{"id":7524,"date":"2016-01-29T07:04:25","date_gmt":"2016-01-29T09:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7524"},"modified":"2016-03-08T07:04:55","modified_gmt":"2016-03-08T10:04:55","slug":"politicos-vao-e-vem-eleitores-nao-veem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/politicos-vao-e-vem-eleitores-nao-veem\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticos v\u00e3o e v\u00eam. Eleitores n\u00e3o veem"},"content":{"rendered":"<p>Um dos grandes problemas com os pol\u00edticos brasileiros \u00e9 que eles, depois de eleitos, acreditam ser poss\u00edvel seguir adiante sem o aval dos cidad\u00e3os, principalmente dos eleitores. A maioria simplesmente vira as costas para o populacho. Tranca-se em gabinetes refrigerados em confabula\u00e7\u00f5es infindas de toda ordem travadas apenas com gente do mesmo status.<\/p>\n<p>Ao verem-se cingidos pela aureola t\u00eanue do poder, acreditam piamente ter entrado, para sempre, num mundo novo, onde v\u00e3o pairar acima dos demais por um bom per\u00edodo.<\/p>\n<p>Santo Agostinho costumava dizer: \u201cA soberba n\u00e3o \u00e9 grandeza, mas incha\u00e7o, e o que est\u00e1 inchado parece ser grande, mas n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel\u201d. Postos na confort\u00e1vel torre de marfim, passam a se sentir verdadeiramente \u201cno c\u00e9u\u201d. Ocorre que, apartados daqueles que, de fato, o al\u00e7aram ao cume, perdem o ponto de refer\u00eancia, mas, ainda assim, n\u00e3o se d\u00e3o conta e prosseguem, falsamente libertos.<\/p>\n<p>Dissociados da origem, se convencem da independ\u00eancia total. A partir desse ponto, passam a ser representantes apenas dos pr\u00f3prios desejos, alargados ad infinitum, com as novas companhias. Caras mordomias, bajula\u00e7\u00f5es, novos trajes, novos restaurantes, novos carros, novas resid\u00eancias, novas amizades. Tendo provado os acepipes do cargo, acabam fisgados pela gula da alma. Desse ponto em diante, fundem-se com o entorno e tornam-se iguais aos demais.<\/p>\n<p>Como a vida boa parece escorrer ainda mais ligeira, apenas por ser boa, passam a utilizar grande parte do tempo de mandato no garimpo de novos veios que possam reconduzi-los ao c\u00e9u. Como o caminho que leva ao para\u00edso, tem que passar, necessariamente primeiro pela terra e pelo eleitor, nosso pol\u00edtico volta a cal\u00e7ar, temporariamente, as sand\u00e1lias da humildade e a correr atr\u00e1s do voto.<\/p>\n<p>Transformado em bilhete premiado, o voto \u00e9 perseguido como \u00e1gua fresca no deserto. Por ele, mesmo as mais vexaminosas situa\u00e7\u00f5es de humilha\u00e7\u00e3o e prostra\u00e7\u00e3o s\u00e3o permitidas. Por ele, vendem a alma que j\u00e1 n\u00e3o possuem. Untam a m\u00e3e de cola, cobrem com penas de aves e a vendem como galinha gorda no mercado mais pr\u00f3ximo. Para voltar ao c\u00e9u, nossos sapos entram na viola, violam leis, falsificam assinaturas, recebem dinheiro sujo e rolam na lama. Quem fica no inferno \u00e9 o mesmo que os colocaram no para\u00edso<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que poderia ser pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cPela inoper\u00e2ncia, excesso de funcion\u00e1rios para pouca efici\u00eancia e roubo do tempo do cidad\u00e3o, a proposta \u00e9 que se troque o nome para Esplanada dos Miniest\u00e9reis\u201d<\/em><\/p>\n<p>Cidad\u00e3o revoltado com o vaiv\u00e9m e ele n\u00e3o se encontra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nomenclatura<\/strong><\/p>\n<p>Criatividade \u00e9 solu\u00e7\u00e3o efetiva, sem falsas promessas ou falsos resultados. Portanto, colegas jornalistas, n\u00e3o usemos mais o termo \u201ccontabilidade criativa\u201d para os resultados fiscais que fizeram cair por terra todo o processo or\u00e7ament\u00e1rio do pa\u00eds. O nome disso \u00e9 contabilidade sem verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carochinha<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bom que se registre que a consequ\u00eancia dessa contabilidade sem verdade atinge diretamente a Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias. A obrigatoriedade de se prever a meta do superavit prim\u00e1rio, que norteia a responsabilidade fiscal, transformou a economia brasileira em um conto de bruxas e fantasmas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hombridade<\/strong><\/p>\n<p>Ter consci\u00eancia dos atos trouxe a prote\u00e7\u00e3o ao or\u00e7amento do Jap\u00e3o. \u00c9 que o ministro da Economia, Akira Amari, renunciou ao cargo depois de envolvimentos com aquisi\u00e7\u00e3o fraudulenta em dinheiro de fundos pol\u00edticos. Al\u00e9m de pedir desculpas ao primeiro-ministro Shinzo Abe, disse que assumia a responsabilidade por causar problemas ao premi\u00ea e que seria a melhor decis\u00e3o para n\u00e3o prejudicar os planos de revitaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds. H\u00e1 ind\u00edcios de que ele n\u00e3o tenha sido diretamente envolvido no caso de corrup\u00e7\u00e3o, mas assumiu a culpa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>D\u00favidas<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 agora o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem sido omisso no caso zika v\u00edrus. As informa\u00e7\u00f5es pela internet de que a vacina vencida contra rub\u00e9ola poderia ter causado os casos de microcefalia n\u00e3o foram desmentidas com subst\u00e2ncia nos argumentos. Houve sim, no Nordeste, campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra rub\u00e9ola em que homens e mulheres entre 20 e 39 anos foram imunizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 frente do Caravelle, estava postado com todo o equipamento, um carro-pipa do Corpo de Bombeiros, com dois soldados controlando a mangueira, para orientar o jato, se preciso. (Publicado em 31\/8\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes problemas com os pol\u00edticos brasileiros \u00e9 que eles, depois de eleitos, acreditam ser poss\u00edvel seguir adiante sem o aval dos cidad\u00e3os, principalmente dos eleitores. A maioria simplesmente vira as costas para o populacho. Tranca-se em gabinetes refrigerados em confabula\u00e7\u00f5es infindas de toda ordem travadas apenas com gente do mesmo status. 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