. O indicador de rentabilidade desse papel \u00e9 dado pelo n\u00edvel de endividamento do governo. Quanto maior a d\u00edvida, maior o lucro dos investidores. Com matem\u00e1tica desse n\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 por acaso que adornamos, pelos motivos errados, as capas dos principais notici\u00e1rios do planeta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Correndo atr\u00e1s da sombra que se alonga \u00e0 medida que o ocaso de nossa economia se evidencia, o governo, em vez prestigiar os ajustes e corre\u00e7\u00f5es apontadas por um Levy bem avaliado mundo afora, opta por um Barbosa, que tem no curr\u00edculo a paternidade da crise. Governos e chefes med\u00edocres querem gente competente bem longe.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Buscando minorar os efeitos da crise pelo lado errado, o governo aumentou de R$ 6,7 bilh\u00f5es para R$ 7,2 bilh\u00f5es as verbas destinadas a emendas partid\u00e1rias, no melhor estilo molhando as m\u00e3os de seus pretensos avalistas. No mesmo sentido, Dilma Rousseff aumentou de R$ 289 milh\u00f5es para R$ 867,5 milh\u00f5es o valor destinado ao Fundo Partid\u00e1rio. O mensalinho oficial tem finalidade que, se n\u00e3o atende ao reclame republicano, ao menos abre perspectiva de remiss\u00e3o dos pecados do governo, no mesmo molde das antigas indulg\u00eancias concedidas pela igreja.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De qualquer forma, o fogo do impeachment, que h\u00e1 a meses vem fritando o governo pelas beiradas, j\u00e1 deixou sinais indel\u00e9veis, marcando-o com a cicatriz do pior da hist\u00f3ria, por qualquer lado que se analise. Isso n\u00e3o \u00e9 pouco. Nem tudo. Vem muito mais por a\u00ed.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mau agouro antigo vaticinava que alguns pa\u00edses estariam condenados a passar direto do est\u00e1gio evolutivo da barb\u00e1rie \u00e0 decad\u00eancia, sem contudo, experimentar os frutos intermedi\u00e1rios e saborosos da civiliza\u00e7\u00e3o. Tal parece ser o destino do Brasil. 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