{"id":11234,"date":"2026-03-22T10:50:52","date_gmt":"2026-03-22T13:50:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11234"},"modified":"2026-03-22T11:20:29","modified_gmt":"2026-03-22T14:20:29","slug":"tao-longe-tao-perto-duracao-da-guerra-do-ira-pode-decidir-eleicoes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/tao-longe-tao-perto-duracao-da-guerra-do-ira-pode-decidir-eleicoes-no-brasil\/","title":{"rendered":"T\u00e3o longe, t\u00e3o perto, dura\u00e7\u00e3o da guerra do Ir\u00e3 pode decidir elei\u00e7\u00f5es no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A Opera\u00e7\u00e3o F\u00faria \u00c9pica parece distante de um fim pr\u00f3ximo, embora concebida para durar poucos dias. O n\u00f3 g\u00f3rdio da guerra \u00e9 o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Ir\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Neste ano eleitoral, h\u00e1 tr\u00eas fatores imponder\u00e1veis para os humores da sociedade: o desfecho do esc\u00e2ndalo do Banco Master, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 credibilidade das institui\u00e7\u00f5es; a pris\u00e3o em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro, com suas recorrentes interna\u00e7\u00f5es por problemas de sa\u00fade; e a guerra do Ir\u00e3, com forte impacto no pre\u00e7o dos combust\u00edveis e, consequentemente, na infla\u00e7\u00e3o. O primeiro favorece uma candidatura outsider, o segundo a do senador Fl\u00e1vio Bolsonaro e, o terceiro, qualquer um dos dois ou um candidato de \u201cterceira via\u201d. Ou seja, para se reeleger, o presidente Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva precisa ficar esperto, o tempo fechou.<\/p>\n<p>Desses fatores, a guerra do Ir\u00e3 \u00e9 aquela que est\u00e1 completamente fora do alcance da pol\u00edtica brasileira. Embora traga a pol\u00edtica externa para o debate interno, devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es do governo brasileiro com o regime dos aiatol\u00e1s, o contencioso com Israel e as fric\u00e7\u00f5es entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, \u00e9 uma \u201cexternalidade negativa\u201d que precisa ser mitigada.<\/p>\n<p>Entretanto, o Itamaraty n\u00e3o pode influenciar o destino da guerra e seu impacto na economia depende da dura\u00e7\u00e3o do conflito. Hoje, esse \u00e9 o fator mais cr\u00edtico para a economia global, sobretudo devidos \u00e0 escala dos danos permanentes causados \u00e0 infraestrutura da regi\u00e3o. Historicamente, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo acompanha as crises do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2026\/03\/7381265-trump-diz-que-eua-aniquilarao-usinas-nucleares-do-ira-se-estreito-de-ormuz-nao-abrir-em-48-horas.html\"><strong>Trump diz que EUA &#8216;aniquilar\u00e3o&#8217; usinas nucleares do Ir\u00e3<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A Guerra do Yom Kippur (1973), que durou tr\u00eas semanas, foi a causa do primeiro \u201cChoque de Petr\u00f3leo\u201d. Em retalia\u00e7\u00e3o ao apoio a Israel, a OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo), fundada em 1960, um cartel inicialmente formado por Ar\u00e1bia Saudita, Ir\u00e3, Iraque, Kuwait e Venezuela, quadruplicou o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que saltou de 3 para 12 d\u00f3lares o barril. Aqui no Brasil, isso provocou o fim do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d no governo Geisel e a derrota eleitoral dos militares em 1974.<\/p>\n<p>Outras guerras causaram eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e grande instabilidade nos mercados. A tomada do poder pelos aiatol\u00e1s no Ir\u00e3 e a subsequente guerra com o Iraque (1980\u20131988) foram respons\u00e1veis pelo segundo Choque do Petr\u00f3leo, em 1982, e a Crise da D\u00edvida dos pa\u00edses em desenvolvimento. A alta nos pre\u00e7os do combust\u00edvel e a eleva\u00e7\u00e3o dos juros americanos foram o estopim da hiperinfla\u00e7\u00e3o no Brasil, s\u00f3 superada com o Plano Real, em 1994.<\/p>\n<p>Em 1991, a Guerra do Golfo (invas\u00e3o do Kuwait pelo Iraque) durou sete meses e provocou forte alta do petr\u00f3leo, somente contida pela interven\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e o uso de reservas estrat\u00e9gicas de combust\u00edvel. Nova crise no mercado se deu com a Guerra do Iraque, em 2003, com a invas\u00e3o do pa\u00eds pelos Estados Unidos, sob o falso pretexto de que Sadam Hussein estaria produzindo armas qu\u00edmicas de exterm\u00ednio em massa. Seis semanas de ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o confirmaram a acusa\u00e7\u00e3o e desestabilizaram o pa\u00eds at\u00e9 hoje. Na \u00e9poca, os pre\u00e7os chegaram a 40 d\u00f3lares o barril de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>Nacionalismo<\/strong><\/p>\n<p>Nessa guerra do Ir\u00e3, ataques a refinarias no Kuwait e Ar\u00e1bia Saudita fizeram o petr\u00f3leo Brent disparar mais de 6% em um \u00fanico dia. Dependendo da escala, o barril pode atingir os US$ 200. Depois de realizar cerca de oito mil voos sobre o territ\u00f3rio iraniano, atingir cerca de 7 mil a 7,8 mil alvos no pa\u00eds e matar o l\u00edder supremo da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, Ali Khamenei, e parcela consider\u00e1vel da c\u00fapula do regime, os Estados Unidos ainda parecem longe de atingir os objetivos anunciados no in\u00edcio das hostilidades.<\/p>\n<p>A guerra provoca a maior disrup\u00e7\u00e3o de oferta de petr\u00f3leo da hist\u00f3ria, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), com a cota\u00e7\u00e3o do barril atingindo quase US$ 120 esta semana, al\u00e9m de causar press\u00e3o inflacion\u00e1ria global e abalo de cadeias produtivas. O pre\u00e7o do petr\u00f3leo na sexta-feira (20), estava a US$ 113,10 (R$ 590,04), alta de 4,05% na compara\u00e7\u00e3o com o dia anterior.<\/p>\n<p>O mercado trabalha com tr\u00eas cen\u00e1rios: choque tempor\u00e1rio, barril a US$ 73,1, com menor impacto na infla\u00e7\u00e3o; choque persistente, com pre\u00e7o m\u00e9dio do barril em US$ 82; e choque disruptivo: pre\u00e7o m\u00e9dio do barril acima de US$ 100, com aumento significativo da infla\u00e7\u00e3o global e do valor dos combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Iniciada em 28 de fevereiro, a Opera\u00e7\u00e3o F\u00faria \u00c9pica parece distante de um fim pr\u00f3ximo, embora tenha sido concebida para durar poucos dias. O n\u00f3 g\u00f3rdio da guerra \u00e9 o bloqueio do Golfo de Ormuz, controlado pelo Ir\u00e3, por onde circulam 20% da produ\u00e7\u00e3o mundial, e a estrat\u00e9gia de escalada e guerra assim\u00e9trica agora adotada pelo regime dos aiatol\u00e1s.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2026\/03\/7380918-o-que-e-a-armadilha-de-escalada-que-explica-por-que-guerra-no-ira-pode-sair-de-controle.html\"><strong>Armadilha de Escalada, guerra no Ir\u00e3 pode sair de controle<\/strong><\/a><\/p>\n<p>No Brasil, o presidente Lula zerou o PIS-Pasep sobre combust\u00edveis e pressiona governadores pela redu\u00e7\u00e3o do ICMS, mas os efeitos ainda n\u00e3o chegaram \u00e0s bombas. A crise reacendeu o debate entre privatiza\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o, considerado superado pelo mercado. Em visita \u00e0 Refinaria Gabriel Passos (Regap), entre Betim e Ibirit\u00e9 (MG), em Minas, Lula disse que \u201ca Petrobras voltou a ser a empresa mais rent\u00e1vel do pa\u00eds\u201d, e anunciou a recompra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.<\/p>\n<p>Lula criticou tamb\u00e9m a privatiza\u00e7\u00e3o da BR Distribuidora (atual Vibra Energia), com o argumento de que sua venda reduziu a capacidade de regula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Ao que tudo indica, pretende politizar a crise e resgatar uma velha bandeira de defesa da Petrobras: \u201co petr\u00f3leo \u00e9 nosso\u201d. Em 2006, deu certo contra o ent\u00e3o candidato tucano Geraldo Alckmin, hoje no PSB e seu vice-presidente.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Opera\u00e7\u00e3o F\u00faria \u00c9pica parece distante de um fim pr\u00f3ximo, embora concebida para durar poucos dias. 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