{"id":78,"date":"2015-02-08T01:40:00","date_gmt":"2015-02-08T03:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-36\/"},"modified":"2015-02-08T01:40:00","modified_gmt":"2015-02-08T03:40:00","slug":"visto_lido_e_ouvido-36","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-36\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO"},"content":{"rendered":"<p>circecunha@gmail,com;arigcunha@ig.com.br<\/p>\n<div>\n<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\n<div><b>Doze anos de Realismo fant\u00e1stico<\/b><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Que a realidade supera a fic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o que discutir. Agora quando a realidade e a fic\u00e7\u00e3o come\u00e7am a operar juntas, distorcendo o que s\u00e3o fatos e tornando fato o que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorre mesmo no Brasil nos dias de hoje.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1970 a Am\u00e9rica Latina, incluindo o Brasil, foi tomada por um tipo novo de abordagem liter\u00e1ria, que tratava a realidade sob um ponto de vista m\u00e1gico. Elementos fant\u00e1sticos se misturavam a cren\u00e7as populares, num cruzamento entre supersti\u00e7\u00e3o, modernidade, tecnologia e lendas urbanas, tudo tratado de forma natural. J\u00falio Cort\u00e1zar, Gabriel Garcia Marques, Dias Gomes, Roberto Drummond, s\u00e3o alguns dos representantes dessa corrente liter\u00e1ria.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;O fim dos regimes ditatoriais na Am\u00e9rica Latina e no Brasil, coincidiu com o desaparecimento desse tipo de literatura . Curiosamente o continente n\u00e3o precisou mais do que alguns anos para experimentar no mundo real o que era apenas fic\u00e7\u00e3o escrita. O mundo formado por personagens fant\u00e1sticos saltou das p\u00e1ginas dos livros e passou a ocupar os principais pal\u00e1cios de governo por toda a Am\u00e9rica.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Caudilhos mortos &nbsp;retornavam ao mundo dos vivos e , sob a forma de um passarinho dava orienta\u00e7\u00e3o do al\u00e9m para o reino onde tudo faltava , principalmente &nbsp;papel higi\u00eanico, gasto para limpar a sujeira sem fim do regime. Uma Vi\u00fava inconsol\u00e1vel e sempre em trajes negros, rodeada de jovens &nbsp;e sensuais assessores tem seu nome escrito num bilhete &nbsp;encontrado junto ao cad\u00e1ver de um juiz que amea\u00e7ava prend\u00ea-la na manh\u00e3 seguinte. O \u00edndio da etnia uru-aimar\u00e1 &nbsp;assume o comando de seu pa\u00eds pela terceira vez e mascando folhas de coca, como seus antigos ancestrais sonha em destruir o grande irm\u00e3o branco do Norte, pelo uso alterado da folha m\u00e1gica. Na parte meridional do continente, um &nbsp; ex-guerrilheiro, de um dos grupos clandestinos mais temidos no passado, eleito presidente, desfila a bordo de seu velho fusquinha, cal\u00e7ando sand\u00e1lias e ternos surradas &nbsp; e ganha &nbsp; ares de santidade pelo desprezo que dispensa ao mundo material.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;No entanto , nenhum desses personagens meio reais, meio fantasiosos, que habitam o continente, se igualam, em termos de realismo fant\u00e1stico, ao que os brasileiros vem vivenciando nos \u00faltimos doze anos. Por estas bandas , o fim do regime ditatorial, propiciou, com a exce\u00e7\u00e3o de apenas dois presidentes, &nbsp;uma sequ\u00eancia cont\u00ednua de governantes, que n\u00e3o fosse pela trag\u00e9dia que representaram para a vida nacional, seriam dignos de figurar no rol da fic\u00e7\u00e3o m\u00e1gica, como personagens caricatas de si mesmo.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; De longe a mais representativa dessas figuras m\u00e1gicas surgiu nos port\u00f5es das f\u00e1bricas de S\u00e3o Paulo, montou um partido pol\u00edtico s\u00f3 seu e para seus fi\u00e9is mais pr\u00f3ximos. Ganhando as elei\u00e7\u00f5es, deu in\u00edcio \u00e0 um governo que a cada dia surpreende pelo ineditismo das a\u00e7\u00f5es e pelo que vem sendo revelado do modo sui generis de governar. Nem de longe o melhor e mais criativo ficcionista do planeta conseguiria imaginar e escrever o que ocorre no mundo real dos brasileiros. &nbsp;Como num folhetim &nbsp;de milhares de p\u00e1ginas, as tramas, &nbsp;v\u00e3o vindo &nbsp;\u00e0 luz de forma ininterrupta, &nbsp;mostrando um estado muito al\u00e9m da imagina\u00e7\u00e3o. Em 2005, com o estouro do esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o passou a acompanhar pelo r\u00e1dio, a mais longa novela da Rep\u00fablica, transmitida diretamente das sess\u00f5es da CPI dos Correios. Estavam ali alinhados todos os ingredientes para uma boa obra ficcional. Dinheiro, poder, ambi\u00e7\u00e3o, trai\u00e7\u00e3o, mortes. Tudo dosado com alguns &nbsp;detalhes de chanchada. Pedro Malasartes, Macuna\u00edna, Saci-perer\u00ea, Z\u00e9 das Medalhas, estavam todos ali misturados e bem representados. O que a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabia \u00e9 que os epis\u00f3dios do mensal\u00e3o, que terminou com o maior julgamento j\u00e1 feito pelo Supremo, foi apenas um pr\u00f3logo do que se seguiria envolvendo a maior petroleira do pa\u00eds. Mas esta j\u00e1 \u00e9 outra novela, embora com os mesmos personagens centrais.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>circecunha@gmail,com;arigcunha@ig.com.br Doze anos de Realismo fant\u00e1stico &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Que a realidade supera a fic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o que discutir. 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