{"id":1035,"date":"2016-11-16T09:59:34","date_gmt":"2016-11-16T11:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=1035"},"modified":"2016-11-16T09:59:34","modified_gmt":"2016-11-16T11:59:34","slug":"nas-entrelinhas-grande-corrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-grande-corrente\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas:     A grande corrente"},"content":{"rendered":"<p>O fen\u00f4meno das elei\u00e7\u00f5es municipais tende a se repetir nas elei\u00e7\u00f5es de 2018<\/p>\n<p>Como nos oceanos, a pol\u00edtica tamb\u00e9m tem ondas, mar\u00e9s e correntes. N\u00e3o permanece parada. As ondas s\u00e3o um fen\u00f4meno f\u00edsico que ocorre na superf\u00edcie das \u00e1guas, quando se aproximam da costa se dobram e se quebram. \u00c0s vezes, podem ganhar grandes dimens\u00f5es, como ocorre normalmente no Hava\u00ed (EUA) e, eventualmente, nas grandes ressacas. Nos tsunamis, s\u00e3o gigantescas, porque s\u00e3o provocadas nas profundezas do oceano pelo deslocamento das placas tect\u00f4nicas, erup\u00e7\u00e3o de vulc\u00f5es ou terremotos.<\/p>\n<p>As mar\u00e9s s\u00e3o movimentos de avan\u00e7o e recuo das \u00e1guas, cuja amplitude \u00e9 provocada pelas for\u00e7as gravitacionais do Sol e da Lua. Quanto mais pr\u00f3xima a Lua, maior o movimento de preamar e baixa-mar, duas vezes por dia. Isso ocorre na lua nova e na lua cheia. J\u00e1 as correntes mar\u00edtimas s\u00e3o provocadas pelo vento e pela rota\u00e7\u00e3o da Terra; por isso, deslocam-se em dire\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias nos hemisf\u00e9rios Norte, no sentido hor\u00e1rio, e Sul, no sentido anti-hor\u00e1rio. Foram elas que permitiram os grandes descobrimentos e a globaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, a partir da chamada Carreira das \u00cdndias. H\u00e1 correntes quentes, que se originam nas regi\u00f5es t\u00f3rridas e se dirigem \u00e0s zonas polares e frias, que se deslocam das zonas polares em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 zona intertropical da Terra.<\/p>\n<p>Assim como a navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, na pol\u00edtica tamb\u00e9m \u00e9 importante distinguir os movimentos das ondas, mar\u00e9s e correntes. Por exemplo, saber se as recentes elei\u00e7\u00f5es municipais foram resultado de uma onda ou mar\u00e9 ou apontam a exist\u00eancia de uma grande corrente, que direciona-se para mares nunca antes navegados. Essa d\u00favida certamente j\u00e1 instiga o pensamento dos cientistas pol\u00edticos, mas parece que n\u00e3o acontece a mesma coisa com os pol\u00edticos. Eles tendem a ver o que correu como uma simples mar\u00e9, que vai e volta num per\u00edodo relativamente curto. Talvez, para os que naufragaram nas urnas, uma grande onda de azar, no m\u00e1ximo um tsunami pol\u00edtico. Pode ser que o fen\u00f4meno eleitoral seja uma grande corrente que pode arrastar a todos das \u00e1guas quentes e confort\u00e1veis de um balne\u00e1rio para regi\u00f5es geladas e in\u00f3spitas da pol\u00edtica, onde a sobreviv\u00eancia \u00e9 quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>O que aconteceu no Brasil nas elei\u00e7\u00f5es deste ano tem caracter\u00edsticas muito particulares, marcadas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, a recess\u00e3o e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas pode ser que o fen\u00f4meno n\u00e3o seja apenas nacional. Basta olhar para o que acontece com os nossos vizinhos, principalmente, a Argentina e a Venezuela, mas tamb\u00e9m o Chile e a Col\u00f4mbia, ou para outros hemisf\u00e9rios, principalmente a Gr\u00e9cia, a Espanha, a Inglaterra e, agora, os Estados Unidos, com a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump. O impasse fiscal dos estados do Ocidente, a crise de representa\u00e7\u00e3o dos partidos tradicionais, a crise humanit\u00e1ria no Mediterr\u00e2neo, a desconstru\u00e7\u00e3o do sujeito moderno, a ultrapassagem da sociedade industrial, tudo junto e misturado, colocam em xeque a pol\u00edtica tal como a conhecemos no s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>No Brasil, se considerarmos que a falta de sintonia entre os nossos grandes atores pol\u00edticos e a sociedade s\u00e3o um fen\u00f4meno isolado, j\u00e1 teremos muitas dores de cabe\u00e7a sobre o porvir. Mas, se o que ocorrer for parte de uma grande tend\u00eancia, como as correntes mar\u00edtimas, podemos supor que o fen\u00f4meno das elei\u00e7\u00f5es municipais tende a se repetir nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, ou seja, n\u00e3o haver\u00e1 refluxo da mar\u00e9 ou bonan\u00e7a ap\u00f3s a borrasca. Na verdade, o fen\u00f4meno se repetir\u00e1 numa outra escala, bem maior. H\u00e1 uma grande corrente arrastando o barco da pol\u00edtica para bem longe de onde se pretendia ir.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar de todos os ind\u00edcios, os grandes partidos ainda n\u00e3o se deram conta do que est\u00e1 acontecendo e caminham para as regi\u00f5es in\u00f3spitas por causa disso. Alguns tentam neutralizar a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, como se ela fosse apenas uma grande onda havaiana. Os mais pessimistas, um tsunami. Outros acreditam que podem neutralizar a corrente ressuscitando velhos discursos nacionalistas, como o contra Trump. E ainda os que querem resolver o problema cartelizando a pol\u00edtica com uma reforma partid\u00e1ria e eleitoral, sem entender que isso vai apenas aumentar a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o ambiente de descren\u00e7a generalizada da sociedade em rela\u00e7\u00e3o aos partidos e aos pol\u00edticos n\u00e3o vai se resolver com nada disso, pode at\u00e9 aumentar. \u00c9 a\u00ed que surgir\u00e3o salvadores da p\u00e1tria, tecnocratas, populistas de direita, toda uma fauna de candidatos que falar\u00e3o o que o povo quer ouvir, sem saber como e quando poder\u00e3o resolver os problemas reais. A pol\u00edtica brasileira precisa desesperadamente se reinventar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fen\u00f4meno das elei\u00e7\u00f5es municipais tende a se repetir nas elei\u00e7\u00f5es de 2018 Como nos oceanos, a pol\u00edtica tamb\u00e9m tem ondas, mar\u00e9s e correntes. N\u00e3o permanece parada. As ondas s\u00e3o um fen\u00f4meno f\u00edsico que ocorre na superf\u00edcie das \u00e1guas, quando se aproximam da costa se dobram e se quebram. \u00c0s vezes, podem ganhar grandes dimens\u00f5es, como ocorre normalmente no Hava\u00ed [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[47],"class_list":["post-1035","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-eleicoes2016"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1035"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1038,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1035\/revisions\/1038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}