{"id":8008,"date":"2016-07-13T03:55:34","date_gmt":"2016-07-13T06:55:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8008"},"modified":"2016-07-13T05:56:22","modified_gmt":"2016-07-13T08:56:22","slug":"cidade-com-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/cidade-com-alma\/","title":{"rendered":"Cidade com alma"},"content":{"rendered":"<p><i>Desde 1960<\/i><\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidades podem subsistir s\u00e9culos como ponto de refer\u00eancia da cultura humana apenas por sua beleza arquitet\u00f4nica e pl\u00e1stica. Ficam ali expostas a c\u00e9u aberto, como monumentos de um tempo, com suas edifica\u00e7\u00f5es, pra\u00e7as e casas. Mas se nelas n\u00e3o se observam a presen\u00e7a e o fervilhar de suas gentes, poder\u00edamos classific\u00e1-las como ru\u00ednas do passado.<\/p>\n<p>A despeito da beleza duradoura das constru\u00e7\u00f5es e do ambiente concreto, o que imprime a alma a um s\u00edtio \u00e9 justamente o poder de cria\u00e7\u00e3o humana em diversas \u00e1reas, das artes \u00e0s ci\u00eancias. \u00c9 o g\u00eanio dos habitantes que ilumina as cidades. \u201cNullus locus sine Genio\u201d ou n\u00e3o existe lugar sem alma, diziam os antigos latinos.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os antigos germ\u00e2nicos usavam o termo \u201cZeitgeist\u201d para se referir ao esp\u00edrito do tempo, presente em determinado lugar e que diz respeito direto aos aspectos fenomenol\u00f3gicos do ambiente.<\/p>\n<p>Arquitetura, literatura, pintura, escultura, m\u00fasica e os m\u00faltiplos aspectos da cultura, al\u00e9m dos h\u00e1bitos do lugar e de sua gente, formam o \u201ccaldo da vida\u201d do local. A cidade \u00e9 de todos, mas, de uma forma at\u00e9 metaf\u00edsica, poderia ser dito que a cidade pertence mais \u00e0queles que produzem e sorvem sua cultura e seu caldo de vida. Sem sua popula\u00e7\u00e3o e suas produ\u00e7\u00f5es, tudo seria \u00e1rido e mon\u00f3tono.<\/p>\n<p>No caso de Bras\u00edlia, por seu contexto hist\u00f3rico e sua forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o esp\u00edrito, ou g\u00eanio, ficou suspenso no ar a partir de mar\u00e7o de 1964, com a interven\u00e7\u00e3o militar. Ressentido e cheio de press\u00e1gios, o g\u00eanio recuou e o caldo esfriou por um bom tempo.<\/p>\n<p>Persegui\u00e7\u00f5es, censura e debandada geral quase fizeram da capital uma cidade natimorta. Foi preciso a aliena\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos jovens e a coragem culta de outras pessoas para devolver vida a uma cidade que muitos de fora acreditavam e pregavam n\u00e3o ter um futuro promissor.<\/p>\n<p>Aos poucos, Bras\u00edlia foi renascendo com a produ\u00e7\u00e3o de sua gente \u2014\u00a0 afinal, a vida deve continuar. O Festival de Cinema, o movimento Cabe\u00e7as, o ber\u00e7o de tantos talentos, o movimento Por\u00e3o do Rock, o Coro Sinf\u00f4nico da UnB, o Festival de Dan\u00e7a, o A\u00e7ougue Cultural T-Bone, a Casa do Cear\u00e1, o Clube Nipo, a quermesse do Templo Budista, as festas juninas da cidade e tantos outros grupos de prest\u00edgio nacional e outros acontecimentos culturais reacenderam a luz invis\u00edvel que ilumina e d\u00e1 chama ao esp\u00edrito local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/b><\/p>\n<p><i>\u201cMuito bem. Todos os carros com o farol aceso durante o dia. Paguem seus impostos e n\u00e3o exijam contrapartida! Escondam a Constitui\u00e7\u00e3o. Trouxas! Enquanto isso, o que devo, pago se quiser, e quando quiser.\u201d<\/i><\/p>\n<p>Estado brasileiro<\/p>\n<p><b>Melhora j\u00e1!<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 muito triste ver policiais e bombeiros precisarem chamar a aten\u00e7\u00e3o por aumento salarial. Assim como acontece regularmente com os professores. S\u00e3o prioridades.<\/p>\n<p><b>Sil\u00eancio<\/b><\/p>\n<p>Aos poucos, os m\u00fasicos da cidade v\u00e3o se firmando nas esta\u00e7\u00f5es do Metr\u00f4. O Instrumenta Bras\u00edlia teve que parar enquanto a greve dos metrovi\u00e1rios continuar.<\/p>\n<p><b>Agenda<\/b><\/p>\n<p>Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em sua terceira edi\u00e7\u00e3o, entrou pra valer no calend\u00e1rio oficial e cultural da cidade e ser\u00e1 realizado entre os dias 21 e 30 de outubro, no Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha. Que venham outras bienais que ainda faltam em nossa agenda, como a Bienal e de Arte, a Bienal de Design, a Bienal de Moda e tantos outros ingredientes para nosso caldo de vida.E s\u00e3o pagos!\u00a0Realmente, os terceirizados dos Parques e Jardins precisam de orienta\u00e7\u00e3o sobre poda. No lugar de dar for\u00e7a, eles arrancam a sombra muitas vezes matando as \u00e1rvores que levaram d\u00e9cadas para crescer.<\/p>\n<p><b>Sabedoria<\/b><\/p>\n<p>\u201cJornalismo \u00e9 vida. Ou, para ser realista, o jornalismo trabalha com uma das utopias humanas mais desafiadoras, que \u00e9 a busca da verdade, que \u201cnunca est\u00e1 onde n\u00f3s a pomos e nunca pomos onde n\u00f3s estamos\u201d, como reclamava o poeta da felicidade. Mas vale a pena, com as ferramentas profissionais da investiga\u00e7\u00e3o (onde, como, quem, por que, quanto, quando) e a correta express\u00e3o da l\u00edngua, reduzindo vis\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es em dados essenciais para o exerc\u00edcio da liberdade. Por isso, sem democracia n\u00e3o h\u00e1 jornalismo.\u201d<\/p>\n<p>Luiz Gutemberg, em entrevista<\/p>\n<p><b>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/b><\/p>\n<p>Bras\u00edlia j\u00e1 tem planos em execu\u00e7\u00e3o. A transfer\u00eancia da Cidade Livre n\u00e3o pode ser interrompida, porque seria desamparar os que desejaram melhores dias. Com um bilh\u00e3o e meio de financiamento, a Caixa Econ\u00f4mica construir\u00e1 toda a W3 da Asa Norte. (Publicado em 10\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br &nbsp; &nbsp; Cidades podem subsistir s\u00e9culos como ponto de refer\u00eancia da cultura humana apenas por sua beleza arquitet\u00f4nica e pl\u00e1stica. Ficam ali expostas a c\u00e9u aberto, como monumentos de um tempo, com suas edifica\u00e7\u00f5es, pra\u00e7as e casas. 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