{"id":11284,"date":"2026-04-05T07:26:01","date_gmt":"2026-04-05T10:26:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11284"},"modified":"2026-04-05T07:26:01","modified_gmt":"2026-04-05T10:26:01","slug":"com-trocas-de-partidos-camara-confirma-hegemonia-conservadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/com-trocas-de-partidos-camara-confirma-hegemonia-conservadora\/","title":{"rendered":"Com trocas de partidos, C\u00e2mara confirma hegemonia conservadora"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O controle burocr\u00e1tico dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Or\u00e7amento e a \u201cpol\u00edtica como neg\u00f3cio\u201d ditam as regras do jogo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 cada vez mais evidente na pol\u00edtica brasileira o descolamento dos partidos de projetos nacionais e sua convers\u00e3o em m\u00e1quinas de sobreviv\u00eancia eleitoral. Esse &#8220;transformismo&#8221; \u00e9 um processo pol\u00edtico associado ao peso do fundo eleitoral, das emendas parlamentares, da densidade das legendas e \u00e0s alian\u00e7as na disputa \u00e0 Presid\u00eancia e aos governos estaduais. Esse conjunto explica o troca-troca da janela partid\u00e1ria. Confirma a hegemonia conservadora na C\u00e2mara e uma deriva mais \u00e0 direita do sistema partid\u00e1rio. O PL cresce de 86 para 101 deputados (+15), tornando-se o principal polo de atra\u00e7\u00e3o de parlamentares. Se for confirmado esse avan\u00e7o nas elei\u00e7\u00f5es, a legenda ampliar\u00e1 seu acesso ao Fundo Eleitoral, ao Fundo Partid\u00e1rio e ao controle de emendas, relatorias e comiss\u00f5es, independentemente do resultado das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>Quanto maior a bancada, maior a capacidade de financiar campanhas e irrigar bases locais, num mecanismo de autorreprodu\u00e7\u00e3o de mandatos que vicia a representa\u00e7\u00e3o popular, blinda os mandat\u00e1rios e bloqueia a renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O avan\u00e7o da direita n\u00e3o se deve apenas \u00e0 identidade ideol\u00f3gica. Decorre, sobretudo, de sua expectativa de poder, fortalecida pela competitividade da candidatura de Fl\u00e1vio Bolsonaro, em empate t\u00e9cnico com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Esse movimento foi acompanhado por ganhos do PP (+4) e do Podemos (+8), partidos que ampliam sua capacidade de financiamento e distribui\u00e7\u00e3o de recursos, refor\u00e7ando o campo conservador.<\/p>\n<p>No campo governista, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais fragmentada. O PT recua marginalmente (67 para 66, -1), mantendo sua base, mas sem capacidade de expans\u00e3o. O PSB cresce (+4), enquanto PSol, PCdoB, PV e Rede avan\u00e7am de forma residual. Esses ganhos melhoram a capilaridade da esquerda, mas n\u00e3o alteram significativamente sua for\u00e7a material. As perdas do Uni\u00e3o Brasil (-15), do MDB (-5), do Republicanos (-3) e, sobretudo, do PDT (-10), reduzem as possibilidades de amplia\u00e7\u00e3o do campo governista em dire\u00e7\u00e3o ao centro.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/04\/7390725-marina-silva-confirma-pre-candidatura-ao-senado-por-sp-e-permanencia-na-rede.html\"><strong>Marina Silva confirma pr\u00e9-candidatura ao Senado por SP e perman\u00eancia na Rede<\/strong><\/a><\/p>\n<p>PSD e MDB permanecem como pe\u00e7as-chave do xadrez pol\u00edtico do Congresso. O PSD mant\u00e9m 47 deputados, por\u00e9m, sua for\u00e7a real est\u00e1 na densidade eleitoral e no controle de governos estaduais e estruturas locais. Trata-se de um partido fragmentado regionalmente, que responde mais aos interesses de suas lideran\u00e7as estaduais do que a uma estrat\u00e9gia nacional. Isso torna a candidatura do ex-governador de Goi\u00e1s Ronaldo Caiado suscet\u00edvel de &#8220;cristianiza\u00e7\u00e3o&#8221;, pois uma parte do partido deve apoiar Lula, enquanto outra j\u00e1 gravita em torno de Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p>O MDB, mesmo reduzido a 37 deputados, mant\u00e9m forte capilaridade municipal e acesso relevante a recursos. N\u00e3o se orienta por ideologia, mas por expectativa de poder. Apoiar\u00e1 quem oferecer melhores condi\u00e7\u00f5es eleitorais e espa\u00e7o na m\u00e1quina p\u00fablica. Em um cen\u00e1rio polarizado, ambos \u2014 PSD e MDB \u2014 atuam como fiadores de maiorias, s\u00e3o protagonistas da barganha pol\u00edtica em troca de governabilidade.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica como neg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n<p>As emendas parlamentares s\u00e3o decisivas nesse processo. O or\u00e7amento impositivo transformou deputados em operadores diretos de recursos, fortalecendo sua autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao Executivo. Isso reduz a capacidade de coordena\u00e7\u00e3o do governo e refor\u00e7a a l\u00f3gica individual: cada parlamentar busca maximizar sua entrega local. Bancadas maiores concentram mais emendas, tornando-se mais atrativas. O crescimento do PL, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m or\u00e7ament\u00e1rio. PL, PSD, MDB e PP convertem melhor votos em cadeiras e poder local, enquanto legendas menores t\u00eam menor efici\u00eancia competitiva. Isso explica a migra\u00e7\u00e3o para partidos m\u00e9dios e grandes, capazes de sustentar campanhas robustas.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do PL indica que cresce, no sistema pol\u00edtico, a avalia\u00e7\u00e3o de competitividade de Fl\u00e1vio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a estabilidade do PT reflete a resili\u00eancia de Lula como candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Nesse quadro, as perdas do PDT (-10), Avante (- 4), PRD (-3) e Cidadania (-2) s\u00e3o emblem\u00e1ticas. Em crise interna, o \u00faltimo perdeu identidade; e Arnaldo Jardim (SP), seu parlamentar mais influente, n\u00e3o ser\u00e1 candidato.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2026\/04\/7390386-desafios-institucionais-da-campanha-eleitoral.html\"><strong>Desafios institucionais da campanha eleitoral<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Ainda que exista uma quest\u00e3o \u00e9tica subjacente, o &#8220;transformismo&#8221; \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica. No Brasil, n\u00e3o existe um projeto democr\u00e1tico de moderniza\u00e7\u00e3o capaz de forjar um novo consenso nacional. A massa cr\u00edtica intelectual e empresarial para formular essa alternativa foi alijada da pol\u00edtica ou capturada por essa dicotomia.<\/p>\n<p>Os partidos foram capturados pela &#8220;transa&#8221; pol\u00edtica. J\u00e1 n\u00e3o se orientam por programas, mas por interesses particulares, pesquisas eleitorais e a audi\u00eancia nas redes sociais. Subalterna, a &#8220;pol\u00edtica do bem comum&#8221; foi sufocada pelo controle burocr\u00e1tico dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Or\u00e7amento e a &#8220;pol\u00edtica como neg\u00f3cio&#8221;, que ditam as regras do jogo e alimentam uma &#8220;partidocracia&#8221; patrimonialista. E, assim, novas gera\u00e7\u00f5es perpetuam as velhas oligarquias.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O controle burocr\u00e1tico dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Or\u00e7amento e a \u201cpol\u00edtica como neg\u00f3cio\u201d ditam as regras do jogo \u00c9 cada vez mais evidente na pol\u00edtica brasileira o descolamento dos partidos de projetos nacionais e sua convers\u00e3o em m\u00e1quinas de sobreviv\u00eancia eleitoral. 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