{"id":11161,"date":"2026-02-26T08:07:04","date_gmt":"2026-02-26T11:07:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11161"},"modified":"2026-02-26T08:07:32","modified_gmt":"2026-02-26T11:07:32","slug":"lula-perde-favoritismo-e-flavio-consolida-a-candidatura-da-oposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/lula-perde-favoritismo-e-flavio-consolida-a-candidatura-da-oposicao\/","title":{"rendered":"Lula perde favoritismo e Fl\u00e1vio consolida a candidatura da oposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Cen\u00e1rios refor\u00e7am essa percep\u00e7\u00e3o. Em tr\u00eas simula\u00e7\u00f5es contra Fl\u00e1vio Bolsonaro, Lula oscila entre 45% e 45,3%, enquanto o senador varia entre 39,1% e 39,5%<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A pesquisa Atlas\/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), confirma aquilo que j\u00e1 vinha se desenhando nos levantamentos mais recentes: a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026 est\u00e1 aberta, o favoritismo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva deixou de ser confort\u00e1vel e Fl\u00e1vio Bolsonaro consolida-se como o polo da direita na disputa, cristalizando novamente uma polariza\u00e7\u00e3o dura, de alta rejei\u00e7\u00e3o dos dois lados.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros falam por si. No principal cen\u00e1rio testado, Lula aparece com 45% das inten\u00e7\u00f5es de voto, contra 37,9% de Fl\u00e1vio. O importante \u00e9 o movimento: em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rodada anterior, Lula perdeu 3,8 pontos percentuais, enquanto Fl\u00e1vio cresceu 2,9. No segundo turno, Fl\u00e1vio Bolsonaro alcan\u00e7a 46,3% das inten\u00e7\u00f5es de voto, e Lula registra 46,2%, dentro da margem de erro de um ponto percentual. Em compara\u00e7\u00e3o ao levantamento anterior, o presidente recuou tr\u00eas pontos, enquanto o senador avan\u00e7ou 1,4 ponto.<\/p>\n<p>Trata-se de uma inflex\u00e3o relevante, sobretudo porque ocorre em um momento em que o governo ainda colhe indicadores econ\u00f4micos menos negativos e mant\u00e9m pol\u00edticas populares, como a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda at\u00e9 R$ 5 mil e a proposta de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. A oposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 sentiu o cheiro de animal ferido na floresta: Lula segue liderando, mas j\u00e1 n\u00e3o transmite a sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria antecipada. O &#8220;pr\u00eamio de incumb\u00eancia&#8221;, isto \u00e9, a expectativa natural de poder associada ao exerc\u00edcio da Presid\u00eancia, come\u00e7a a se dissipar. A elei\u00e7\u00e3o deixa de ser percebida como um referendo confort\u00e1vel sobre o governo e passa a ser vista como uma disputa real, competitiva, em que cada erro de comunica\u00e7\u00e3o, cada trope\u00e7o simb\u00f3lico e cada ru\u00eddo institucional contam muito.<\/p>\n<p>Os cen\u00e1rios alternativos refor\u00e7am essa percep\u00e7\u00e3o. Em tr\u00eas simula\u00e7\u00f5es diferentes contra Fl\u00e1vio Bolsonaro, Lula oscila entre 45% e 45,3%, enquanto o senador varia entre 39,1% e 39,5%. A dist\u00e2ncia permanece, mas \u00e9 est\u00e1vel e estreita, dentro de um ambiente de polariza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. J\u00e1 no cen\u00e1rio em que entra Tarc\u00edsio de Freitas, Lula cai para 43,3%, e o governador paulista aparece com 36,2%, acompanhado de um crescimento expressivo de Romeu Zema. Esse quadro indica que a direita, quando consegue apresentar nomes competitivos, reduz ainda mais a margem do presidente.<\/p>\n<p>Lweia tamb\u00e9m:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/02\/7362247-atlas-bloomberg-lula-e-flavio-empatam-no-segundo-turno.html\">Atlas\/Bloomberg: Lula e Fl\u00e1vio empatam no segundo turno<\/a><\/p>\n<p>O quinto cen\u00e1rio, no qual Lula amplia a vantagem para 47,1% contra 33,1% de Fl\u00e1vio, mostra que a base lulista permanece s\u00f3lida, gra\u00e7as \u00e0 &#8220;economia do afeto&#8221;, mas tamb\u00e9m revela a volatilidade do eleitorado intermedi\u00e1rio, aquele que decide elei\u00e7\u00f5es apertadas, refrat\u00e1rio \u00e0 &#8220;cultura de recha\u00e7o&#8221; do PT. No sexto cen\u00e1rio, com a substitui\u00e7\u00e3o de Lula, Haddad aparece com 39,1%, tecnicamente empatado com Fl\u00e1vio, que marca 37,1%. Esse empate revela que Haddad se tornou eleitoralmente vi\u00e1vel, algo impens\u00e1vel poucos anos atr\u00e1s; e mostra que Lula continua sendo o grande fiador eleitoral do campo governista. Sem ele, a disputa fica ainda mais imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>&#8220;N\u00f3s com n\u00f3s&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Bolsonaro alcan\u00e7ou seu objetivo central: herdou o antipetismo, bloqueou o surgimento de uma terceira via robusta e se tornou o nome natural da direita. \u00c9 impressionante a sua capacidade de &#8220;absun\u00e7\u00e3o&#8221; do capital eleitoral do governador de S\u00e3o Paulo, Tarc\u00edsio de Freitas. Mesmo sem o carisma do pai, o sobrenome, o apoio do n\u00facleo duro bolsonarista e a converg\u00eancia quase autom\u00e1tica da direita n\u00e3o lulista em torno de sua candidatura fazem de sua candidatura a express\u00e3o de um movimento org\u00e2nico na sociedade.<\/p>\n<p>Leia mais:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/02\/7362967-flavio-monta-palanques-no-rio-em-sc-e-no-df.html\"><strong>Fl\u00e1vio monta palanques no Rio, em SC e no DF<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A pesquisa mostra tamb\u00e9m que governadores como Caiado, Zema, Ratinho J\u00fanior ou Eduardo Leite ter\u00e3o que comer muito feij\u00e3o com arroz para sa\u00edrem da condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica no primeiro turno, incapazes, at\u00e9 aqui, de romper a l\u00f3gica bin\u00e1ria. Nesse escal\u00e3o, destaca-se a resili\u00eancia do governador de Goi\u00e1s, Ronaldo Caiado (PSD), que tem mais gana de ser candidato do que os governadores do Paran\u00e1, Ratinho Jr, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apesar das simpatias da Faria Lima e dos que sonham com a &#8220;terceira via&#8221;.<\/p>\n<p>Lula continua competitivo, lidera todos os cen\u00e1rios e disp\u00f5e da m\u00e1quina federal, de pol\u00edticas p\u00fablicas populares e de uma economia que d\u00e1 sinais de melhora marginal. Mas est\u00e1 entrando numa faixa muito perigosa, que pode lhe custar a aura de invencibilidade natural em quem concorre \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. De agora em diante, cada gesto passa a ser escrutinado. O PT precisa tirar o boizinho da sombra e ir \u00e0 luta, buscar mais protagonismo no Congresso e tecer alian\u00e7as amplas nos estados.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds dividido quase ao meio, como indicam reiteradamente as pesquisas, a vit\u00f3ria em 2026 depender\u00e1 menos de ampliar bases j\u00e1 consolidadas e mais da capacidade de dialogar com um eleitorado c\u00e9tico, vol\u00e1til e cansado da pol\u00edtica. Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 margem para erros nem para soberba. Epis\u00f3dios do tipo &#8220;n\u00f3s com n\u00f3s&#8221;, como desfile da Acad\u00eamicos de Niter\u00f3i, por exemplo, que mexeram com a autoestima de Lula e seu partido, e ao mesmo tempo seguiram a l\u00f3gica da narrativa do &#8220;n\u00f3s contra eles&#8221;, t\u00eam o outro lado da moeda: n\u00e3o ampliam a base pol\u00edtica e d\u00e3o muni\u00e7\u00e3o aos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cen\u00e1rios refor\u00e7am essa percep\u00e7\u00e3o. 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