{"id":11261,"date":"2026-03-29T08:15:18","date_gmt":"2026-03-29T11:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11261"},"modified":"2026-03-29T08:15:44","modified_gmt":"2026-03-29T11:15:44","slug":"guerra-do-ira-crise-do-petroleo-o-brasil-e-a-velha-carreira-das-indias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/guerra-do-ira-crise-do-petroleo-o-brasil-e-a-velha-carreira-das-indias\/","title":{"rendered":"Guerra do Ir\u00e3, crise do petr\u00f3leo, o Brasil e a velha &#8220;Carreira das \u00cdndias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>\u00cdndia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petr\u00f3leo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 de olho nas oportunidades para exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto e etanol para a \u00c1sia, com as mudan\u00e7as geopol\u00edticas provocadas pela guerra do Ir\u00e3. O fechamento do Estreito de Ormuz, a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os conflitos no Oriente M\u00e9dio, que atingiram uma escala inimagin\u00e1vel, reposicionam as pot\u00eancias da \u00c1sia. Essas mudan\u00e7as ficaram evidentes no encontro dos chanceles do G7, grupo de pa\u00edses mais industrializados do mundo: Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e Reino Unido.<\/p>\n<p>Realizado em Vaux-de-Cernay, na Fran\u00e7a, que preside o encontro, a reuni\u00e3o de sexta-feira foi uma etapa preparat\u00f3ria para a C\u00fapula de L\u00edderes, prevista para junho, da qual o Brasil, a \u00cdndia e a Coreia do Sul tamb\u00e9m participar\u00e3o como convidados. A guerra no Ir\u00e3 e assuntos bilaterais foram tratados pelo ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Mauro Vieira, e os chanceleres do G7, mas as conversas mais produtivas do chanceler brasileiro foram com o indiano Subrahmanyam Jaishankar e o coreano Cho Hyu. Os dois pa\u00edses asi\u00e1ticos est\u00e3o empenhados em reduzir a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo e g\u00e1s do Oriente M\u00e9dico. \u00c9 a\u00ed que a velha &#8220;Carreira das \u00cdndias&#8221; ainda tem seu valor.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da &#8220;Carreira das \u00cdndias&#8221; coincidiu com a chegada dos portugueses ao Brasil, em 22 de abril de 1500. Organizada pela Coroa Portuguesa com o objetivo de consolidar o com\u00e9rcio com as \u00cdndias Orientais, a esquadra de Pedro \u00c1lvares Cabral tinha 13 navios e 1,2 mil homens, entre marinheiros, soldados, religiosos e comerciantes. Partiu de Lisboa em 9 de mar\u00e7o daquele ano, com destino oficial \u00e0 cidade de Calicute, na \u00cdndia. Ap\u00f3s deixar o Brasil, em setembro de 1500, Cabral chegou a Calicute. Houve conflitos com mu\u00e7ulmanos locais, Cabral bombardeou a cidade, mas conseguiu fazer acordos comerciais em Cochim e Cananor, estabelecendo as bases portuguesas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio regular com as \u00cdndias consolidou o imp\u00e9rio ultramarino portugu\u00eas, que tamb\u00e9m foi o primeiro pa\u00eds europeu a estabelecer contato direto e duradouro com a China Imperial. Em 1513, o navegador portugu\u00eas Jorge \u00c1lvares desembarcou em Tam\u00e3o (perto de Hong Kong). Em 1557, os portugueses obtiveram autoriza\u00e7\u00e3o do governo Ming para se estabelecerem na China. Macau serviu de elo entre Jap\u00e3o, China e Europa. Portugal manteve a administra\u00e7\u00e3o da ilha at\u00e9 1999, quando foi devolvida \u00e0 China.<\/p>\n<p>A velha rota do &#8220;Caminho das \u00cdndias&#8221; ainda \u00e9 a mais utilizada para as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, principalmente pelos navios de grande porte, devido aos custos. O trajeto Porto de Santos, Canal do Panam\u00e1, Oceano Pac\u00edfico, Mar da China Meridional, Porto de Xangai ou Guangzhou, com 19 mil km, leva de 30 a 35 dias, dependendo do tipo de navio, clima e escalas. Essa rota \u00e9 mais curta e vantajosa para o Norte e o Nordeste, por\u00e9m, mais cara, devido aos custos da passagem pelo canal, filas de espera e limites de tonelagem dos navios.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2026\/03\/7385985-o-outro-estreito-crucial-para-a-economia-global-que-o-ira-ameaca-bloquear.html\">O outro estreito crucial para a economia global que o Ir\u00e3 amea\u00e7a bloquear<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 a Rota do Cabo da Boa Esperan\u00e7a, com trajeto Santos, Atl\u00e2ntico Sul, Cabo da Boa Esperan\u00e7a, Oceano \u00cdndico, Malaca e Mar da China, tem de 22 mil a 24 mil km, leva de 35 a 45 dias, por\u00e9m, \u00e9 mais barata, porque n\u00e3o tem ped\u00e1gio e permite navios gigantes. Recentemente, o Brasil e a China conectaram o Porto de Gaolan, na cidade de Zhuhai, aos portos brasileiros de Santana (AP) e Salvador. Essa rota atravessa o Estreito de Malaca e o Cabo da Boa Esperan\u00e7a, reduzindo o tempo de transporte em at\u00e9 15 dias e os custos log\u00edsticos em mais de 30%, em compara\u00e7\u00e3o com as rotas tradicionais.<\/p>\n<p><strong>Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>O problema log\u00edstico da rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1sia \u00e9 desafogar os portos existentes e diversificar as rotas, para exportar soja, a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, carnes, min\u00e9rio de ferro; produtos petroqu\u00edmicos e combust\u00edveis; m\u00e1rmore, granito, a\u00e7o e celulose; e castanha de caju, cera de carna\u00faba, frutas, carnes, cal\u00e7ados e t\u00eaxteis. A exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto, por\u00e9m, leva a vantagem de que a maior parte da produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 no mar e j\u00e1 conta com terminais para escoar a produ\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o de etanol tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3xima ao litoral.<\/p>\n<p>Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, os pa\u00edses asi\u00e1ticos t\u00eam ampliado a demanda pelos produtos da estatal. Destacam-se, al\u00e9m da China, justamente a \u00cdndia e a Coreia do Sul. Uma das dificuldades comerciais at\u00e9 recentemente era o pre\u00e7o do barril, que estava em torno de US$ 70; agora, com a guerra, j\u00e1 est\u00e1 em US$ 110. Com o fim da guerra, pode baixar, mas n\u00e3o deve voltar ao patamar anterior.<\/p>\n<p><em>Leia mais<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2026\/03\/7386329-como-a-china-passou-anos-se-preparando-para-uma-crise-mundial-do-petroleo-e-qual-e-o-seu-ponto-fraco.html\"><strong>Como a China passou anos se preparando para uma crise mundial do petr\u00f3leo<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A \u00c1sia responde por 72% das vendas no terceiro trimestre de 2025, ante 55% e 47% no mesmo per\u00edodo de 2024 e 2023, respectivamente. A China \u00e9 o principal comprador, com participa\u00e7\u00e3o de 53%, contra 41% e 40% no mesmo anterior. Recentemente, a \u00cdndia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petr\u00f3leo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas.<\/p>\n<p>Os contratos com a Indian Oil Corporation Limited (IOC), a Bharat Petroleum Corporation Limited (BPCL) e a Hindustan Petroleum Corporation Limited (HPCL) em vigor at\u00e9 mar\u00e7o de 2027 e j\u00e1 representam um potencial de venda de at\u00e9 60 milh\u00f5es de barris, com valor estimado em US$ 3,1 bilh\u00f5es. A pre\u00e7os de hoje, esse montante chegaria a valer US$ 6,3 bilh\u00f5es. Ou seja, o Brasil pode mitigar o jogo de soma zero da guerra do Ir\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petr\u00f3leo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas O Brasil est\u00e1 de olho nas oportunidades para exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto e etanol para a \u00c1sia, com as mudan\u00e7as geopol\u00edticas provocadas pela guerra do Ir\u00e3. 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