{"id":7402,"date":"2016-01-09T20:29:34","date_gmt":"2016-01-09T22:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7402"},"modified":"2016-01-11T20:29:57","modified_gmt":"2016-01-11T22:29:57","slug":"quando-a-paixao-atrasa-um-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/quando-a-paixao-atrasa-um-povo\/","title":{"rendered":"Quando a paix\u00e3o atrasa um povo"},"content":{"rendered":"<p>Semelhan\u00e7as entre pol\u00edtica e futebol, da forma como s\u00e3o praticados hoje no Brasil, v\u00e3o ficando maiores a cada dia. Partidos pol\u00edticos e times de futebol est\u00e3o t\u00e3o iguais que, um dia, correm o risco de se confundirem. No campeonato da democracia, entram em campo as legendas partid\u00e1rias com time devidamente escalado pelo t\u00e9cnico, geralmente, um l\u00edder partid\u00e1rio. No pleito da bola, os jogadores, comprados a pre\u00e7os fabulosos, formam o time de estrelas cujo l\u00edder \u00e9 o treinador. Em ambas as agremia\u00e7\u00f5es, o cartola e maioral \u00e9 tamb\u00e9m o presidente.<\/p>\n<p>Ao dono da bola corresponde o cacique da bancada. A bola e as negocia\u00e7\u00f5es rolam soltas. O jogo \u00e9 bruto: deslealdades, caneladas, catimbadas e votos secretos. Conchavos, bola fora, na busca por trof\u00e9us recheados de dinheiro ou pela vit\u00f3ria nas urnas vale tudo.<\/p>\n<p>\u00c0 cartolagem e aos l\u00edderes partid\u00e1rios interessam tanto o lucro das luvas, das transmiss\u00f5es e do patroc\u00ednio, quanto o loteamento dos cargos e as negociatas da venda de apoios. Vencer \u00e9 lucrar. Para isso, o time tem que estar coeso ou o partido, unido. O objetivo \u00e9 ganhar sempre. N\u00e3o interessa a plateia. Muda-se o elenco do time ou troca-se de partido como quem muda de roupa, pouco importa. Vestir a camisa \u00e9 para o tempo em que a ideologia falava mais alto que a grana.<\/p>\n<p>Esquerda ou direita jogam o mesmo jogo, o importante \u00e9 avan\u00e7ar al\u00e9m do meio campo, al\u00e9m do que reza o estatuto e as leis. Marcar o gol vem primeiro. Regras v\u00eam depois. No tapet\u00e3o ou no Supremo est\u00e3o as mesmas raz\u00f5es: ganhar sem os rigores enfadonhos do jogo limpo.<\/p>\n<p>Partidos pol\u00edticos e times de futebol s\u00e3o iguais pelo que t\u00eam de pior. Na medida em que v\u00e3o se reconhecendo como irm\u00e3os g\u00eameos, v\u00e3o se afastando o p\u00fablico na geral, seja ativista, seja torcedor, seja fan\u00e1tico, seja militante. Desapontados pelo n\u00edvel ruim dos jogos em campo e campanhas, eleitores, torcida organizada e p\u00fablico em geral deixam as arquibancadas e as arenas pol\u00edticas em grandes levas. Os que ficam na torcida o fazem por quest\u00e3o pessoal, de gratid\u00e3o ou de interesse.<\/p>\n<p>Deixadas quase a s\u00f3s, \u00e0 merc\u00ea do destino que buscaram com gan\u00e2ncia desmedida, partidos e times perder\u00e3o a raz\u00e3o de existir. Ser\u00e1 o apito final. Fim do jogo para a democracia. Fim da paix\u00e3o nacional. Sem bola, sem voto, sem gol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semelhan\u00e7as entre pol\u00edtica e futebol, da forma como s\u00e3o praticados hoje no Brasil, v\u00e3o ficando maiores a cada dia. Partidos pol\u00edticos e times de futebol est\u00e3o t\u00e3o iguais que, um dia, correm o risco de se confundirem. 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