{"id":7546,"date":"2016-02-11T07:15:31","date_gmt":"2016-02-11T09:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7546"},"modified":"2016-03-08T07:16:14","modified_gmt":"2016-03-08T10:16:14","slug":"eleitor-e-candidato-relacao-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/eleitor-e-candidato-relacao-desigual\/","title":{"rendered":"Eleitor e candidato, rela\u00e7\u00e3o desigual"},"content":{"rendered":"<p>Blindar o dinheiro pago pelo contribuinte da a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos diversos agentes do Estado, inclu\u00eddos os pol\u00edticos, os servidores p\u00fablicos, empres\u00e1rios e outros personagens modernos, seria solu\u00e7\u00e3o mais eficaz do que blindar determinadas pessoas que, imantadas pelo instituto da prerrogativa de foro, continuam a agir, despreocupadamente, na dilapida\u00e7\u00e3o do bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato n\u00e3o ser\u00e1, como muitos creem, uma virada de p\u00e1gina na hist\u00f3rica engrenagem corrupta que nos mant\u00e9m presos ao atraso e subdesenvolvimento. Antes disso, \u00e9 preciso trilhar o caminho das reformas do Estado. Uma simples observa\u00e7\u00e3o nos valores do impost\u00f4metro, mostrados nos pain\u00e9is eletr\u00f4nicos espalhados pelo pa\u00eds, levanta in\u00fameras suspeitas de que o montante trilion\u00e1rio arrecadado em impostos n\u00e3o bate com os benef\u00edcios retornados para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as mil faces da corrup\u00e7\u00e3o, est\u00e3o listadas a m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico em neg\u00f3cios mal calculados e de risco, al\u00e9m da camuflagem das contas do Estado por meio das pedaladas fiscais. O dinheiro do contribuinte deveria ter\u00a0 tratamento especial por parte da legisla\u00e7\u00e3o, de modo a inclu\u00ed-lo entre os bens de elevad\u00edssima import\u00e2ncia para a sobreviv\u00eancia de toda a na\u00e7\u00e3o, sendo, portanto, considerado crime dos mais graves seu mau uso ou usurpa\u00e7\u00e3o por qualquer meio.<\/p>\n<p>No Brasil, at\u00e9 as legendas partid\u00e1rias e os pol\u00edticos individualmente, que deveriam se portar como leg\u00edtimos e fi\u00e9is representantes da popula\u00e7\u00e3o junto ao governo, agem sempre de forma a lesar o eleitor e contribuinte, quando se associam a maus empres\u00e1rios no intuito de encher os cofres do partido e das empresas com a riqueza da popula\u00e7\u00e3o. Para esses personagens, que reiteradamente v\u00eam operando contra nossos interesses, al\u00e9m do instituto do foro privilegiado que lhes concedemos, oferecemos bons sal\u00e1rios, com mil mordomias, propaganda em cadeia nacional paga pelo contribuinte, fundo partid\u00e1rio, verbas para emendas ao Or\u00e7amento (individual e por bancada) e outros in\u00fameros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Nossos representantes, em sua maioria, agem como bem observou o fil\u00f3sofo Roberto Romano, como lobistas, operando como verdadeiros brokers nos Tr\u00eas Poderes. A trilha aberta agora pelas investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico e pela Pol\u00edcia Federal poder\u00e1 nos levar a bom porto, caso sejam feitas tamb\u00e9m mudan\u00e7as radicais na nossa representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois s\u00e3o eles, encastelados em fortifica\u00e7\u00f5es blindadas, a causa de nossas crises permanentes. Repensar as rela\u00e7\u00f5es entre eleitor e eleitos talvez seja a tarefa mais urgente e dif\u00edcil que temos pela frente. Mais dif\u00edcil e necess\u00e1ria at\u00e9 do que a pr\u00f3pria\u00a0 Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e cong\u00eaneres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEu quis regulamentar o lobby, eu quis salvar o Brasil.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ex-senador Marco Maciel, pensando enquanto ouve as not\u00edcias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem aconchego<\/strong><\/p>\n<p>Em 1999, foram vendidas 70 mil caixas de Ritalina. Em 2010, mais de 2 milh\u00f5es de caixas. O medicamento serve para deficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00e3es vulner\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>Em 2006, a Lei n\u00ba 11.265 regulamentou a comercializa\u00e7\u00e3o de leite para rec\u00e9m-nascidos. Parece que era o que as empresas multinacionais precisavam. Como pro\u00edbe a promo\u00e7\u00e3o comercial dos produtos, hospitais se encarregam da propaganda deixando as m\u00e3es inseguras quanto \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o. Sugerem um nome para caso o \u201cleite esteja fraco\u201d. A venda para lactentes disparou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ANS<\/strong><\/p>\n<p>Campanha lan\u00e7ada pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar em parceria com o Hospital Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) pede que as m\u00e3es digam n\u00e3o ao parto agendado. Parece que o alvo atingiu o p\u00fablico errado. Cabe ao m\u00e9dico orientar a paciente sobre o assunto. Ele \u00e9 o profissional e deveria agir como tal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Os chapas-brancas est\u00e3o na rua a qualquer hora, desobedi\u00eancia \u00e0 ordem. Logo mais veremos brigas de galo e biqu\u00ednis escandalizando as senhoras cat\u00f3licas do Paran\u00e1. (Publicado em 31\/8\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blindar o dinheiro pago pelo contribuinte da a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos diversos agentes do Estado, inclu\u00eddos os pol\u00edticos, os servidores p\u00fablicos, empres\u00e1rios e outros personagens modernos, seria solu\u00e7\u00e3o mais eficaz do que blindar determinadas pessoas que, imantadas pelo instituto da prerrogativa de foro, continuam a agir, despreocupadamente, na dilapida\u00e7\u00e3o do bem p\u00fablico. 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