{"id":1197,"date":"2017-01-08T09:15:30","date_gmt":"2017-01-08T11:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=1197"},"modified":"2017-01-08T09:17:17","modified_gmt":"2017-01-08T11:17:17","slug":"nas-entrelinhas-doenca-de-baumol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-doenca-de-baumol\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A doen\u00e7a de Baumol"},"content":{"rendered":"<p><em>Aqui mesmo no Brasil, nos melhores hospitais e nas melhores escolas privadas, h\u00e1 in\u00fameros exemplos que poderiam ser adotados na rede p\u00fablica<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Baumol \u00e9 o nome dado pelos economistas ao aumento das despesas com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o num mundo em que os custos de produ\u00e7\u00e3o caem vertiginosamente gra\u00e7as ao aumento da produtividade. Essa \u201cdoen\u00e7a de custos\u201d foi diagnosticada pela primeira vez em 1966, pelos economistas William J. Baumol e William Bowen, e at\u00e9 hoje n\u00e3o se encontrou uma cura efetiva para elas, seja no setor p\u00fablico, seja no privado. No Brasil, por\u00e9m, os resultados s\u00e3o o colapso do sistema de sa\u00fade e a p\u00e9ssima qualidade de ensino.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o sobre a nova Lei do Teto dos Gastos P\u00fablicos, a maior rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria partiu das corpora\u00e7\u00f5es ligadas aos dois setores, principalmente sanitaristas e professores. Como a discuss\u00e3o acaba sempre instrumentalizada pelos partidos, o vi\u00e9s do debate foi pautado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ou seja, o assunto virou trincheira da turma que acha que a antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es vai resolver todos os problemas do pa\u00eds, sem considerar os riscos que isso teria, uma vez que viola o calend\u00e1rio estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ter mais de 50 anos, a hip\u00f3tese de Baumol e Bowen est\u00e1 mais do que comprovada: as despesas com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o aumentaram de forma consistente em todo o mundo, enquanto os custos da produ\u00e7\u00e3o desabaram com a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Honor\u00e1rios m\u00e9dicos, planos de sa\u00fade e despesas com o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, por exemplo, sobem mais do que a infla\u00e7\u00e3o. As despesas com educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Como s\u00e3o servi\u00e7os que exigem trabalho humano personalizado, n\u00e3o podem ser automatizados na atividade-fim.<\/p>\n<p>O crescimento da produtividade geralmente est\u00e1 associado ao resultado obtido pela hora trabalhada. Na ind\u00fastria, de um modo geral, isso se traduz na automa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de bens, como os carros, por exemplo. Ningu\u00e9m pode automatizar o atendimento aos pacientes ou aos alunos em sala de aula. Mesmo que se reduza a dura\u00e7\u00e3o das consultas ou se aumente o n\u00famero de alunos por sala de aula, h\u00e1 um limite r\u00edgido para a produtividade. O pensamento e a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser automatizados, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui no Brasil, esse fen\u00f4meno est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento das despesas com Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 a qualidade dos servi\u00e7os, que deixa muito mais a desejar. Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o a ser discutida. \u00c9 preciso melhorar a qualidade do atendimento \u00e0 sa\u00fade e do ensino, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel impedir que os custos continuem aumentando. Mas, para isso, \u00e9 preciso enfrentar uma outra quest\u00e3o: o corporativismo.<\/p>\n<p><strong>Or\u00e7amento<\/strong><br \/>\nVejamos o Or\u00e7amento da Uni\u00e3o de 2017. Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que se dizia nas manifesta\u00e7\u00f5es contra a nova Lei do Teto dos Gastos P\u00fablicos, ter\u00e3o valores maiores que os registrados neste ano. O Projeto de Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual 2017 (PLOA) entregue ao Congresso Nacional prev\u00ea despesas de R$ 110,2 bilh\u00f5es, um valor 7,20% maior que o de 2016 e 6,06% acima do m\u00ednimo que o governo \u00e9 obrigado por lei a desembolsar.<\/p>\n<p>Para a Educa\u00e7\u00e3o, a proposta \u00e9 um or\u00e7amento de R$ 62,5 bilh\u00f5es. Essa cifra \u00e9 2% maior que a de 2016 e 21,36% superior ao m\u00ednimo que o governo \u00e9 obrigado pela Constitui\u00e7\u00e3o a investir na \u00e1rea. Com os demais gastos em Educa\u00e7\u00e3o, classificados como transfer\u00eancias de sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o e outras despesas, o or\u00e7amento total da \u00e1rea sobe para R$ 111,3 bilh\u00f5es. Comparado ao ano passado, \u00e9 10,42% maior.<\/p>\n<p>Com esses recursos, \u00e9 poss\u00edvel melhorar. Em v\u00e1rios pa\u00edses, muitas alternativas de gest\u00e3o adotadas no setor privado est\u00e3o sendo utilizadas com sucesso no setor p\u00fablico. Aqui mesmo no Brasil, nos melhores hospitais e nas melhores escolas privadas, h\u00e1 in\u00fameros exemplos que poderiam ser adotados na rede p\u00fablica, mas aparentemente n\u00e3o h\u00e1 um grande interesse nisso, porque as pol\u00edticas p\u00fablicas foram capturadas por grandes interesses privados.<\/p>\n<p>Reduzir custos onde isso significa diminuir os lucros de fornecedores e prestadores de servi\u00e7os n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, ainda mais se isso tem a ver com financiamento de campanha ou apoio eleitoral propriamente dito. Al\u00e9m disso, professores e m\u00e9dicos reagem imediatamente quando as inova\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as atingem seus interesses corporativos. Como? Cruzando os bra\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqui mesmo no Brasil, nos melhores hospitais e nas melhores escolas privadas, h\u00e1 in\u00fameros exemplos que poderiam ser adotados na rede p\u00fablica A doen\u00e7a de Baumol \u00e9 o nome dado pelos economistas ao aumento das despesas com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o num mundo em que os custos de produ\u00e7\u00e3o caem vertiginosamente gra\u00e7as ao aumento da produtividade. 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