{"id":8016,"date":"2016-07-16T06:42:18","date_gmt":"2016-07-16T09:42:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8016"},"modified":"2016-07-20T06:50:29","modified_gmt":"2016-07-20T09:50:29","slug":"revitalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/revitalizacao\/","title":{"rendered":"Allahu Akbar"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL<\/p>\n<p>Em nome de Deus, os homens v\u00eam se matando ao longo dos s\u00e9culos. A procura\u00e7\u00e3o que d\u00e1 licen\u00e7a para esse mortic\u00ednio sem fim estaria na interpreta\u00e7\u00e3o enviesada da letra de algumas escrituras consideradas sagradas. A cegueira humana aboliu a ordem de Alah. O grito de guerra moderno que tem precedido muitos desses atos de selvageria santa tem sido Allahu Akbar, ou Allah \u00e9 maior, Deus \u00e9 grande. Aos m\u00e1rtires de todo insano derramamento de sangue inocente, estaria reservado um para\u00edso sem igual, com 77 virgens dispostas a realizar todos os desejos.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, por quase 10 s\u00e9culos, as cruzadas crist\u00e3s e outras expedi\u00e7\u00f5es santas e punitivas percorreram o mundo \u00e1rabe, saqueando e matando, popula\u00e7\u00f5es inteiras, em nome de Deus. Em ambos os casos, Deus foi invocado como um elmo, para dar alguma justificativa moral \u00e0 bestialidade. Nesses epis\u00f3dios, Deus entra como c\u00famplice e coadjuvante no crime, isentando seus atores, de culpa e remorsos futuros, emprestando, assim, certo glamour a barbaridade, livrando-os tamb\u00e9m de uma puni\u00e7\u00e3o celeste.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es complexas como essas e que extrapolam o n\u00edvel da raz\u00e3o sugerem, para se tornarem intelig\u00edveis, explica\u00e7\u00f5es singelas. Numa charge, dessas que circulam pelo mundo virtual, v\u00e1rios homens est\u00e3o em escaramu\u00e7as generalizadas. Uns aparecem vestidos com coletes de bombas e armas de grosso calibre em punho. Outros, est\u00e3o com facas e porretes se atacando.<\/p>\n<p>Na viol\u00eancia generalizada em que todos est\u00e3o contra todos surge, por entre as grossas e cinzentas nuvens no c\u00e9u, a m\u00e3o de Deus. Com o dedo m\u00e9dio em riste, Ele simplesmente faz o sinal de cotoco para a multid\u00e3o enfurecida. Em outra charge, desta vez publicada pelo jornal sat\u00edrico Charlie Hebdo, alvo covarde dos terroristas em janeiro de 2015, Deus aparece correndo com uma metralhadora presa \u00e0s costas.<\/p>\n<p>De fato, n\u00e3o h\u00e1 como procurar no al\u00e9m, nas fronteiras do religioso e do sagrado, as raz\u00f5es para selvageria dos atentados que v\u00eam ocorrendo no Ocidente desde 2001. Primeiro, porque n\u00e3o existe explica\u00e7\u00e3o racional poss\u00edvel para atos de bestialidade. O Deus sanguin\u00e1rio e vingativo \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o genu\u00edna da psicopatia mental humana. Por tr\u00e1s desse Deus dos ex\u00e9rcitos, se escondem causas e antecedentes vis\u00edveis e palp\u00e1veis. Na hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, o estopim desses atentados foi aceso tanto pela incurs\u00e3o desastrosa das tropas americanas no Iraque, como pela presen\u00e7a do ex\u00e9rcito russo em territ\u00f3rio afeg\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir desses epis\u00f3dios e outros correlatos, houve um crescimento exponencial de grupos insurgentes locais, reacendendo quest\u00f5es que misturam no\u00e7\u00f5es distorcidas de f\u00e9 religiosas a outras de estrat\u00e9gias de guerrilha, dentro do que se passou a designar genericamente de guerra santa, identificando os Ocidentais como infi\u00e9is e, portanto alvo da f\u00faria santa dos grupos armados mu\u00e7ulmanos. Os infi\u00e9is est\u00e3o ao alcance dos olhos.<\/p>\n<p>Como pano de fundo, aparece a quest\u00e3o material representada pela cobi\u00e7a ao ouro negro, representada pelo petr\u00f3leo. Em toda a escritura, Deus s\u00f3 se arrependeu de uma parte de sua cria\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 em G\u00eanesis 6: 5 e 6: \u201cE viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imagina\u00e7\u00e3o dos pensamentos de seu cora\u00e7\u00e3o era s\u00f3 m\u00e1 continuamente. Ent\u00e3o arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Come\u00e7ou tudo outra vez. E deve estar arrependido novamente.<br \/>\nA frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o compreende um olhar tampouco h\u00e1 de compreender uma longa explica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Prov\u00e9rbio \u00e1rabe<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nEst\u00e1 paralisada a obra do pombal dos Tr\u00eas Poderes. Durante o dia de ontem, ningu\u00e9m trabalhou, e o guindaste que levantava os moldes de madeira foi retirado. Por favor n\u00e3o fa\u00e7am como a Catedral, porque j\u00e1 h\u00e1, tamb\u00e9m, a torre de TV, o edif\u00edcio do Tribunal de Contas, a superquadra do Iapfesp, e a dos Mar\u00edtimos tamb\u00e9m, todas paralisadas. (Publicado em 19\/08\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL Em nome de Deus, os homens v\u00eam se matando ao longo dos s\u00e9culos. A procura\u00e7\u00e3o que d\u00e1 licen\u00e7a para esse mortic\u00ednio sem fim estaria na interpreta\u00e7\u00e3o enviesada da letra de algumas escrituras consideradas sagradas. A cegueira humana aboliu a ordem de Alah. 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