{"id":7473,"date":"2016-01-16T09:36:09","date_gmt":"2016-01-16T11:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7473"},"modified":"2016-01-17T09:36:49","modified_gmt":"2016-01-17T11:36:49","slug":"recordacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/recordacoes\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Nos primeiros tempos, a ocupa\u00e7\u00e3o e o povoamento das cidades no interior do continente brasileiro obedeceram quase a roteiro b\u00e1sico: os homens, na sua maioria, foram na frente abrindo caminho e assentando pequenos povoados com precari\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade, enfrentando animais selvagens e pe\u00e7onhentos, doen\u00e7as como mal\u00e1ria e tribos aut\u00f3ctones aguerridas e hostis.<\/p>\n<p>O que motivava esses primeiros movimentos para o Oeste, na maioria das vezes, era a busca pelos veios e aluvi\u00f5es de ouro e pedras preciosas. Iam atr\u00e1s de lendas e outras hist\u00f3rias fantasiosas que falavam sobre minas e s\u00edtios fabulosos abarrotados de ouro, diamantes e esmeraldas. Foram esses movimentos, conhecidos como Entradas e Bandeiras, vigorosos no Brasil a partir do s\u00e9culo 16, que possibilitaram a ocupa\u00e7\u00e3o do interior do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, os desbravadores seguiam o caminho natural do curso dos rios. Durante s\u00e9culos, o Rio S\u00e3o Francisco, justamente chamado de Rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, foi o principal caminho utilizado pelos exploradores para adentrar o continente com seguran\u00e7a. Mesmo com todo o interesse pela exist\u00eancia de riquezas no interior, a consolida\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o do Brasil ficou restrita ao litoral, onde se encontravam as principais cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fazendo um salto no tempo, foi somente a partir da industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ocorrida no p\u00f3s-guerra, que o governo JK (1955-1960), cumprindo promessa de campanha, resolveu ressuscitar o antigo desejo, manifestado ainda durante o Brasil mon\u00e1rquico, de interioriza\u00e7\u00e3o e povoamento das extensas \u00e1reas no continente central.<\/p>\n<p>A maneira mais racional e eficaz de promover o desenvolvimento dessas regi\u00f5es centrais era transferindo a sede da capital do pa\u00eds do Rio de Janeiro para Goi\u00e1s. Aproveitando o momento de grande otimismo que vivia o pa\u00eds, foi dado in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nova capital logo no primeiro ano de governo. Cinco anos depois, Bras\u00edlia era inaugurada.<\/p>\n<p>Durante os anos de constru\u00e7\u00e3o, os movimentos migrat\u00f3rios ocorreram de forma crescente dos quatro cantos do pa\u00eds. Fam\u00edlias inteiras rumavam para Bras\u00edlia em busca de trabalho e na esperan\u00e7a de conseguir lugar melhor para viver e criar os filhos. Mesmo as fam\u00edlias que ficaram distantes da agita\u00e7\u00e3o e da precariedade dos primeiros tempos da constru\u00e7\u00e3o, vieram para a capital t\u00e3o logo as condi\u00e7\u00f5es permitiram.<\/p>\n<p>Para as que decidiram vir na fase de consolida\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es de vida eram as mais prec\u00e1rias poss\u00edveis. Hospitais, com\u00e9rcio, moradias, estradas, lazer e outras comodidades das cidades n\u00e3o existiam ou eram incipientes. At\u00e9 as condi\u00e7\u00f5es ambientais eram adversas. Com um clima que alternava per\u00edodos de secas prolongadas e chuvaradas intensas, viver no Centro-Oeste era aventura digna de aventureiros e desbravadores ind\u00f4mitos.<\/p>\n<p>Nos primeiros momentos, n\u00e3o havia luz, \u00e1gua encanada, rede de esgoto, ruas asfaltadas, cal\u00e7adas e jardins. Vivia-se no meio do mato, com cobras, animais silvestres. Com a terra vermelha, caracter\u00edstica da regi\u00e3o, ou se estava coberto de poeira ou com os p\u00e9s sujos de lama. Foi gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a teimosa desses bravos pioneiros que a cidade foi adquirindo, aos poucos, o conforto civilizat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos primeiros tempos, a ocupa\u00e7\u00e3o e o povoamento das cidades no interior do continente brasileiro obedeceram quase a roteiro b\u00e1sico: os homens, na sua maioria, foram na frente abrindo caminho e assentando pequenos povoados com precari\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade, enfrentando animais selvagens e pe\u00e7onhentos, doen\u00e7as como mal\u00e1ria e tribos aut\u00f3ctones aguerridas e hostis. 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