{"id":9493,"date":"2018-01-09T07:00:26","date_gmt":"2018-01-09T09:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=9493"},"modified":"2018-01-09T07:09:59","modified_gmt":"2018-01-09T09:09:59","slug":"monocultura-latifundio-e-trabalho-escravo-o-tripe-do-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/monocultura-latifundio-e-trabalho-escravo-o-tripe-do-atraso\/","title":{"rendered":"Monocultura, latif\u00fandio e trabalho escravo. O trip\u00e9 do atraso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<br \/>\ncolunadoaricunha@gmail.com;<br \/>\ncom Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<figure id=\"attachment_9494\" aria-describedby=\"caption-attachment-9494\" style=\"width: 417px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9494\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/metc3a1fora-do-capitalismo.jpg\" alt=\"Imagem: sites.google.com\/site\/profmarciodemedeiros\" width=\"417\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/metc3a1fora-do-capitalismo.jpg 403w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/metc3a1fora-do-capitalismo-300x274.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/metc3a1fora-do-capitalismo-350x320.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/01\/metc3a1fora-do-capitalismo-230x210.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9494\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: sites.google.com\/site\/profmarciodemedeiros<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Em qualquer dire\u00e7\u00e3o que se trafegue pelas cercanias do Distrito Federal \u00e9 poss\u00edvel avistar imensas monoculturas de milho, soja, algod\u00e3o ou eucaliptos, plantados em latif\u00fandios, que por sua amplid\u00e3o, chegam a equivaler, em tamanho territorial, a alguns pa\u00edses da Europa. S\u00e3o lavouras gigantescas, que integram a chamada agricultura de commodities, na qual o Brasil desponta como pot\u00eancia mundial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Para alguns desavisados trata-se de uma verdadeira riqueza em forma de biomassa, que gera muitos dividendos para o pa\u00eds e ajuda na balan\u00e7a de exporta\u00e7\u00f5es. O que muita gente nem suspeita \u00e9 que as monoculturas, mesmo trazendo divisas para o pa\u00eds, geram imensas riquezas para os propriet\u00e1rios dessas lavouras e para a ind\u00fastria de fertilizantes e defensivos envolvida diretamente nesses ciclos. De resto, o que essas monoculturas deixam de passivo, principalmente com rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e \u00e0s popula\u00e7\u00f5es do campo, que n\u00e3o participam desse ciclo de riqueza e por ela s\u00e3o expulsos de suas terras, s\u00e3o de tal monta, que chega a ser surpreendente que ainda haja um enorme e conivente sil\u00eancio sobre essas atividades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 De fato, o que representa riqueza para uns poucos vem sendo denunciado por ambientalistas e cientistas como um desastre de propor\u00e7\u00f5es cicl\u00f3picas e que j\u00e1 mostram seus efeitos perversos e, em alguns casos irrevers\u00edveis. Antes de tudo \u00e9 preciso compreender que o destino dado \u00e0s \u00e1reas do cerrado que cercam a capital a do pa\u00eds, ser\u00e1 o mesmo. Bras\u00edlia e seu entorno tem destinos comuns. O que for feito \u00e0 um, trar\u00e1 efeitos sobre o outro. N\u00e3o h\u00e1 futuros distintos no caso espec\u00edfico da monocultura do eucalipto, uma esp\u00e9cie alien\u00edgena, importada da Austr\u00e1lia nos anos setenta, dentro de um programa err\u00e1tico de reflorestamento. Estudos recentes comprovam a liga\u00e7\u00e3o direta dessa cultura com a escassez h\u00eddrica no cerrado, principalmente nas regi\u00f5es mais ao Norte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Depois de cinco d\u00e9cadas de sua introdu\u00e7\u00e3o, a monocultura de eucalipto j\u00e1 demonstrou seu potencial sobre o fen\u00f4meno da desertifica\u00e7\u00e3o do cerrado. Estudos cient\u00edficos realizados por ambientalistas mineiros vem comprovando que as imensas planta\u00e7\u00f5es dessa esp\u00e9cie, utilizada nas ind\u00fastrias sider\u00fargicas da regi\u00e3o, vem afetando diretamente a recarga dos aqu\u00edferos dessas \u00e1reas. Da m\u00e9dia hist\u00f3rica de precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica, em torno de 1 mil mil\u00edmetros\/ano, o eucalipto consome sozinho 800 mil\u00edmetros. Como o Cerrado precisa de 500 mil\u00edmetros, h\u00e1 um deficit anual de 300 mil\u00edmetros. Em consequ\u00eancia rios e c\u00f3rregos da regi\u00e3o vem apresentando a cada ano uma diminui\u00e7\u00e3o em seus volumes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Pelo estudo fica evidenciado que de 2013 para c\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o nas bacias dos rios S\u00e3o Francisco e Jequitinhonha vem se agravando, afetando mais de 270 munic\u00edpios da regi\u00e3o que passaram a enfrentar situa\u00e7\u00f5es frequentes de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Estudiosos do problema tem alertado para conter o avan\u00e7o dessa cultura, pedindo a proibi\u00e7\u00e3o total de abertura de novas \u00e1reas de cultivo e o monitoramento constante dos n\u00edveis dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos da regi\u00e3o. Passados quinhentos anos continuamos a insistir no plantio de monoculturas, cultivadas em grandes latif\u00fandios, com a diferen\u00e7a de que hoje a m\u00e3o-de-obra escrava foi substitu\u00edda pelo boia fria, uma esp\u00e9cie de escravo moderno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Para quem conhece um pouco de hist\u00f3ria do Brasil, sabe que esse trip\u00e9, formado pela monocultura, latif\u00fandio e trabalho escravo se constituiu na base de nossa economia e do nosso atraso, pelo visto, eterno.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><em>\u201cA inveja \u00e9 um atestado de inferioridade.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">Napole\u00e3o Bonaparte<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><strong>Carta do leitor<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">Recentemente entrou em vigor uma lei que condena o motorista alcoolizado a pris\u00e3o. Esqueceram que n\u00e3o existem vagas para bandidos nas penitenci\u00e1rias brasileiras. As pris\u00f5es est\u00e3o super lotadas com ladr\u00f5es, assassinos, estupradores etc. Agora ent\u00e3o \u00e9 que a coisa vai complicar para o cidad\u00e3o pagador de impostos&#8230; Quem voc\u00ea acha que o governo vai querer prender? Algu\u00e9m que tem que pagar uma multa de aproximadamente R$ 3 mil reais para o faturol governamental ou um assassino que custar\u00e1 um absurdo \u00e0s contas p\u00fablicas? Breve nas cadeias apenas motoristas! Bandidos, assassinos e ladr\u00f5es \u00e0 solta por falta de espa\u00e7o e pelo faturol! Ray Netto<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><strong>Sem reguladora<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">Nosso leitor Jos\u00e9 Rabello concluiu que\u00a0n\u00e3o temos energia solar em n\u00famero suficiente no Brasil, para que tenhamos as tarifas vermelhas. O consumidor em desvantagem, o que faz valorizar as a\u00e7\u00f5es das el\u00e9tricas nas bolsas. Rabello ilustrou a frase: O pior \u00e9 que, no Brasil, quando se trata de consumidor, um dia \u00e9 da ca\u00e7a, e o outro da pesca. Quem consome \u00e9 sempre o alvo de ataque.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><strong>Sugest\u00e3o de pauta<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">A situa\u00e7\u00e3o do lote atr\u00e1s da SHIN QL 2 do conjunto 7 merece uma mat\u00e9ria com imagem. O abandono do local, com restos de obra, mato alto e \u00e1gua acumulada s\u00e3o amea\u00e7as constantes aos moradores da \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;text-align: justify\">As chuvas j\u00e1 come\u00e7aram e os jardins de Bras\u00edlia ainda n\u00e3o est\u00e3o preparados. \u00c9 que o Departamento de Parques e Jardins diz que s\u00f3 far\u00e1 jardins onde houver \u00e1gua, e o Departamento de \u00c1gua e Esgotos n\u00e3o tomou conhecimento disto. <strong>(Publicado em 12.10.1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil \u00a0 \u00a0 \u00a0 Em qualquer dire\u00e7\u00e3o que se trafegue pelas cercanias do Distrito Federal \u00e9 poss\u00edvel avistar imensas monoculturas de milho, soja, algod\u00e3o ou eucaliptos, plantados em latif\u00fandios, que por sua amplid\u00e3o, chegam a equivaler, em tamanho territorial, a alguns pa\u00edses [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":9494,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[68,69],"class_list":["post-9493","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra-integra","tag-aricunha","tag-circecunha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9493"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9498,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9493\/revisions\/9498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}