{"id":11071,"date":"2026-01-29T07:50:23","date_gmt":"2026-01-29T10:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11071"},"modified":"2026-01-29T07:58:23","modified_gmt":"2026-01-29T10:58:23","slug":"caiado-leite-ou-ratinho-qual-sera-a-cara-do-candidato-da-terceira-via","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/caiado-leite-ou-ratinho-qual-sera-a-cara-do-candidato-da-terceira-via\/","title":{"rendered":"Caiado, Leite ou Ratinho: qual ser\u00e1 a cara do candidato da terceira via?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A decis\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 apenas sobre quem tem mais potenciais, o que pode se aferir com pesquisas, mas tamb\u00e9m sobre o projeto de centro-direita que o PSD quer representar<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A filia\u00e7\u00e3o do governador de Goi\u00e1s, Ronaldo Caiado, ao PSD de Gilberto Kassab introduziu um fato novo no tabuleiro eleitoral de 2026. Ao deixar o Uni\u00e3o Brasil por falta de legenda para disputar a Presid\u00eancia, Caiado refor\u00e7ou a disposi\u00e7\u00e3o do PSD de apresentar uma candidatura pr\u00f3pria ao Planalto, colocando o partido no centro do debate sobre a chamada &#8220;terceira via&#8221;, em oposi\u00e7\u00e3o tanto ao presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL-RJ). Com isso, o PSD passa a reunir tr\u00eas governadores presidenci\u00e1veis que est\u00e3o no segundo mandato, ou seja, que n\u00e3o podem concorrer \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o: Caiado; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; Ratinho Junior, do Paran\u00e1, cujos perfis pol\u00edticos e trajet\u00f3rias eleitorais s\u00e3o bastante distintos.<\/p>\n<p>A entrada de Caiado sinaliza a tentativa mais consistente, at\u00e9 agora, de organizar uma alternativa de centro-direita \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o que domina a pol\u00edtica brasileira desde 2018. Trata-se de uma articula\u00e7\u00e3o com eixo no Sul e no Centro-Oeste, regi\u00f5es onde Lula enfrenta maiores dificuldades eleitorais e onde se concentram setores estrat\u00e9gicos como o agroneg\u00f3cio, o empresariado exportador e parte expressiva da classe m\u00e9dia urbana descontente com o governo. O problema central dessa constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a resili\u00eancia da base bolsonarista popular, ainda fortemente identificada com Jair Bolsonaro e potencialmente transfer\u00edvel ao filho Fl\u00e1vio Bolsonaro. Soma-se a isso um risco hist\u00f3rico conhecido: a ambiguidade do pr\u00f3prio PSD, partido que tradicionalmente tem &#8220;um p\u00e9 em cada canoa&#8221; e evita apostas irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/em><strong>Bolsonaro recebe visita de Valdemar Costa Neto e de ministro do TCU<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o fantasma da &#8220;cristianiza\u00e7\u00e3o&#8221; ronda o futuro candidato da terceira via. Em 1950, o PSD lan\u00e7ou Cristiano Machado \u00e0 Presid\u00eancia, mas parte significativa de sua base migrou informalmente para Get\u00falio Vargas, esvaziando o pr\u00f3prio candidato. Desde ent\u00e3o, o termo passou a designar candidaturas que existem formalmente, mas s\u00e3o abandonadas na pr\u00e1tica. A pergunta que se imp\u00f5e \u00e9 se o PSD, desta vez, est\u00e1 disposto a sustentar at\u00e9 o fim um nome pr\u00f3prio ou se manter\u00e1 sua ambiguidade existencial: tem uma ala no governo e outra na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os tr\u00eas pr\u00e9-candidatos, Caiado representa a direita tradicional organizada. M\u00e9dico, ex-deputado e senador, governador reeleito de Goi\u00e1s, ele construiu sua imagem como lideran\u00e7a do agroneg\u00f3cio, defensor da lei e da ordem e cr\u00edtico contundente do lulismo. Seu discurso \u00e9 claro, ideol\u00f3gico e coerente com uma agenda conservadora nos costumes e liberal na economia. Ele dialoga bem com produtores rurais, setores empresariais e parte do eleitorado bolsonarista que busca uma alternativa menos radical. O problema \u00e9 seu alcance nacional limitado: fora do Centro-Oeste, Caiado ainda \u00e9 pouco conhecido e carrega resist\u00eancia em setores urbanos e no Nordeste. Seu perfil agrega densidade ideol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m tende a estreitar suas alian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Risco de fragmenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Eduardo Leite, por sua vez, encarna a nova direita reformista e democr\u00e1tica. Jovem, urbano, liberal nos costumes e defensor expl\u00edcito das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, o governador do Rio Grande do Sul dialoga com o eleitorado de centro, com setores progressistas moderados e com parcelas da classe m\u00e9dia que rejeitam tanto o bolsonarismo quanto o petismo. Leite tem boa aceita\u00e7\u00e3o no debate p\u00fablico, tr\u00e2nsito internacional e discurso afinado com pautas contempor\u00e2neas, como sustentabilidade e diversidade. Seu principal desafio \u00e9 a baixa penetra\u00e7\u00e3o fora dos grandes centros e a dificuldade de conquistar eleitores populares, especialmente em regi\u00f5es onde o conservadorismo social \u00e9 mais forte. Al\u00e9m disso, sua base eleitoral no Sul \u00e9 s\u00f3lida, mas n\u00e3o decisiva em uma elei\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ratinho Junior surge como o perfil mais pragm\u00e1tico e, eleitoralmente, tem a prefer\u00eancia de Kassab. Governador de um estado economicamente forte, com alto \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o bem avaliada, Ratinho tem a vantagem de um estilo discreto, pouco ideol\u00f3gico e focado em resultados administrativos. Ele dialoga com empres\u00e1rios, com o agroneg\u00f3cio e com setores do Centr\u00e3o, sem provocar rejei\u00e7\u00f5es intensas. Seu nome \u00e9 visto como o mais competitivo internamente justamente por essa capacidade de agregar apoios e reduzir resist\u00eancias. Em contrapartida, carece de uma narrativa nacional clara e de identidade pol\u00edtica forte, essenciais em uma disputa polarizada.<\/p>\n<p><em>Leia mais:\u00a0<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/01\/7343009-psd-ocupa-o-espaco-deixado-por-tarcisio.html\"><strong>PSD ocupa o espa\u00e7o deixado por Tarc\u00edsio<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O desafio do PSD ser\u00e1 transformar essa diversidade em for\u00e7a real e evitar a fragmenta\u00e7\u00e3o. A promessa de que os derrotados apoiar\u00e3o o escolhido \u00e9 importante, mas insuficiente diante da hist\u00f3ria do partido. Sem um compromisso inequ\u00edvoco com a candidatura que emergir, o risco de cristianiza\u00e7\u00e3o permanece. A terceira via s\u00f3 ganhar\u00e1 consist\u00eancia se o PSD conseguir fazer aquilo que historicamente evitou: escolher, sustentar e apostar at\u00e9 o fim. Tradicionalmente, Kassab libera as bases regionais do partido para apoiar quem quiser no primeiro turno e tenta unificar o partido no segundo turno, para apoiar quem tem mais chances de vencer.<\/p>\n<p>Entre Caiado, Leite e Ratinho, a decis\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 apenas sobre quem tem mais votos potenciais, o que pode se aferir com pesquisas, mas sobre o projeto de centro-direita que o partido quer representar: o conservadorismo organizado (Caiado), o liberalismo democr\u00e1tico (Leite) ou o pragmatismo gestor (Ratinho). Se essa escolha n\u00e3o for clara, a terceira via corre o risco de ser abduzida pela polariza\u00e7\u00e3o e desaparecer na urna.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 apenas sobre quem tem mais potenciais, o que pode se aferir com pesquisas, mas tamb\u00e9m sobre o projeto de centro-direita que o PSD quer representar A filia\u00e7\u00e3o do governador de Goi\u00e1s, Ronaldo Caiado, ao PSD de Gilberto Kassab introduziu um fato novo no tabuleiro eleitoral de 2026. 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