{"id":7542,"date":"2016-02-08T07:13:36","date_gmt":"2016-02-08T09:13:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7542"},"modified":"2016-03-08T07:14:08","modified_gmt":"2016-03-08T10:14:08","slug":"de-garanhuns-ao-guaruja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/de-garanhuns-ao-guaruja\/","title":{"rendered":"De Garanhuns ao Guaruj\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Na constru\u00e7\u00e3o de mitos, alguns farelos de realidade s\u00e3o o bastante para compor uma narrativa cr\u00edvel. O tempo cuida de fundir fatos e vers\u00f5es num conto comum, de onde emergem figuras que incorporam nova identidade, distante da real, mas, ainda assim, capaz de agregar um sem-n\u00famero de ouvintes cr\u00e9dulos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a trajet\u00f3ria de Lula tem tra\u00e7os muito semelhantes aos de outras personagens da hist\u00f3ria moderna brasileira, como Padre C\u00edcero, Lampi\u00e3o, Ant\u00f4nio Conselheiro. Em comum, esses indiv\u00edduos, empurrados pelos ventos do momento hist\u00f3rico, navegaram no mar de suas fantasias, algumas claramente coerentes com a no\u00e7\u00e3o de \u00e9tica de cada um. Em comum, tiveram a capacidade de reunir em torno de si fi\u00e9is e fan\u00e1ticos de todos os matizes.<\/p>\n<p>Dentro do riqu\u00edssimo folclore nordestino, esses personagens fizeram hist\u00f3ria e ainda hoje despertam paix\u00f5es. No caso de Lula, alguns jornalistas que puderam acompanhar de perto a caravana que ele realizou durante a campanha eleitoral de 2006 pelo Nordeste ficaram surpresos com o tratamento que a gente humilde, perdida nos confins do agreste, dispensava ao pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Reverenciado como santo salvador, o candidato era tratado como uma esp\u00e9cie de Frei Dami\u00e3o. Todos desejavam se aproximar dele para toc\u00e1-lo e, de alguma forma, ficar imantado com a aura m\u00edstica. A devo\u00e7\u00e3o tinha explica\u00e7\u00e3o objetiva e materialista: o Bolsa Fam\u00edla, que o sarapatel do tempo cuidar\u00e1 de deixar de lado. Em termos de marketing, poucos presidentes do Brasil puderam ter fotos t\u00e3o n\u00edtidas da empatia de Lula no meio do povo. Suor e l\u00e1grimas sem preocupa\u00e7\u00e3o com rel\u00f3gios.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel encontrar, pendurados no barbante nas feiras populares, os cord\u00e9is com Lula, ao lado de Padim C\u00edcero e de Lampi\u00e3o, como her\u00f3is do povo. Santos para uns, justiceiros para outros, ou simplesmente libertadores do povo. No caso de Lula, seu surgimento foi insuflado por grande parte da m\u00eddia que, naquele per\u00edodo, ansiava por mais liberdade.<\/p>\n<p>Acompanhado no dia a dia pela maior cobertura jornal\u00edstica de todos os tempos, Lula era o personagem das manchetes di\u00e1rias. Passado o per\u00edodo de admira\u00e7\u00e3o, com os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o eclodindo em todo o seu governo, as vis\u00f5es se transformaram. O mesmo marketing n\u00e3o conseguiu encobrir as malinezas.<\/p>\n<p>Visto de perto, ningu\u00e9m \u00e9 perfeito. Com Lula n\u00e3o foi diferente. Constatado o embuste, o esp\u00edrito iconocl\u00e1stico da imprensa, que tamb\u00e9m \u00e9 sua maior virtude, voltou a prevalecer. E hoje o que surge diariamente nas p\u00e1ginas dos jornais \u00e9 o homem como ele \u00e9 de fato, n\u00e3o uma vers\u00e3o encantada de cordel. A realidade foi al\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cOi Luzinete, quero te agradecer. Gra\u00e7as a voc\u00ea, me lembrei de duas contas que tenho que pagar.\u201d<\/em><\/p>\n<p>An\u00f4nimo na rede<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Anjos<\/strong><\/p>\n<p>Exemplos como o filho do embaixador Alex Ellis ou da filha do senador Rom\u00e1rio s\u00e3o anjos que nasceram em um lar abastado para que os pais, l\u00edderes e carism\u00e1ticos, pudessem alavancar a vida de milhares de fam\u00edlias com as mesmas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Participa e age<\/strong><\/p>\n<p>O embaixador do Reino Unido, Alex Ellis, desde que assumiu o posto no Brasil, participa de v\u00e1rias atividades e reuni\u00f5es pol\u00edticas no Congresso ou em entrevistas para revistas e programas de TV. Espont\u00e2neo, esbanja simpatia principalmente quando fala do filho. O embaixador disse que o brasileiro \u00e9 inclusivo por natureza. Nesse gancho, o senador Rom\u00e1rio tamb\u00e9m recebe todas as entidades que pedem apoio. Os dois l\u00edderes apenas mostram que cada ser humano nasce com um potencial. Olhar para o ser humano como ser humano, com nome e personalidade, \u00e9 o que devemos fazer, sem distin\u00e7\u00e3o. Incapacidade f\u00edsica n\u00e3o torna ningu\u00e9m melhor nem pior do que os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aquecimento<\/strong><\/p>\n<p>Alex Ellis contou que as Paralimp\u00edadas surgiram quando um hospital que atendia os soldados mutilados pela guerra percebeu que o que eles precisavam naquele momento era de entusiasmo. Joseph Cuttman, alem\u00e3o, judeu, refugiado e neurocirurgi\u00e3o, iniciou as competi\u00e7\u00f5es entre dois hospitais. Na Europa, as Olimp\u00edadas s\u00e3o apenas um aquecimento para as Paralimp\u00edadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o parecem jornais de revolu\u00e7\u00e3o os de ontem, em Porto Alegre. D\u00e3o not\u00edcias de calma e expectativa e falam em vig\u00edlia.(Publicado em 31\/8\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na constru\u00e7\u00e3o de mitos, alguns farelos de realidade s\u00e3o o bastante para compor uma narrativa cr\u00edvel. O tempo cuida de fundir fatos e vers\u00f5es num conto comum, de onde emergem figuras que incorporam nova identidade, distante da real, mas, ainda assim, capaz de agregar um sem-n\u00famero de ouvintes cr\u00e9dulos. 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