{"id":11315,"date":"2026-04-15T07:16:53","date_gmt":"2026-04-15T10:16:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=11315"},"modified":"2026-04-15T07:17:15","modified_gmt":"2026-04-15T10:17:15","slug":"relatorio-de-vieira-foi-derrotado-mas-escalou-as-tensoes-com-o-supremo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/relatorio-de-vieira-foi-derrotado-mas-escalou-as-tensoes-com-o-supremo\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio de Vieira foi derrotado, mas escalou as tens\u00f5es com o Supremo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O susto passou, mas as sequelas s\u00e3o grandes. O relat\u00f3rio escalou o confronto entre setores da oposi\u00e7\u00e3o e o STF, ao imputar a ministros Gilmar, Toffoli e Moraes supostos crimes de responsabilidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A CPI do Crime Organizado rejeitou o relat\u00f3rio apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por 6 votos contr\u00e1rios e 4 favor\u00e1veis, encerrando os trabalhos do colegiado sem a aprova\u00e7\u00e3o de um documento final. O relat\u00f3rio propunha o indiciamento, por crimes de responsabilidade, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, al\u00e9m do procurador-geral da Rep\u00fablica, Paulo Gonet.<\/p>\n<p>Com a entrada em campo do Pal\u00e1cio do Planalto e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Uni\u00e3o-AP), houve mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o da CPI, com o ingresso de parlamentares alinhados ao governo nas vagas de titulares. Tr\u00eas dos 11 membros titulares foram trocados. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substitu\u00eddos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leit\u00e3o (PT-PE). Al\u00e9m disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada membro titular.<\/p>\n<p>Com as trocas, a CPI teve maioria para derrotar o relat\u00f3rio proposto por Vieira. Al\u00e9m de Beto Faro e Teresa Leit\u00e3o, votaram contra o relat\u00f3rio os senadores Rog\u00e9rio Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke. O pedido de indiciamento, desde que fosse aprovado pela maioria da CPI, poderia levar a uma solicita\u00e7\u00e3o de impeachment das quatro autoridades citadas. Esse pedido de impeachment teria que ser apresentado \u00e0 Mesa do Senado Federal.<\/p>\n<p>O parecer de Vieira inclu\u00eda propostas legislativas para refor\u00e7ar o combate ao crime organizado. Entre elas, a cria\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, uma nova interven\u00e7\u00e3o federal na seguran\u00e7a do Rio de Janeiro e medidas para ampliar o controle sobre fluxos financeiros e pessoas expostas politicamente.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m tratava do caso envolvendo o Banco Master, atribuindo a ministros do STF condutas consideradas incompat\u00edveis com o exerc\u00edcio do cargo. O relator apontou supostas rela\u00e7\u00f5es financeiras e proximidade entre integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, al\u00e9m de questionar decis\u00f5es judiciais tomadas durante as investiga\u00e7\u00f5es da CPI.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Vieira elevou a tens\u00e3o institucional com o STF a um novo patamar. Ao direcionar acusa\u00e7\u00f5es aos ministros da Corte, p\u00f4s em xeque as fronteiras constitucionais de atua\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito, ao avan\u00e7ar sobre a esfera de compet\u00eancia do Supremo, cuja abrang\u00eancia \u00e9 cada vez mais el\u00e1stica.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/04\/7397924-alcolumbre-alerta-para-riscos-a-institucionalidade.html\"><strong>Alcolumbre alerta para riscos \u00e0 institucionalidade<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Segundo Vieira, n\u00e3o se tratava de ataque ao Supremo, &#8220;mas de cumprir o dever de investigar fatos graves que chegaram ao conhecimento da CPI&#8221;. Disse tamb\u00e9m que &#8220;ningu\u00e9m est\u00e1 acima da lei, e eventuais desvios de conduta precisam ser apurados dentro das regras constitucionais&#8221;, na tentativa de enquadrar o indiciamento como exerc\u00edcio leg\u00edtimo de controle parlamentar.<\/p>\n<p><strong>Forte rea\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o foi imediata. Alexandre de Moraes classificou o relat\u00f3rio como &#8220;uma pe\u00e7a sem respaldo jur\u00eddico, constru\u00edda para constranger a atua\u00e7\u00e3o independente do Judici\u00e1rio&#8221;. Acrescentou que &#8220;n\u00e3o cabe a uma CPI revisar decis\u00f5es judiciais ou imputar responsabilidades com base em ila\u00e7\u00f5es&#8221;. Dias Toffoli disse que &#8220;o Supremo Tribunal Federal tem mecanismos pr\u00f3prios de controle e n\u00e3o se submete a iniciativas que extrapolem os limites constitucionais das comiss\u00f5es parlamentares&#8221;. E recha\u00e7ou qualquer tentativa de responsabiliza\u00e7\u00e3o &#8220;fora do devido processo legal&#8221;.<\/p>\n<p>Gilmar Mendes afirmou que o indiciamento era &#8220;uma tentativa de intimida\u00e7\u00e3o institucional incompat\u00edvel com o Estado de Direito&#8221; e advertiu que &#8220;n\u00e3o se pode transformar diverg\u00eancias interpretativas em acusa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas contra ministros da Corte&#8221;. Para ele, o epis\u00f3dio revela &#8220;um uso indevido de instrumentos parlamentares para fins de press\u00e3o pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>Leia mais:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2026\/04\/7397485-gilmar-reage-a-relatorio-e-acusa-cpi-do-crime-organizado-de-extrapolar-funcoes.html\"><strong>Gilmar reage a relat\u00f3rio e acusa CPI do Crime Organizado de extrapolar fun\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O procurador-geral Paulo Gonet negou qualquer omiss\u00e3o. Ressaltou que &#8220;todas as apura\u00e7\u00f5es sob responsabilidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico seguem crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e legais, sem qualquer tipo de interfer\u00eancia pol\u00edtica&#8221;, e que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para atua\u00e7\u00f5es motivadas por press\u00f5es externas ou narrativas conjunturais&#8221;.<\/p>\n<p>O susto passou, mas as sequelas s\u00e3o grandes. O relat\u00f3rio escalou o confronto entre setores da oposi\u00e7\u00e3o e o STF. Ao imputar aos ministros supostos crimes de responsabilidade, ou seja, de natureza pol\u00edtico-administrativa, Vieira ultrapassou os limites estritamente investigativos para uma arena de contesta\u00e7\u00e3o institucional ao Supremo, na qual decis\u00f5es judiciais passariam a ser reinterpretadas pela \u00f3tica pol\u00edtica. Foi mais um lance na escalada de cr\u00edticas recorrentes ao protagonismo do Supremo em temas sens\u00edveis da vida p\u00fablica nacional.<\/p>\n<p>Ainda que o relat\u00f3rio fosse aprovado, quaisquer pedidos de impeachment dependem da iniciativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Al\u00e9m disso, o STF n\u00e3o reconhece autoridade de CPIs para impor san\u00e7\u00f5es diretas a seus membros, o que limita o alcance pr\u00e1tico da iniciativa. Na opini\u00e3o dos ministros do Supremo, houve abuso de poder com objetivos eleitorais.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O susto passou, mas as sequelas s\u00e3o grandes. 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