{"id":7368,"date":"2016-01-07T19:54:32","date_gmt":"2016-01-07T21:54:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7368"},"modified":"2016-01-11T19:55:28","modified_gmt":"2016-01-11T21:55:28","slug":"saude-na-sala-de-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/saude-na-sala-de-espera\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade na sala de espera"},"content":{"rendered":"<div>Na sa\u00fade de uma \u00fanica pessoa, como de uma popula\u00e7\u00e3o inteira, o mais importante e urgente \u00e9 o diagn\u00f3stico correto \u2014 o primeiro e mais eficaz rem\u00e9dio. Na gest\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 diferente. Estrat\u00e9gias e planejamentos racionalizados seguem o caminho apontado pela an\u00e1lise dos problemas, as causas e poss\u00edveis medidas profil\u00e1ticas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No caso da sa\u00fade p\u00fablica no Distrito Federal, que ao longo dos anos vem acumulando sequ\u00eancia ininterrupta de falhas de toda ordem, chama a aten\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de mecanismos de profilaxia, a\u00e7\u00f5es preventivas. A din\u00e2mica das mudan\u00e7as de governo n\u00e3o deve nem pode servir de pretexto para interrup\u00e7\u00f5es desse servi\u00e7o essencial ao cidad\u00e3o. Na verdade, a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a ainda bem longe dos hospitais, com servi\u00e7os b\u00e1sicos de a\u00e7\u00f5es preventivas, equipes em campos avan\u00e7ados, trabalhando junto das comunidades com o prop\u00f3sito de esclarecer, orientar e instruir o cidad\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Da reuni\u00e3o entre o governador Rodrigo Rollemberg e os diretores dos 16 hospitais da rede p\u00fablica do DF, um primeiro diagn\u00f3stico dos problemas da \u00e1rea aponta a quest\u00e3o do fator humano como principal e grande causa da situa\u00e7\u00e3o de caos vivida pelo setor: desorganiza\u00e7\u00e3o das escalas dos profissionais (m\u00e9dicos, enfermeiros e pessoal t\u00e9cnico de apoio), al\u00e9m da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o e da falta de medicamentos, equipamentos e acess\u00f3rios em geral.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Assim como a comunidade carece de servi\u00e7os de sa\u00fade preventiva, o sistema p\u00fablico de sa\u00fade necessita, com urg\u00eancia, de processo permanente de forma\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o de recursos humanos. A capital do pa\u00eds \u00e9 a unidade federativa que conta com o maior n\u00famero de m\u00e9dicos atendendo na rede p\u00fablica de sa\u00fade. S\u00e3o 4,28 profissionais para cada grupo de mil pessoas. S\u00e3o 10.173 m\u00e9dicos, entre especialistas e generalistas, listados na folha de pagamento da Secretaria de Sa\u00fade e, teoricamente, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o diuturna dos brasilienses.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar do n\u00famero satisfat\u00f3rio, t\u00eam sido frequentes os casos de n\u00e3o atendimento ao cidad\u00e3o por falta de profissionais ao trabalho. Salta aos olhos da popula\u00e7\u00e3o que, mais do que a escala mal administrada, a presen\u00e7a dos m\u00e9dicos no local de trabalho n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria. Quem buscou hospitais e postos de sa\u00fade durante os feriados de Natal e ano-novo sentiu o problema mais de perto. Mesmo a parcela que tem a sorte de ser atendida reclama da superficialidade no atendimento, que, na maioria das vezes, \u00e9 feita em minutos, de forma rasa, n\u00e3o raro com desd\u00e9m e muitas vezes com arrog\u00e2ncia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 comum ver m\u00e3es com os filhos ardendo em febre aguardando por v\u00e1rias horas pelo atendimento, sem sucesso. Algumas se descontrolam em meio ao desespero. Soube de uma paciente que fez um discurso no Hospital do Gama. Dizia que ningu\u00e9m que atendia ali estava fazendo favor. Falava em voz alta que trabalhava 14 horas por dia e pagava todos os impostos. O mesmo teria que ocorrer com os profissionais da sa\u00fade. Trabalhar e honrar o sal\u00e1rio. Todos pensavam o mesmo e mostravam a insatisfa\u00e7\u00e3o com o desprezo do governo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O atendimento de m\u00e1 qualidade resulta em diagn\u00f3stico errado, com s\u00e9rios riscos para o paciente. Por qualquer lado que se encare o problema da sa\u00fade p\u00fablica no DF, o diagn\u00f3stico aponta a mesma causa: defici\u00eancia na gest\u00e3o dos recursos humanos. A quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 a escassez de recursos e de espa\u00e7os f\u00edsicos adequados, mas de gest\u00e3o de pessoas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 bom que se diga que muitos hospitais n\u00e3o fecharam as portas porque a enfermagem e o corpo administrativo fazem de tudo para mant\u00ea-los. H\u00e1 m\u00e9dicos tamb\u00e9m que se sacrificam com pesadas jornadas mesmo com a falta de respaldo material para cumprir o dever. Nobre o gesto do governador Rodrigo Rollemberg, mas, mais do que gestos, a sa\u00fade precisa de gest\u00e3o.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sa\u00fade de uma \u00fanica pessoa, como de uma popula\u00e7\u00e3o inteira, o mais importante e urgente \u00e9 o diagn\u00f3stico correto \u2014 o primeiro e mais eficaz rem\u00e9dio. 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