{"id":8177,"date":"2016-09-22T03:23:39","date_gmt":"2016-09-22T06:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8177"},"modified":"2016-09-22T10:24:24","modified_gmt":"2016-09-22T13:24:24","slug":"republica-do-quid-pro-quo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/republica-do-quid-pro-quo\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica do quid pro quo"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha com MAMFIL<\/p>\n<p> Alguns estudiosos do comportamento humano reconhecem que o homem \u00e9 o \u00fanico ser vivo que tem suas a\u00e7\u00f5es e movimentos guiados quase que exclusivamente pelo sentido da oportunidade e interesse. De fato, o interesse \u00e9 condi\u00e7\u00e3o natural do ser humano. H\u00e1 muito, sabe-se que o interesse move o mundo. A pr\u00f3pria vida em coletividade refor\u00e7a a ideia de interesses m\u00fatuos e vitais. Viver em comunidade \u00e9 se ajustar, a cada dia, a interesses diversos.<\/p>\n<p>No despacho que redigiu, aceitando a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico contra o ex-presidente Lula , dona Marisa, Paulo Okamoto, L\u00e9o Pinheiro e mais quatro pessoas, o juiz S\u00e9rgio Moro, a certa altura do texto em que justifica sua decis\u00e3o, citou a express\u00e3o latina \u201cquid pro quo\u201d para dizer que os pagamentos mensais feitos pela OAS, para o custeio da armazenagem dos pertences, a Lula, bem como a reforma do tr\u00edplex no Guaruj\u00e1, foram em troca de contratos milion\u00e1rios e criminosos com a Petrobras.<\/p>\n<p>A express\u00e3o, significando tomar uma coisa em troca de outra, se aproxima muito de outra  muito conhecida pelos pol\u00edticos brasileiros: \u201c\u00c9 dando que se recebe\u201d. Com a evolu\u00e7\u00e3o natural da linguagem, a express\u00e3o se aportuguesou e ganhou um sentido que mais se aproxima de confus\u00e3o, desordem, baderna. Na realidade, o seu significado atual expressa, de modo conciso, a situa\u00e7\u00e3o vexaminosa a que chegamos com o chamado presidencialismo de coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o, que eclodiu em 2005, mostrou de modo preciso como funcionava a maquinaria do \u201cquid pro quo\u201d. Em troca de pagamentos mensais, desviados dos cofres p\u00fablicos, uma parcela expressiva de parlamentares dava apoio total \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es vindas do Executivo e, com isso, garantiam a sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo. Quando, no futuro, os historiadores forem se debru\u00e7ar sobre esse per\u00edodo de 13 anos que marcaram a gest\u00e3o petista no comando do pa\u00eds, um bom subt\u00edtulo para este cap\u00edtulo poder\u00e1 ser exatamente \u201cA rep\u00fablica do quid pro quo\u201d.<\/p>\n<p>Acontece que, com a mudan\u00e7a dos ventos e o aparecimento casual de uma certa Rep\u00fablica de Curitiba, o que era um tom l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1 deslavado se transformou no maior quiproc\u00f3 da hist\u00f3ria jur\u00eddica desse pa\u00eds, virando a Rep\u00fablica de cabe\u00e7a para baixo. Com as prospec\u00e7\u00f5es, indo cada vez mais fundo, da for\u00e7a tarefa do Minist\u00e9rio P\u00fablico, foi encontrado o verdadeiro pr\u00e9-sal da corrup\u00e7\u00e3o dentro da ent\u00e3o maior empresa estatal brasileira.<\/p>\n<p>Para os contribuintes que, ao fim, arcar\u00e3o com os rombos bilion\u00e1rios, o quid pro quo da alt\u00edssima carga tribut\u00e1ria em troca de servi\u00e7os equivalentes e de qualidade, continuar\u00e1 sendo fic\u00e7\u00e3o long\u00ednqua e impossibilitada justamente pelos desvios continuados do dinheiro p\u00fablico e, principalmente, pela p\u00e9ssima qualidade dos representantes pol\u00edticos que disp\u00f5em.<\/p>\n<p>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201c O direito penal n\u00e3o tira a vantagem econ\u00f4mica da corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel apostar no fim da corrup\u00e7\u00e3o enquanto ela for economicamente rent\u00e1vel?\u201d<br \/>\nAloisio Freire, no JusBrasil<\/p>\n<p>Tragicom\u00e9dia<br \/>\n\u00bb Conversa vai, conversa vem lembrou a inaugura\u00e7\u00e3o do cinedistrital. Era uma sala de cinema na C\u00e2mara Legislativa, que seria inaugurada com pompa e circunst\u00e2ncia. S\u00f3 que quem escolheu o filme sabia de coisas que a cidade n\u00e3o tinha conhecimento e deu o recado de uma forma que, at\u00e9 hoje, arranca gargalhadas e l\u00e1grimas. O primeiro filme apresentado: \u201cRoubo as alturas\u201d.<\/p>\n<p>Fraldas<br \/>\n\u00bb Por falar em C\u00e2mara Legislativa, deputados que rasgam as cr\u00edticas e mandam emoldurar os elogios s\u00e3o maioria. Isso mostra como s\u00e3o principiantes os representantes da popula\u00e7\u00e3o da capital.<\/p>\n<p>Celeuma a semana<br \/>\n\u00bb Cobran\u00e7a de IPI em importa\u00e7\u00e3o para revenda \u00e9 inconstitucional, defende a Dra. Alessandra Monti Badalotti. Na Corte, os magistrados entenderam que \u201cos produtos importados est\u00e3o sujeitos a uma nova incid\u00eancia do IPI quando de sua sa\u00edda do estabelecimento importador na opera\u00e7\u00e3o de revenda, mesmo que n\u00e3o tenham sofrido industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d. A discuss\u00e3o do assunto promete importantes mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o de um rio<br \/>\n\u00bb Quem acessa o portal da Samarco parece estar diante de uma empresa celeste, mesmo que a vida de milh\u00f5es de brasileiros possa virar um inferno com a morte de um rio. Uma multinacional controla uma empresa que mata um rio do pa\u00eds e pronto. Essa seria uma grande oportunidade de os brasileiros voltarem com a bandeira verde e amarela nos carros. Por que atingiu popula\u00e7\u00e3o ribeirinha fica por isso mesmo?<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Por outro lado, continua sem luz, for\u00e7a, \u00e1gua, telefone e esgotos, o Setor de Ind\u00fastria e Abastecimento. (Publicado em 14\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha com MAMFIL Alguns estudiosos do comportamento humano reconhecem que o homem \u00e9 o \u00fanico ser vivo que tem suas a\u00e7\u00f5es e movimentos guiados quase que exclusivamente pelo sentido da oportunidade e interesse. De fato, o interesse \u00e9 condi\u00e7\u00e3o natural do ser humano. 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